20 julho 2013

Nicolete, a desimpressionista

   
O impressionismo caracteriza-se por nos oferecer uma imagem difusa da realidade. Não é desenho, não é retrato, é uma evocação da beleza das coisas sem contornos definidos nem definições com limites. Que a Nicolete não goste ou não queira deixar-se impressionar, tudo bem. O problema é ela não ter gosto que os outros se impressionem, que se deslumbrem diante do que é bonito, que desfrutem a beleza que os dias nos apresentam. São 8,30h da manhã. A neblina paira sobre o rio dando a impressão de um véu que simula esconder para melhor chamar a atenção. A água, cor de prata, reflecte o canavial em traços e manchas ondulantes ao sabor da corrente. Alguém exclama: hoje o dia está lindo! Que salmo havemos de cantar! E a Nicolete: salmo? Achas que isto está bom para salmos? Estes dias assim são horríveis, estes dias só dão dores. Nem para as hortas servem. Qual salmo nem salmo! A sala ficou em silêncio. Um silêncio que fazia lembrar os mosteiros dos Alpes onde os monges, no grande silêncio, vão interiorizando as horas do dia. Entretanto, numa ondulação invisível, o aroma do café encheu a casa, coisa que nunca impressionou a Nicolete. As hortenses este ano estão lindas, comentou alguém. E ela: lindas? Com tantos paus secos lá pelo meio estão uma grande beleza! Resposta: não os vejo, só vejo as folhas viçosas e os novelos das flores. Mais uma vez silêncio. Algum tempo depois, já no carro em ritmo lento para se poder observar a paisagem e absorver o perfume da manhã, surgiu o mar ao fundo. Uma exclamação: o mar hoje está lindo! Que bonito está hoje o mar! E a Nicolete: está lindo está! Num dia que parece inverno e com esta aragem, está mesmo bonito. Deus me livre! Resposta: mas uma coisa bonita é sempre bonita, e o mar é bonito em todas as estações. E ela: está bonito para ti que só gostas de coisas estranhas e esquisitas! Já num Centro de Jardinagem o início do diálogo inverteu-se. Diz a Nicolete: as flores estão todas horríveis, não há aqui nada de jeito. Resposta: vê lá melhor, talvez encontres alguma de que gostes. E ela: qual? Só se fosse um maracujá. Mas não vale a pena, no inverno morre tudo com a geada. Resposta: mas no inverno podes protegê-lo da geada com uma sombrinha de praia. E a Nicolete: só tens ideias malucas! Mas lá veio o maracujá para a sua nova morada, um pouco apreensivo com o que lhe poderá acontecer ainda antes do inverno. De regresso a casa entraram num supermercado para comprarem qualquer coisa para o almoço. Nicolete: estes supermercados estão na última, acabou a classe média. Resposta: agora já só os pobres é que compram. E ela: os pobres? Quais pobres? Resposta: os que têm pouco dinheiro e procuram os produtos de marca branca. E ela: isso é o que tu pensas! Depois silêncio a caminho de casa onde o sabor de mais um cafezinho acompanhou a exclamação: a nossa magnólia está linda, há dias que ando fascinada com ela. Tem flores muito bonitas, vou tirar-lhe uma fotografia. E a Nicolete: para quê? O ano passado estava mais bonita e não me lembro de teres dito nada. Nesse momento cruzaram-se os olhares e a seguir os risos sinceros de ambas as partes. Quem visse de fora este quadro, que na realidade durou muito mais tempo que estes breves minutos de leitura, talvez fosse levado a pensar que isto era uma representação ensaiada. Mas não, foi tudo espontâneo e verdadeiro. O riso também. Verificando que a Nicolete tinha consciência da sua negatividade, a Teresa exclamou: como consegues ser tão negativa e criar um ambiente em que só apetece escrever o Salmo da desgraça de um dia se ter nascido? A resposta foi só um abanar de cabeça. Aquele abanar de cabeça de quem se julga realista, sensato, neste caso sensata, com a verdadeira razão das coisas. Ao ouvir esta história, por vários motivos inclusive o som do nome, lembrei-me do Coelete, personagem dum livro da Bíblia. Para muita gente será uma citação batida, mas representa um modo de olhar para a vida que pelos vistos acompanha o ser humano até ao fim dos tempos. Começa assim: “Vaidade das vaidades – diz Coelete – vaidade das vaidades, tudo é vaidade. Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? Uma geração passa, outra lhe sucede, enquanto a terra permanece para sempre. O sol se levanta, o sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar para novamente tornar a nascer. O vento sopra em direcção ao sul e gira para o norte; girando, girando vai o vento em suas voltas. Todos os rios correm para o mar e, contudo, o mar não transborda: embora chegados ao fim do seu percurso, os rios voltam a correr. Toda a palavra é enfadonha e ninguém é capaz de a explicar. A vista não se sacia de ver, nem o ouvido se farta de ouvir. O que foi é o que será; o que sucedeu é o que sucederá; nada há de novo debaixo do sol. Mesmo que se afirmasse: Olha, isto é novo! – já sucedeu noutros tempos muito antes de nós. Não há memória dos antepassados, e também aqueles que lhes sucedem não serão lembrados pelos que hão-de vir depois” (Coelete 1,2-11). Ainda assim acho melhor o doce amargo do Coelete que o amargo azedo da Nicolete. Causa-me impressão.

