03 dezembro 2013

Um embaraço chamado Papa Francisco


Andava desconfiado de que alguns dirigentes da Igreja Portuguesa e uma parte da elite católica estavam embaraçados com o que o Papa Francisco dizia. O mote dessas reações, sempre que do Vaticano saía uma frase para a primeira página dos jornais, foi repetidamente este: "Mas a Igreja sempre disse isto. Não há aqui novidade. O Santo Padre limita-se a sublinhar algo que já há muito faz parte da nossa doutrina."

O entusiasmo mediático com Francisco é assim recebido, por estas pessoas, com uma cerebral e analítica contextualização, contrastante com a verve emocional com que os mesmos protagonistas popularizaram e glorificaram as intervenções de João Paulo II.

Essa minha desconfiança reforçou-se com a notícia elaborada pela Agência Ecclesia sobre o "Evangelii Gaudium", conhecido na semana passada, escrito pelo Papa.

O texto do órgão de informação da Igreja Católica enfatiza que esta "exortação apostólica refere-se a uma 'conversão do papado' e questiona uma 'centralização excessiva, que complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária'".
 
O Papa, conta a agência, "repete o desejo de 'uma Igreja pobre', 'ferida e suja' após sair à rua'". "Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos", diz Francisco, citado nessa notícia, que continua: "A exortação sublinha a necessidade de fazer crescer a responsabilidade dos leigos, mantidos 'à margem nas decisões' por um 'excessivo clericalismo', bem como a de 'ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva'".

O Papa, refere o despacho, já no fim, "denuncia o atual sistema económico, preso a um 'mercado divinizado', e lamenta os "ataques à liberdade religiosa'". Francisco, conclui o texto, "deixa claro que a Igreja não vai mudar a sua posição na defesa da vida e pede ajuda para as vítimas de tráfico e de novas formas de escravidão".

Tirar poder ao topo da Igreja, torpedear a ostentação ou aumentar a intervenção das mulheres e dos leigos já me parece ser algo à beira do revolucionário. Mas que dizer de partes que a notícia da Ecclesia não releva, citadas por todas as agências noticiosas e por todos os jornais do mundo, quando se lê, no link do site da agência, o texto completo que Francisco escreveu?

Deixo só uma frase para demonstrar as razões da minha desconfiança: "Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa." Esta clareza do pensamento de Francisco não é nova para a Igreja, certo, mas é, aposto, a que incomoda mais nestes tempos decadentes.
por PEDRO TADEU