Frei Matias. O.P.

14.07.2013

Francis in Brazil and a new scandal in Rome


Rome - Let's be clear: Francis' first overseas trip July 22-29 to Brazil for World Youth Day almost certainly will be perceived as a runaway hit. He'll likely draw large and enthusiastic crowds, his freewheeling and warm style should play as well on the road as it does in Rome, and his palpable concern for the poor should strike deep chords in a society where social justice is an idée fixe.

Moreover, amid a summer of discontent, Brazilians seem hungry for a good story to tell about themselves. When the final word is in, the dominant headline will probably be something like: "Francis brings peace and wins hearts."

That said, every papal trip is a journey into the unknown, and Francis faces some real risks on this outing, a few immediate and short-term, others longer-term and harder to evaluate amid the euphoria.

In terms of security and crowd control, officials in Brazil have announced they're categorizing the events on the pope's itinerary as "green," "orange" or "red," corresponding to the threat level they believe each poses. Stealing a page from their playbook, we'll lay out here several question marks facing Francis in Brazil in ascending levels of seriousness.

Beyond the imagery and feel-good storylines, how well the new pontiff navigates these risks will go a long way toward shaping the substantive success or failure of the outing.

'Green' risks: blowback and protest

Brazil's streets have been churning recently, and a principal cause is the perception that the government is spending buckets of money on splashy events such as the World Cup and the Olympics while public services such as education, health care and transportation languish.

In theory, Brazilians could see World Youth Day as another case in point and take out their frustrations on the pope. There are at least three compelling reasons, however, why that seems fairly unlikely.

First, there's a basic dynamic on virtually every papal trip, no matter who the pontiff is. Potential storm clouds, such as resentment over cost and mixed public reaction to the pope's message, dominate the coverage in the run-up. Once he lands, things go better than expected, and by the end, the trip is styled a success -- in part, of course, because it's being measured against the expectations of disaster the media helped create.

So far, there's no reason to think things won't play out that way this time, too.

Second, Francis arrives with high levels of popularity as well as perceptions that his heart is in the right place vis-à-vis the concerns that have driven Brazilian protestors into the streets. He also benefits from the buzz of being history's first Latin American pope making his triumphal homecoming.

In some ways, Francis has already achieved the kind of iconic moral status that surrounds someone like Nelson Mandela, and few movements dedicated to the pursuit of justice of any stripe would want to end up on his bad side.

Instead, the antagonists in Brazil's internal tensions seem to be competing with each other to see who can show more deference and respect.

The mayor of Rio de Janeiro, Eduardo Paes, recently asked protestors not to take out their grievances on the pope because he's not to blame for "the sins of Brazilian politicians." In fact, Paes said, maybe Francis would forgive them if they make a good confession. Leaders of the uprisings, for their part, told reporters they have no intention of embarrassing Francis because their resentments aren't directed at him.

The activists who propelled people into the streets in June have announced they'll stage protests July 26 and 27 in Rio under the banner of, "Pope, look how we're treated!" The assumption is that Francis is such a moral beacon that airing the failures of the country's political class before his eyes might shame them into reform.

That may not bode well for politicos, but it doesn't seem to augur any massive antipapal blowback.

Third, there's no comparison in terms of the amount of public money being invested in events such as the World Cup and the Olympics and the weeklong World Youth Day.

Reportedly, the Brazilian government is shoveling $13 billion into the World Cup, with much of that outlay going to install luxury sky boxes at soccer stadiums. By way of contrast, the various levels of government are contributing just $60 million for WYD in security and transport subsidies. Once Brazilians realize the disparity, they'll probably be much less likely to lump the papal trip in with the other objects of their pique.

'Orange' risks: security and manipulation

Whenever a major world leader appears in public, including the pope, there's always an outside risk of violence. While there's no reason to think it's more likely in Brazil than elsewhere, there's also no reason to think it's less likely, either.

If something does happen, however, it won't be because the Brazilian security blanket wasn't sufficiently thick.

The defense ministry has announced a boost in the number of military personnel on duty to 10,266, from an initial deployment of 8,500. Meanwhile, officials in Rio de Janeiro have vowed to stage "the biggest police operation in the city's history," assigning 12,000 regular officers and 1,700 members of an elite security unit to the pope's protection.

Adding it up, that's 24,000 soldiers, police and security experts. Vatican officials have expressed "total confidence" in the security preparations, and that massive deployment is probably part of the reason why.