DN 03.12.2013

01 dezembro 2013

O ADVENTO INESPERADO

   
1. Hoje, é o primeiro Domingo do Advento, um tempo dedicado a preparar a celebração do nascimento de Jesus. A selecção de leituras bíblicas está feita, os cânticos escolhidos. É previsível o que será dito nas homilias. Se alguma surpresa surgir só poderá vir do Papa Francisco.
Tinha acabado de escrever este parágrafo, quando me telefonaram do Diário de Notícias a pedir um primeiro comentário à Exortação papal Evangelii Gaudium. Acabava de chegar de Ponta Delgada, onde tinha ido participar na XIX Semana Bíblica Diocesana. Cheguei sem saber absolutamente nada acerca dos últimos atrevimentos do Bispo de Roma que, como li depois, se confessa aberto a novas sugestões, pois não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo (16). 
         A crónica que tinha preparado era provocada pelo crescimento dos nossos multimilionários e pelos da ilha Hainan (China), nas suas faustosas e ridículas exibições. Um deles, Xing Libin, gastou no casamento da filha, 8.455 milhões de euros, e além desta miséria só lhe ofereceu seis Ferraris. Esta humilhação, esta ofensa directa ao mundo da pobreza e da miséria enojou-me. A indignação do Papa brota da mesma fonte donde vem a sua alegria: a intimação do Evangelho a mudar as comunidades católicas e o mundo.
        Esta tentativa de mobilização de toda a Igreja para uma evangelização nova é também o enterro do estilo rançoso que, vindo de muito antes, lançou e acompanhou, durante anos, a chamada “nova evangelização”.
Não resisto a transcrever algumas passagens deste longo documento - nunca enfadonho - sobre o tema que eu tinha destinado para esta crónica. Tentarei, em breve, partilhar outra leitura deste conjunto de notas franciscanas unidas pela alma que em todas palpita e dá ritmo ao conjunto.
A necessidade de resolver as causas estruturais da pobreza não pode esperar (202).
2. Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência desta situação, grandes massas da população vêem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num beco sem saída. O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. (…) Os excluídos não são «explorados», mas resíduos, “sobras” (53).                                                                                        
           Neste contexto, alguns defendem ainda as teorias da «recaída favorável» que pressupõem que todo o crescimento económico, favorecido pelo livre mercado, consegue, por si mesmo, produzir maior equidade e inclusão social, no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos factos, exprime uma confiança vaga e ingénua na bondade daqueles que detêm o poder económico e nos mecanismos sacralizados do sistema económico reinante. Entretanto, os excluídos continuam a esperar. Para se poder apoiar um estilo de vida que exclui os outros ou mesmo entusiasmar-se com este ideal egoísta, desenvolveu-se uma globalização da indiferença. Quase sem nos darmos conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe. A cultura do bem-estar anestesia-nos, a ponto de perdermos a serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espectáculo que não nos incomoda nada (54).
3. As mulheres não vão gostar de ler, neste belo documento, que o sacerdócio está reservado aos homens e que esta é uma questão que não se põe em discussão. Quem a retirou da discussão foi João Paulo II, em 1994, mas continua a ser cada vez mais discutida. O Papa Francisco considera, por outro lado, que aí está um grande desafio para os Pastores e para os teólogos, que poderiam ajudar a reconhecer melhor o que isto implica, no que se refere ao possível lugar das mulheres onde se tomam decisões importantes, nos diferentes âmbitos da Igreja (104).
As mulheres não se vão esquecer de lhe lembrar que já existem muitas teólogas e que a Comissão Pontifícia Bíblica, em 1993, reconheceu a abordagem feminista da Bíblia. Em Portugal, também existe a Associação de Teologias Feministas. Elas, como outras organizações, não deixarão de apresentar sugestões ao Papa Francisco para novos documentos, como aliás, ele não cessa de lembrar (16).

Sem a participação activa das mulheres não há Igreja de Jesus Cristo.
Frei Bento Domingues, O.P.

in Público

01.12.2013

26 novembro 2013

'Evangelii Gaudium' amounts to Francis' 'I Have a Dream' speech

 
Analysis 
Dreams can be powerful things, especially when articulated by leaders with the realistic capacity to translate them into action. That was the case 50 years ago with Martin Luther King Jr.'s famous "I Have a Dream" speech, and it also seems to be the ambition of Pope Francis' bold new apostolic exhortation, "The Joy of the Gospel."
In effect, the 224-page document, titled in Latin Evangelii Gaudium and released by the Vatican Tuesday, is a vision statement about the kind of community Francis wants Catholicism to be: more missionary, more merciful, and with the courage to change.
Francis opens with a dream.
"I dream of a 'missionary option,' " Francis writes, "that is, a missionary impulse capable of transforming everything, so that the church's customs, ways of doing things, times and schedules, language and structures can be suitably channeled for the evangelization of today's world, rather than for her self-preservation."
 In particular, Francis calls for a church marked by a special passion for the poor and for peace.
 The theme of change permeates the document. The pope says rather than being afraid of "going astray," what the church ought to fear instead is "remaining shut up within structures that give us a false sense of security, within rules that make us harsh judges" and "within habits that make us feel safe."
Though Francis released an encyclical letter titled Lumen Fidei in June, that text was based largely on a draft prepared by Benedict XVI. "The Joy of the Gospel," designed as a reflection on the October 2012 Synod of Bishops on new evangelization, thus represents the new pope's real debut as an author.
 Early reaction suggests it's a tour de force.
 The text comes with Francis' now-familiar flashes of homespun language. Describing an upbeat tone as a defining Christian quality, for instance, he writes that "an evangelizer must never look like someone who has just come back from a funeral!"
           At another point, Francis insists that "the church is not a tollhouse." Instead, he says, "it is the house of the Father, where there is a place for everyone." At another point, he quips that "the confessional must not be a torture chamber," but rather "an encounter with the Lord's mercy which spurs us to on to do our best."
Francis acknowledges that realizing his dream will require "a reform of the church," stipulating that "what I am trying to express here has a programmatic significance and important consequences."
Though he doesn't lay out a comprehensive blueprint for reform, he goes beyond mere hints to fairly blunt indications of direction:
• He calls for a "conversion of the papacy," saying he wants to promote "a sound decentralization" and candidly admitting that in recent years "we have made little progress" on that front.
• He suggests that bishops' conferences ought to be given "a juridical status ... including genuine doctrinal authority." In effect, that would amount to a reversal of a 1998 Vatican ruling under John Paul II that only individual bishops in concert with the pope, and not episcopal conferences, have such authority.
• Francis says the Eucharist "is not a prize for the perfect, but a powerful medicine and nourishment for the weak," insisting that "the doors of the sacraments" must not "be closed for simply any reason." His language could have implications not only for divorced and remarried Catholics, but also calls for refusing the Eucharist to politicians or others who do not uphold church teaching on some matters.
• He calls for collaborative leadership, …
 |   
in NCR
Para ler o artigo na íntegra vá a: http://ncronline.org/news/theology/evangelii-gaudium-amounts-francis-i-have-dream-speech
   


Bucking Vatican, German Bishops Push Reform To Welcome Divorced Catholics


The Vierzehnheiligen Basilica is seen in Vierzehnheiligen near Bad Staffelstein in Bavaria, central Germany, Thursday, March 18, where the Freising Bishop conference was held to discuss the church abuses that happened in the past. The Archbishop of Munich and Freising Reinhard Marx said Catholic bishops in the southern German state of Bavaria ? the homeland of Pope Benedict XVI ? felt "deep consternation and shame" over the reports of abuse of children in church-run schools and institutions reve | ASSOCIATED PRESS
 
PARIS, Nov 25 (Reuters) - Germany's Roman Catholic bishops plan to push ahead with proposed reforms to reinstate divorced and remarried parishioners despite a warning from the Vatican's top doctrinal official, according to a senior cleric.

Stuttgart Bishop Gebhard Fuerst told a meeting of lay Catholics at the weekend that the bishops had already drafted reform guidelines and aimed to approve them at their next plenary meeting in March.

Readmitting twice-married Catholics to full membership in the Church is a pressing concern for Pope Francis, who has called a special synod of bishops next October to consider ways to do this despite Catholicism's rejection of divorce.

Fuerst was the most explicit of several German bishops to rebuff Archbishop Gerhard Mueller, head of the Vatican doctrinal office, who last month ruled out any change after Freiburg archdiocese in Germany unveiled its own reform proposals.

"We want to approve new guidelines at our plenary meeting in March," Fuerst told the Central Committee of German Catholics, an influential group of lay faithful, on Saturday in Bonn.

Catholics who divorce and remarry in a civil ceremony are barred from receiving communion under Vatican doctrine that applies to the worldwide Church. Many of them see this as a sign of rejection and drift away from the faith.

Fuerst said this complaint was one of the most frequent that German bishops have heard since they launched a broad drive to consult the faithful following a shocking wave of revelations in 2010 about sexual abuse of minors by priests.

"Expectations (of reform) are great, and impatience and anger are greater still," he said, adding that a working group of bishops has been debating the issue since then.


FRANCIS SEEKS SOLUTION

The Argentine-born pope addressed the issue in an outspoken news conference on his return flight from Brazil in July, saying the Church had to review its overall approach to failed marriages and would do so at the synod of bishops next year.

Catholicism teaches that marriage is indisoluble and can only be ended by an annulment, a Church ruling saying that proper conditions for marriage such as free will or psychological maturity did not exist when the knot was tied.

Freiburg archdiocese in southwestern Germany seemed to jump the gun last month when it released a guidebook saying a priest could readmit remarried divorcees to the sacraments if they proved to him their faith and commitment to the new union.

When the Vatican doctrinal chief Mueller ordered Freiburg to withdraw the guidelines, Munich Cardinal Reinhard Marx - one of the pope's top eight advisers - retorted that he "cannot end the discussion" and the debate would continue "on a broad scale".

Fuerst said the bishops drawing up the national guidelines would not issue a blanket pardon because Jesus himself had ruled out divorce. But they would propose ways for faithful couples to gain readmission to the sacraments.

The German Church, an influential voice in the Catholic world, has debated this issue since the 1980s.

When three bishops proposed reform in 1993, the Vatican's then doctrinal watchdog Cardinal Joseph Ratzinger - the future Pope Benedict - also rejected it. (Reporting By Tom Heneghan)
Reuters  |  By Tom Heneghan Posted:

COMUNICADO DE IMPRENSA DO NSI-ITÁLIA


Em Itália, os Bispos tentam estar ou em silêncio ou a boicotar a discussão sobre o inquérito. Por isso, o NSI-IT escreveu um comunicado de imprensa.
NOTA: Pedimos desculpa, mas não o pudemos traduzir.
 