Another risk, and one that's harder to put people in the field to prevent, is that Francis' words and deeds could be exploited by various actors -- politicians, activists, pundits and media outlets -- to bolster one side or the other in the country's internal battles.

At the moment, much of the political drama in Brazil is focused on the future of the country's first female president, Dilma Rousseff. Not so long ago, her re-election in October 2014 seemed a foregone conclusion, but now some believe she's been sufficiently weakened that things may be more wide open, not only for a challenger from the center-right opposition, but potentially even from within her own center-left Workers' Party. A poll released Tuesday found Rousseff's approval rating at 49 percent, down from 73 percent in June, before the protests began.

As a result, Brazilians will be closely watching what happens during Francis' trip to see if it seems to tilt the playing field in somebody's favor.

I asked a veteran Brazilian journalist what the reaction will be if, for instance, Francis says something generic about poverty during his first encounter with Rousseff on Monday afternoon. Without having to think about it, here's what he rattled off:

·                Brazilian media: "Pope presses Rousseff to do more for the poor"

·                Protestors: "The pope supports us!"

·                Political opposition: "Pope backs need for a change"

·                Rousseff's faction: "Pope endorses our program"

In the end, there may be little Francis can do to short-circuit this sort of spin other than by avoiding partisan gestures or language. At the end of the trip, however, there is still a risk that it may come off as a political gift for somebody -- with the potential to embitter and antagonize the perceived loser.

'Red' risks: mission and ecumenism

Probably the most serious risk Francis faces is that his trip will be a short-term triumph, but without the long-term consequences he'd undoubtedly wish it to have.       

Brazil is a good bellwether for broader trends affecting the church across the continent. To get a sense of what they are, here's the headline from a new study of Brazil released by the Pew Forum on Thursday: "Brazil's Changing Religious Landscape: Roman Catholics in Decline, Protestants on the Rise."

As the Pew study notes, Brazil is the largest Catholic country in the world, with an estimated Catholic population of 123 million. Catholicism has been the country's dominant, and for a long time basically only, religious tradition since the era of Portuguese colonization in the 16th century.

Yet the Catholic share of the population has been dropping dramatically in recent decades, and over the last 10 years, the overall number of Catholics began to decline as well. A quarter-century ago, more than 90 percent of Brazil was Catholic; a decade ago, it was 74 percent; and today, it's 65 percent.

It doesn't require a great leap of imagination to envision a situation not too far down the line in which Catholics in Brazil represent a statistical minority.

The big winners in this transition have been Protestants, mainly evangelicals and Pentecostals, who now number 42 million, or 22 percent of the population. Gainers also include Brazilians with no religious affiliation, who in the West we would probably call "secularists." They now include 15 million people, more than 8 percent of the national total.

The Pew study finds that immigration and demographics don't account for the rise of Pentecostalism in Brazil, among other things because less than 1 percent of the population is foreign-born. The main factor, according to the study, is "religious switching" -- and although they're too polite to say so out loud, what they mean is defections from the Catholic church.

Perhaps most relevant for the future, the Pew data suggest Catholicism is having an especially hard time among the young and among city-dwellers -- in other words, among precisely the demographic cohorts destined to set the tone in Brazil. Here's one fascinating tidbit: According to the Pew study, only 46 percent of the population of Rio de Janeiro, the city Francis will be visiting next week, actually identifies as Catholic.

These trends pose two clear challenges.

First is the ecumenical situation. Brazil is transitioning from a religiously homogenous society to an eclectic mix of different affiliations, which means Catholic leaders have some catching up to do in terms of dialogue and outreach. Relations among evangelicals, Pentecostals and Catholics in Brazil are a mixed bag; some get along quite well and perceive common cause in regards to the increasing tug of secularism, while others are stuck in confessional rivalries.

In the mid-1990s, for instance, Bishop Sergio von Helde of Brazil's Universal Church of the Kingdom of God, one of the largest Pentecostal denominations in Latin America, went on TV on the Feast of Our Lady of Aparecida, the national patroness of Brazil, and kicked an icon of the Madonna, declaring, "This is no saint!" Uproar ensued in which outraged Catholics attacked Pentecostal churches and von Helde was convicted of public disrespect for a religious symbol and sentenced to two years in jail.

To illustrate that such tensions have not entirely dissipated, consider that there are three major Brazilian TV networks with correspondents aboard the papal plane for Francis' trip. Yet the country's second-largest network, Record, owned by an evangelical/Pentecostal billionaire named Edir Macedo Bezerra, is not represented.

In the official program for the papal visit, there's no meeting planned between Francis and leaders of other Christian denominations, although Benedict XVI held exactly such an ecumenical session when he visited in 2007. Especially given that omission, it's uncertain whether the trip will generate any new ecumenical momentum.