NOI SIAMO CHIESA
   Via N. Benino 3   00122 Roma
    Via Soperga 36 20127 Milano
Tel. 3331309765 --+39-022664753                             Comunicato stampa
           E-mail vi.bel@iol.it
                                                                                             
I vescovi italiani, disorientati, non si stanno impegnando seriamente a promuovere la consultazione sul questionario per il sinodo dei vescovi sulla famiglia. Nei fatti è una specie di boicottaggio.  
 
         Il questionario predisposto per la consultazione del Popolo di Dio in preparazione del Sinodo sulla famiglia del prossimo ottobre è un fatto nuovo e molto positivo. Per la prima volta in modo formale e generalizzato si riconosce che queste tematiche devono essere affrontate a partire dal vissuto di tutti i  credenti nell’Evangelo, donne, uomini e coppie, con le loro gioie e le loro sofferenze. La proposta di discutere di queste grandi questioni esistenziali, in particolare dei loro aspetti più difficili e controversi, apre il cuore alla speranza che finalmente non si proceda più nella Chiesa sulla  vecchia strada di precetti imposti e astratti dalla realtà, ma su quella che inizia dalla volontà di ascolto.
         Pensiamo che le risposte a un questionario troppo  complesso  ed anche in tempi troppo ravvicinati approfondiranno soprattutto le questioni più vissute e aggiungeranno alla domanda aperta n.9 quelle assenti, in particolare quelle riguardanti  le situazioni di violenza,  nella famiglia e nella società, che colpiscono soprattutto le donne  e anche i minori. Ci piace dire ciò oggi, Giornata internazionale sulla violenza contro le donne.
         Ciò detto, “Noi Siamo Chiesa” ritiene che la consultazione non debba essere ristretta agli organismi diocesani e neppure solo a quelli parrocchiali (consigli pastorali, ecc…), ma  coinvolgere la generalità dei credenti. Essa deve essere aperta anche ai cristiani e alle cristiane di altre Chiese nonché a donne e uomini di buona volontà, che siano sensibili alle tematiche relative alla spiritualità e interessati a offrire il loro apporto costruttivo su questioni che coinvolgono la vita e gli interrogativi etici di ogni persona. Per questo ci sembrano saggi quei  parroci che hanno deciso di mettere a disposizione nelle chiese i questionari e quei vescovi di altri paesi che hanno chiesto risposte on-line al testo.
         Ci dispiace constatare che le strutture della Chiesa italiana si stanno invece muovendo con  troppo ritardo e con evidenti reticenze. Il 23 ottobre il segretario uscente della CEI Mons. Mariano Crociata ha inviato tempestivamente, prima ancora che il questionario diventasse pubblico, una lettera ai vescovi per attivarli sulla consultazione. Ma troppe diocesi sono ferme o, peggio,  reticenti (a Bologna, per esempio, non è stata diffusa alcuna circolare ai parroci per sollecitarli a far conoscere capillarmente il documento). Un mese è stato perso, solo in questi giorni arrivano ai parroci indicazioni dalle Curie diocesane ed esse prevedono, a quanto ci risulta, l’intervento sul questionario al massimo degli organismi parrocchiali e, in certi casi, neanche di quelli. Lo stesso segretario generale del Sinodo Mons. Lorenzo Baldisseri ha riconosciuto questo ritardo nel nostro paese nell’intervista di oggi sul Quotidiano nazionale. L’Avvenire poi, con assenza di una benché minima professionalità, tace completamente dall’inizio sulla consultazione mentre è ben noto come sia pronto e assillante in altre “campagne”. Tutto ciò non ci sembra casuale, indica il disorientamento di molti vescovi. I tempi sono strettissimi, l’Avvento e il periodo natalizio sono già densi di impegni di ogni tipo. Ci chiediamo, allora, se non ci si trovi di fronte a un vero e proprio strisciante boicottaggio del questionario o, nel migliore dei casi, alla convinzione che si tratti solo di un dovere burocratico, inutile o quasi, da mettere in coda a tutti gli altri, necessario solo per non dire di NO apertamente al Vaticano.
         La nostra opinione è radicalmente diversa. Ogni sede del mondo cattolico, dalle associazioni alle riviste (per esempio “Il Regno”), ai siti internet, è buona per ricevere le risposte, per elaborarle correttamente o non elaborarle e trasmetterle direttamente alla segreteria generale del Sinodo, che è un terminale abilitato a ricevere i questionari anche dai singoli. La possibilità di inviare direttamente i questionari dovrebbe sempre essere fatta presente dai nostri vescovi. Sul questionario si pronuncino i teologi, le facoltà teologiche, gli insegnanti di religione, le comunità di religiose e di religiosi, anche i monasteri di clausura, ma soprattutto le madri e i padri di famiglia, le giovani e i giovani, gli  appartenenti alle minoranze sessuali, le coppie di ogni tipo e tutti quanti vivono in prima persona le tematiche esistenziali poste dal questionario. Anche i cristiani e le cristiane delle altre Chiese offrano, in spirito ecumenico, il loro apporto.
         “Noi Siamo Chiesa” elaborerà in tempi rapidi una propria risposta al questionario, accogliendo così la richiesta di Papa Francesco di una partecipazione la più ampia possibile a un'iniziativa di per sé storica. 
Roma, 25 novembre 2013                                                  
NOI SIAMO CHIESA
 

APOSTOLIC EXHORTATION EVANGELII GAUDIUM

APOSTOLIC EXHORTATION

EVANGELII GAUDIUM
 
OF THE HOLY FATHER
FRANCIS
TO THE BISHOPS, CLERGY,
CONSECRATED PERSONS
AND THE LAY FAITHFUL
ON THE PROCLAMATION OF THE GOSPEL
IN TODAY’S WORLD
 
 
INDEX
 


I. A JOY EVER NEW, A JOY WHICH IS SHARED [2-8]
II. THE DELIGHTFUL AND COMFORTING JOY OF EVANGELIZING [9-13]

Eternal newness [11-13]

III. THE NEW EVANGELIZATION FOR THE TRANSMISSION OF THE FAITH [14-18]

The scope and limits of this Exhortation [16-18]


CHAPTER ONE
THE CHURCH’S MISSIONARY TRANSFORMATION [19]

I. A CHURCH WHICH GOES FORTH [20-24]

Taking the first step, being involved and supportive, bearing fruit and rejoicing [24]

II. PASTORAL ACTIVITY AND CONVERSION [25-33]

An ecclesial renewal which cannot be deferred [27-33]

III. FROM THE HEART OF THE GOSPEL [34-39]

IV. A MISSION EMBODIED WITHIN HUMAN LIMITS [40-45]

V. A MOTHER WITH AN OPEN HEART [46-49]


CHAPTER TWO
AMID THE CRISIS OF COMMUNAL COMMITMENT [50-51]

I. SOME CHALLENGES OF TODAY’S WORLD [52-75]

No to an economy of exclusion [53-54]
No to the new idolatry of money
[55-56]
No to a financial system which rules rather than serves
[57-58]
No to the inequality which spawns violence
[59-60]
Some cultural challenges
[61-67]
Challenges to inculturating the faith
[68-70]
Challenges from urban cultures
[71-75]

II. TEMPTATIONS FACED BY PASTORAL WORKERS [76-109]

Yes to the challenge of a missionary spirituality [78-80]
No to selfishness and spiritual sloth
[81-83]
No to a sterile pessimism
[84-86]
Yes to the new relationships brought by Christ
[87-92]
No to spiritual worldliness
[93-97]
No to warring among ourselves
[98-101]
Other ecclesial challenges
[102-109]
CHAPTER THREE
THE PROCLAMATION OF THE GOSPEL [110]

I. THE ENTIRE PEOPLE OF GOD PROCLAIMS THE GOSPEL [111-134]

A people for everyone [112-114]
A people of many faces
[115-118]
We are all missionary disciples
[119-121]
The evangelizing power of popular piety
[122-126]
Person to person
[127-129]
Charisms at the service of a communion which evangelizes
[130-131]
Culture, thought and education
[132-134]
II. THE HOMILY [135-144]

The liturgical context [137-138]
A mother’s conversation
[139-141]
Words which set hearts on fire
[142-144]

III. PREPARING TO PREACH [145-159]

Reverence for truth [146-148]
Personalizing the word
[149-151]
Spiritual reading
[152-153]
An ear to the people
[154-155]
Homiletic resources
[156-159]

IV. EVANGELIZATION AND THE DEEPER UNDERSTANDING OF THE KERYGMA [160- 175]

Kerygmatic and mystagogical catechesis [163-168]
Personal accompaniment in processes of growth
[169-173]
Centred on the word of God
[174-175]