On the missionary front, both during his 15 years as the archbishop of Buenos Aires, Argentina, and since becoming pope, Francis has repeatedly articulated his vision of a more evangelical church -- a church that, to use the pope's language, gets "out of the sacristy and into the streets."

That was the heart of the vision for Catholicism in Latin America expressed in the 2007 document adopted by the continent's bishops meeting in Aparecida, Brazil, the famed Marian shrine that Francis will visit July 24.

If there's any place on the Catholic map where a more missionary version of Catholicism is in order, it's arguably Brazil. Therein lies the genuine drama of the trip: Can Francis translate his personal popularity into a lasting burst of missionary energy?

If so, perhaps sober historians, not just excitable journalists and pundits, will declare his first Latin American homecoming a success. If not, then the trip may end up seeming a feel-good exercise with mixed results.

More problems within the Vatican bank

A nasty war of words erupted Friday in Rome in the wake of an explosive piece in the newsmagazine L'Espresso, charging that a cleric hand-picked by Pope Francis to reform the Vatican bank was involved in fairly brazen gay affairs while serving as a papal diplomat more than a decade ago.

So far, the pope appears to be standing by his man, with a senior Vatican official saying Friday morning on background that Francis "has listened to everyone and has confidence" in Msgr. Battista Ricca, the cleric named in the piece.

On the record, Vatican spokesman Jesuit Fr. Federico Lombardi on Friday branded the story "not credible."

The Ricca story broke the same day Francis announced a new pontifical commission dealing with the Vatican's economic and administrative structures. The aim, according to a legal document with which Francis created the body, is to draft reforms promoting "simplification and rationalization" and "more careful planning of economic activities," as well as to "favor transparency" and "ever greater prudence in the area of finances." The eight-member commission is composed almost entirely of laypeople, led by Joseph F.X. Zahra of Malta, an economist and businessman who has also served as a board member of the Vatican-based Centesimus Annus Pro Pontifice Foundation and on the International Audit Committee of the Holy See and the Vatican State. 

While waiting for the dust to settle on how accurate the specific claims against Ricca may be, two preliminary observations suggest themselves.

First, it confirms how much the Institute for the Works of Religion, popularly known as the Vatican bank, has become a primary acid test and battleground for the larger question of Vatican reform.

In the last 14 months:

·                One bank president has been fired for alleged incompetence and erratic behavior while insisting he was trying to promote transparency;

·                His successor, tapped by Benedict XVI as one of his last acts, faced a mini-tempest at the beginning because of his ties to a German firm that manufacturers warships;

·                The bank's top two managers resigned while facing an Italian probe into alleged money-laundering; and

·                A new commission was created to investigate the bank at roughly the same time a former Vatican accountant was charged, among other things, with illicit use of his bank accounts.

·                Now, the bank prelate finds himself in the eye of the storm.

It's almost enough to make one think the Vatican bank ought to come with a skull-and-crossbones label, like a pack of cigarettes. "Warning: Working at this place may be dangerous to your health."

Second, the Ricca affair also illustrates how Francis himself is still viewed positively by almost everyone because the one thing everyone appears to agree on is that Francis is not to blame.

Friday's story by veteran journalist Sandro Magister claims that Ricca, now 57, had a live-in lover when he served as a papal diplomat in Uruguay in the late 1990s and early 2000s, that he cruised gay bars and once got beaten up, and that another time he brought a young man back to the papal embassy and ended up trapped in an elevator with him overnight before being freed by the local fire department.

It should be noted there's no suggestion in the story that Ricca was guilty of criminal conduct or sexual abuse and no suggestion he ever faced civil charges.

Battista later returned to Rome and ended up as the director of the Casa Santa Marta, the residence on Vatican grounds where Francis now lives, earning the pope's trust and being tapped to become his "prelate," or delegate, at the bank. (Technically, the prelate is appointed by a body of cardinals that supervises the bank, but it's widely believed they acted on Francis' wishes.)

Magister insisted Francis did not know this chapter of Battista's past before naming him on June 15, suggesting Ricca's Vatican file had been sanitized by elements of a purported "gay lobby."

After the Vatican called the story "not credible," L'Espresso fired back with a strongly worded response confirming the report "point by point," insisting it was based on "primary sources," and calling the Vatican's denial "improbable and improvident."

In sotto voce fashion, two competing narratives quickly emerged in and around the Vatican to account for the situation.

For Magister and those who accept his analysis, a decadelong effort to conceal Battista's past is proof positive there's a shadowy network of people with secrets to keep in the Vatican, including some in senior positions, who protect and shelter their own and who thereby allow corruption to fester.

That's what's usually meant by the term "gay lobby," though most Italians don't understand it to refer just to secrets about sex, but also other skeletons in the closet such as financial improprieties or political maneuverings.

For this group, the occult influence of the "gay lobby" is proof of the need for precisely the house-cleaning Francis has started to launch, and most express confidence he'll do the right thing.

Defenders of Ricca insist there's another side to Ricca's story not given in Magister's piece but known to Francis. They say Ricca is a genuine reformer and dredging up a seamy chapter of his past from more than a decade ago may be a smear campaign by elements of a Vatican old guard that doesn't want its power and privilege to slip away.

Even if he is gay and perhaps struggled at one point with celibacy, they say, what does that have to do with his ability to implement reform in a bank?

These voices, too, generally say the situation confirms how much Francis is needed and insist he'll make the right call.

All of which may illustrate that because of his personal popularity and because his papacy is still young and capable of seeming all things to all people, Francis remains largely untouchable and above reproach.

What the Ricca story also shows, however, is that the same thing can't be said for those around him.

 

by John L. Allen Jr.     |  Jul. 19, 2013

 

[John L. Allen Jr. is NCR senior correspondent. His email address is jallen@ncronline.org. He will be traveling with Pope Francis to Brazil on the papal plane. Watch the NCR website for regular reports, and follow Allen on Twitter: @JohnLAllenJr.]

 

in NCR (National Catholic Reporter)

Nada hay más necesario

   
15.07.13 | 05:33. Archivado en Domingos ordinários

El episodio es algo sorprendente. Los discípulos que acompañan a Jesús han desaparecido de la escena. Lázaro, el hermano de Marta y María, está ausente. En la casa de la pequeña aldea de Betania, Jesús se encuentra a solas con dos mujeres que adoptan ante su llegada dos actitudes diferentes.
Marta, que sin duda es la hermana mayor, acoge a Jesús como ama de casa, y se pone totalmente a su servicio. Es natural. Según la mentalidad de la época, la dedicación a las faenas del hogar era tarea exclusiva de la mujer. María, por el contrario, la hermana más joven, se sienta a los pies de Jesús para escuchar su palabra. Su actitud es sorprendente pues está ocupando el lugar propio de un “discípulo” que solo correspondía a los varones.
En un momento determinado, Marta, absorbida por el trabajo y desbordada por el cansancio, se siente abandonada por su hermana e incomprendida por Jesús: “Señor, ¿no te importa que mi hermana me haya dejado sola con el servicio? Dile que me eche una mano”. ¿Por qué no manda a su hermana que se dedique a las tareas propias de toda mujer y deje de ocupar el lugar reservado a los discípulos varones?
La respuesta de Jesús es de gran importancia. Lucas la redacta pensando probablemente en las desavenencias y pequeños conflictos que se producen en las primeras comunidades a la hora de fijar las diversas tareas: “Marta, Marta, andas inquieta y nerviosa con tantas cosas; solo una es necesaria. María ha escogido la parte mejor, y no se la quitarán”.
En ningún momento critica Jesús a Marta su actitud de servicio, tarea fundamental en todo seguimiento a Jesús, pero le invita a no dejarse absorber por su trabajo hasta el punto de perder la paz. Y recuerda que la escucha de su Palabra ha de ser lo prioritario para todos, también para las mujeres, y no una especie de privilegio de los varones.
Es urgente hoy entender y organizar la comunidad cristiana como un lugar donde se cuida, antes de nada, la acogida del Evangelio en medio de la sociedad secular y plural de nuestros días. Nada hay más importante. Nada más necesario. Hemos de aprender a reunirnos mujeres y varones, creyentes y menos creyentes, en pequeños grupos para escuchar y compartir juntos las palabras de Jesús.
Esta escucha del Evangelio en pequeñas “células” puede ser hoy la “matriz” desde la que se vaya regenerando el tejido de nuestras parroquias en crisis. Si el pueblo sencillo conoce de primera mano el Evangelio de Jesús, lo disfruta y lo reclama a la jerarquía, nos arrastrará a todos hacia Jesús.
José Antonio Pagola


PACIÊNCIA COM DEUS (2)

       
1. Dizem-me que Deus deveria mandar encerrar as suas agências de publicidade, pois onde mantêm o monopólio do mercado religioso, a sua invocação foi-se tornando um susto, uma ameaça; onde há liberdade religiosa, cada uma pretende ser a única com garantia sobrenatural, todas a fazer de conta que a divindade é sua propriedade privada e exclusiva.

S. Mateus, ao fazer uma imaginária avaliação do sentido da história humana, contou uma parábola que denuncia a cegueira religiosa: a relação mais realista com Deus acontece, sem se dar por ela, quando se vai, sem cálculo, sem expectativa de recompensa, em socorro de quem precisa, só e simplesmente porque precisa. Deus não é uma presença ostensiva. É uma clandestinidade imensa. É, de facto, necessária muita paciência para O reconhecer nos tempos, lugares e percursos humanos, pois acontece de forma imprevisível (Mt 25, 31-47).

Prometi, por isso, voltar ao celebrado livro, Paciência Com Deus, de Tomáš Halík, (Paulinas Editora). É um suave diluente das certezas eclesiásticas reconstruidas, de modo estridente, nos anos 80-90, com encíclicas, catecismos, direito canónico e drásticas medidas disciplinares. Recupera, com mansidão, a memória interdita dos “padres operários”, o sentido da teologia da libertação, os caminhos ocultos de Deus na sociedade secular ocidental, sem se perder nas disputas e desavenças entre “conservadores” e “progressistas”. Isso não significa, porém, que o seu ideal seja um certo “Cristianismo não eclesiástico - irreal, vago e desligado da história ou da sociedade - e, ainda menos, uma religiosidade enevoada e esotérica, estilo “New Age”. Procura, sobretudo, que a ideia ambígua do “crente padrão” não sirva para desclassificar os que procuram um caminho.

O tecido desta obra é construído por tudo o que tem sido desvalorizado, ocultado, marginalizado ou desfigurado na apologética eclesiástica e pelos “autoconvencidos da religião”. A sua companhia preferida é a dos místicos que viveram a noite da fé, mesmo na hora da morte, como Terezinha de Jesus e dos classificados como cépticos, agnósticos e ateus, todos os que encaram a vida como uma viagem ou têm dificuldade em viajar pelos tropeços que lhes lançaram para o caminho.

  2. O próprio autor manifesta as preocupações que o levaram a escrever. Conta que, certo dia, viu na parede da estação do metro, em Praga, a inscrição: “Jesus é a resposta”, provavelmente escrita por alguém no regresso de alguma fogosa reunião evangélica. Outra pessoa acrescentara, com toda a propriedade: ”Mas qual era a pergunta?”

Isto fez-lhe lembrar o comentário do filósofo Voegelin: para os cristãos o que mais conta não é terem as respostas certas, mas terem-se esquecido de qual era a pergunta, para a qual eles próprios eram a resposta. Há que confrontar perguntas e respostas para devolver um verdadeiro sentido às nossas afirmações. A verdade acontece ao longo do diálogo. Temos de passar de respostas aparentemente definitivas para infinitas interrogações. Ter fé significa passar para uma caminhada infindável, entrar para o coração do inesgotável mistério, poço sem fundo.

Com a sua teologia descontraída e a sua “piedade tímida”, não estará o autor da Paciência com Deus, a enfraquecer e a desmobilizar as ardentes campanhas lançadas com o rótulo de Nova Evangelização e de Jornadas Mundiais da Juventude? Certamente que não. O que realmente o preocupa é aquilo que essas campanhas são tentadas a ignorar ou a descuidar: o tempo de escuta e de atenção a quem anda por outros caminhos, por carreiros e lugares “mal frequentados”. O próprio Jesus já tinha sido acusado de andar em más companhias.

3. Concordo, diz Halík, com os ateus em muitas coisas, em quase tudo… excepto no que diz respeito à sua não crença de que Deus existe. Perante o bulício mercantil de artigos religiosos de todo o género, eu, com a minha fé cristã, por vezes, sinto-me mais próximo dos cépticos, dos ateus, dos agnósticos, críticos de religião. Com certo tipo de ateus partilho um sentimento de ausência de Deus no mundo. Contudo, considero a sua interpretação de tal sentimento demasiado precipitada, como que uma expressão de impaciência. Muitas vezes, também me sinto oprimido com o silêncio de Deus e pela sensação do afastamento divino. Percebo que a natureza ambivalente do mundo e dos inúmeros paradoxos da vida pode dar origem a expressões tais como “Deus morreu”, para explicar o facto do ocultamento de Deus. Consigo, apesar disso, encontrar outras interpretações possíveis da mesma experiência e outra atitude possível frente ao “Deus ausente”. Conheço três formas de paciência (mútua e internamente interligadas), para confrontar a ausência de Deus. São elas: a fé, a esperança e o amor. 

No entanto, se, para Halík, a paciência é aquilo que considera a principal diferença entre fé e ateísmo, não esquece que o ateísmo, o fundamentalismo religioso e o entusiamo por uma fé demasiado fácil, têm em comum a rapidez com que se abstraem do mistério ao qual chamamos Deus. Além disso, há tantos tipos de ateísmo como de fé. Eis a questão a que é preciso

Frei Bento Domingues, O.P.

14.07.2013

08 julho 2013

OS DEMÓNIOS DO VATICANO

        
O Papa Francisco foi muito simpático em publicar um escrito de Bento XVI, a Lumen fidei, para que este tivesse a consolação de não deixar as três virtudes teologais só em duas. Certamente que não considerou esse texto de todo inútil, mas também não esteve nem para o refazer, nem para o acrescentar. No Angelus de ontem, domingo dia 7, lembrou que se contentou em dar-lhe um final. Sublinhou, no entanto, que “a fé não é intransigente, mas cresce na convivência que respeita o outro” e “pode iluminar as perguntas” da sociedade actual, na qual muitas vezes é “impossível distinguir o bem do mal”.
Agrada-me que o Papa comece por acolher perguntas e espero que nunca se lembre de elaborar respostas definitivas. Disso já tivemos que baste!
Nas questões teológicas sobre a Revelação e a Fé, contam muito os critérios e os sinais de credibilidade. Neste momento, a grande interrogação não se liga à problemática da Encíclica Lumen fidei, mas à credibilidade das contas do banco do Vaticano. A descrição que Pablo Ordaz apresenta no El País (7 de Julho), salvando o nome de Gotti Tedeschi, supernumerário do Opus Dei e antigo colaborador de Bento XVI, deixa muito mal muita gente e uma rede de interesses defendida a “capa y espada” por destacados representantes de organizações religiosas ultraconservadoras – Comunhão e Libertação “se lleva la palma ” – muito bem situadas no Governo, seja qual fôr a cor, e nos chamados poderes fortes.
O Papa Francisco faz bem em não dar nenhuma cobertura seráfica a esse bando de ladrões. Mas não basta. Tem de ir até ao ponto de varrer a casa completamente e, depois, não esquecer o que diz Jesus, no Evangelho: depois da casa varrida voltam os demónios, aqueles que têm as costas defendidas pelos slogans do costume: o mal disto não somos nós e encostam-se ao mau nome do passado como se fosse uma garantia de credibilidade para o presente e para o futuro.
Frei Bento Domingues, O.P.
09.07.2013

07 julho 2013

À PROCURA DA PALAVRA

À PROCURA DA PALAVRA
P. Vitor Gonçalves
DOMINGO XIV COMUM Ano C
"Ide: Eu vos envio como cordeiros
para o meio de lobos."
Lc 10, 13


Como cordeiros...?”


         A linguagem pastoril que Jesus tantas vezes utiliza tem uma clareza que certamente os discípulos entenderam, mas não é isenta de ambiguidades. Se a imagem de cordeiros aponta para uma missão pacífica no meio de um mundo agreste e violento, é verdade que há também muito "lobo vestido de cordeiro". E se isso pode significar simples falsidade (será assim tão simples?), quando o "ser lobo" tem a ver com saque e rapina, com mais fortes que devoram os mais fracos, não estamos longe de ver representados estes papéis na política e na economia dos nossos tempos. Sem ir à dureza do provérbio latino de que "o homem é lobo para os outros homens", sabemos como vivem em nós a paz e a violência, o bem e o mal. Aquilo que alimentarmos dentro de nós acabará por se manifestar na nossa vida.

         A pedagogia de Jesus é clara: o anúncio do Reino e o dom da paz realiza-se por uma presença desarmada e pobre dos seus discípulos. Desarmada quer dizer de "mãos vazias", em atitude de dar e receber, sem a "violência" que, muitas vezes, a abundância de meios também revela. Porque é grande o perigo de ir ao encontro de outros em atitude de conquista, com poderes e riquezas julgados indispensáveis mas que acabam por ser obstáculo ao essencial cristão: o encontro com Cristo e a vida transformada pelo seu amor. Não são os meios para a evangelização importantes? Sim, se não se tornarem "fins", e estiverem subordinados à essencial pobreza que Jesus propõe. Não é a riqueza, quando se torna acumulação do quer que seja, uma das maiores violências?

         Estes cento e poucos dias do Papa Francisco têm sido uma constante interpelação para mim e creio que para muitos. Quer pelos gestos simples mas decididos e coerentes (bem dizia uma irmã sua após a eleição, mais ou menos por estas palavras: "se ele continuar a ser o mesmo, o Vaticano vai ter muito trabalho com ele"), quer pelo "mini-magistério" diário das suas missas na Casa de Santa Marta, onde mora, com palavras que interpelam e pedem vida cristã renovada, o convite à pobreza e à autenticidade são incontornáveis. Como condição para a verdadeira alegria, aquela de que também fala Jesus no evangelho de hoje, "porque os vossos nomes estão inscritos no céu". É a alegria dos pobres, dos que não usam a violência, dos que continuam a servir sem procurar glória nem proveitos egoístas, dos que não se gastam em palavras mas dão o corpo pela verdade. A verdade de Deus amar este mundo! É assim que somos "cordeiros"?

in Voz da Verdade 07.07.2013

PACIÊNCIA COM DEUS (1)

    

                                           PACIÊNCIA COM DEUS (1)
                                     Frei Bento Domingues, O.P.
1. pessoas que falam da vontade de Deus e dos seus desígnios, com tanta certeza e desenvoltura, que até parece que Deus lhes lê o seu jornal todas as manhãs. Fico, depois, perplexo com o recurso ignorante a certas construções teológicas acerca da vida interna da SS. Trindade, como se andassem nos corredores de um museu de antiguidades. Não posso deixar de admirar essa arrojada arquitectura mental, cheia de subtilezas, para que o mistério da divina unidade na trindade das pessoas não surja como um absurdo, no contexto da sua recepção na cultura grega. Admito que esta concepção possa ajudar a acolher e cultivar a unidade plural nas nossas sociedades e no mundo em geral. Não tenho, todavia, paciência para a racionalização neutralizante da vida das metáforas. Ao perderem a sua energia poética passam a ser conceitos de nada. Tenho diante de mim, uma curiosa imagem com três cabeças numa só. Coitada. Prefiro a sobriedade enigmática dos textos do Novo Testamento.
Ninguém pode, no entanto, ser proibido de imaginar o mundo divino segundo os recursos das suas tradições culturais e religiosas, com a liberdade e ousadia criadoras dos artistas de cada época. A beleza do livro de Rebecca Hind[1] resulta da recolha esmerada de expressões artísticas na diversidade do mundo religioso. Nesta imensa diversidade, nenhuma obra pode pretender ser a expressão adequada de Deus e muito menos a sua fotografia. A verdadeira arte não fecha o mundo. Sugere universos que não cabem em conceitos e representações definidas. Não fixa, abre a imaginação. Fruto de uma grande viagem, este livro ajuda a visitar mundos que nunca podem ser circunscritos. Apenas modestamente sugeridos.
Entre todas as artes, aquela que menos distrai do infinito divino, por absoluta ausência de referente, é a grande música. A de J. S. Bach nasceu para nos dar o sentimento de Deus e dos mistérios cristãos. K. Barth prometeu que, ao chegar ao céu, iria pedir aos anjos para tocarem Mozart. Eduardo Lourenço, como sempre, sabe escrever destas coisas como ninguém[2].
2. Sob o ponto de vista cultural, viveu-se, no Ocidente, durante muito tempo, na ideia de que Deus tinha morrido e que nada o poderia ressuscitar. Como alguém observou, a notícia era exagerada. Passou-se, depois, à conversa sociológica do retorno do sagrado, da religiosidade flutuante, a propósito de tudo e de nada. A Europa laica acolheu, entretanto, uma imigração muito diversificada que alterou o seu panorama religioso e está a obrigar a rever os simplismos com que estava habituada a abordar esses universos.
A laicidade comporta três princípios fundamentais, com acentuações diferentes, segundo os países: a liberdade de ter, não ter ou mudar de religião; a defesa da igualdade de direitos e deveres, sejam as pessoas crentes ou não; finalmente, o princípio da autonomia do político e do religioso. Neste sentido, a laicidade tem sido considerada um fenómeno religioso europeu, com história diferente, segundo os países. Se a chamada Primavera Árabe tivesse podido beber nestes princípios fundamentais, em vez de os combater, não continuaria a invocar Deus para destruir os adversários, dentro e fora de portas.
3. Com um título algo surpreendente, Paciência Com Deus, Tomáš Halík[3], escreveu um livro que recebeu o galardão de “Melhor Livro Europeu de Teologia” de 2009/10 e, nos EUA, foi destacado como o “Livro do Mês”, em Julho de 2010.  
O autor nasceu em Praga, em 1948, licenciou-se em Ciências Sociais e Humanas na mesma cidade, em 1972; estudou teologia na clandestinidade e foi ordenado padre, em 1978. Só depois da queda do Muro de Berlim, pôde completar os seus estudos de teologia. De assessor do cardeal Tomásek, figura emblemática da “Igreja do Silêncio”, foi conselheiro de Václav Havel. Além de várias vezes premiado, é professor convidado de prestigiadas universidades, Oxford, Cambridge e Harvard.
T. Halík escreveu uma obra de teologia, num estilo pouco habitual. Os grandes teólogos que ajudaram e elaborar os textos do Vaticano II e a lançar a teologia em novos horizontes, já são raros e idosos. Não admira que seja saudada uma teologia que continua a apresentar-se com perguntas antes de respostas feitas e que incita o pensamento a caminhar pelo mundo do desassossego, das interrogações e dúvidas, o território onde se vive a “paciência de Deus”, desse Deus que interrogou o interessante Zaqueu desta obra:  “A fé – se fôr uma fé viva – tem de respirar; tem os seus dias e as suas noites. Deus não fala apenas através das suas palavras, mas também através do seu silêncio. Fala às pessoas não só através da sua proximidade, mas também do seu afastamento. Tu esqueceste-te de escutar a minha voz nos que experimentam o meu silêncio, a minha distância, nos que olham do outro lado, do vale de trevas, para o monte do meu mistério, escondido numa nuvem. Aí é que me devias ter procurado. A esses é que devias ter acompanhado, fazendo-os aproximar-se um pouco mais do limiar da minha casa. Era essa a porta especialmente preparada para ti.
Voltarei a esta problemática.
07.07.2013
in Público


[1] 1000 Faces de Deus, Dinalivro,2004
[2] Tempo da Música, Música do Tempo, Gradiva, 2012
[3]  Paulinas Editora, 2013