CHAPTER FOUR
THE SOCIAL DIMENSION OF EVANGELIZATION [176]

I. COMMUNAL AND SOCIETAL REPERCUSSIONS OF THE KERYGMA [177-185]

Confession of faith and commitment to society [178-179]
The kingdom and its challenge
[180-181]
The Church’s teaching on social questions
[182-185]

II. THE INCLUSION OF THE POOR IN SOCIETY [186-216]

In union with God, we hear a plea [187-192]
Fidelity to the Gospel, lest we run in vain
[193-196]
The special place of the poor in God’s people
[197-201]
The economy and the distribution of income
[202-208]
Concern for the vulnerable
[209-216]

III. THE COMMON GOOD AND PEACE IN SOCIETY [217-237]

Time is greater than space [222-225]
Unity prevails over conflict
[226-230]
Realities are more important than ideas
[231-233]
The whole is greater than the part
[234-237]
IV. SOCIAL DIALOGUE AS A CONTRIBUTION TO PEACE [238-258]

Dialogue between faith, reason and science [242-243]
Ecumenical dialogue
[244-246]
Relations with Judaism
[247-249]
Interreligious dialogue
[250-254]
Social dialogue in a context of religious freedom
[255-258]


CHAPTER FIVE
SPIRIT-FILLED EVANGELIZERS [259-261]

I. REASONS FOR A RENEWED MISSIONARY IMPULSE [262-283]

Personal encounter with the saving love of Jesus [264-267]
The spiritual savour of being a people
[268-274]
The mysterious working of the risen Christ and his Spirit
[275-280]
The missionary power of intercessory prayer
[281-283]

II. MARY, MOTHER OF EVANGELIZATION [284-288]

Jesus’ gift to his people [285-286]
Star of the new evangelization
[287-288]






1. THE JOY OF THE GOSPEL fills the hearts and lives of all who encounter Jesus. Those who accept his offer of salvation are set free from sin, sorrow, inner emptiness and loneliness. With Christ joy is constantly born anew. In this Exhortation I wish to encourage the Christian faithful to embark upon a new chapter of evangelization marked by this joy, while pointing out new paths for the Church’s journey in years to come.

I. A JOY EVER NEW, A JOY WHICH IS SHARED

2. The great danger in today’s world, pervaded as it is by consumerism, is the desolation and anguish born of a complacent yet covetous heart, the feverish pursuit of frivolous pleasures, and a blunted conscience. Whenever our interior life becomes caught up in its own interests and concerns, there is no longer room for others, no place for the poor. God’s voice is no longer heard, the quiet joy of his love is no longer felt, and the desire to do good fades. This is a very real danger for believers too. Many fall prey to it, and end up resentful, angry and listless. That is no way to live a dignified and fulfilled life; it is not God’s will for us, nor is it the life in the Spirit which has its source in the heart of the risen Christ. ...
Para ler este texto em inglês ou noutra língua ir a:  http://www.vatican.va/phome_po.htm ou: http://www.vatican.va/holy_father/francesco/apost_exhortations/index_po.htm

24 novembro 2013

A FAMÍLIA: A FELICIDADE CONTROVERSA?

  
1. Não há só um modelo de família. Ao longo dos tempos e segundo a diversidade de povos e culturas, os historiadores e os antropólogos podem testemunhar tanto a pluralidade das suas formas como a sua presença constante. Mesmo hoje, em Portugal, apesar da maior fragilização dos laços conjugais, o aumento dos divórcios, a diminuição dos casamentos e dos filhos, a família apresenta-se, do ponto de vista da realização e da estabilidade emocional, a grande referência. Mais de 70% dos portugueses continua a associar a felicidade à vida em casal. O fim de uma relação não põe em causa esse ideal, embora seja vivido em novos cenários[1]. É sugestiva a descrição que alguns sociólogos espanhóis fizeram do ciclo vital dos nascidos no ano 2000. Antigamente, o ciclo vital constava de três ou quatro etapas, agora, de modo mais complexo e diluído, pode estender-se a nove.

         A experiência vital começa, para muitas crianças, com o cenário, feliz e curto, de um lar normal, de um filho pequeno com os seus pais. A esta breve etapa, segue-se outra, um pouco mais longa: esta mesma criança vivendo só com a mãe, separada ou divorciada. Uma terceira experiência é, talvez, a de um adolescente vivendo num novo lar com a sua mãe recasada e com uma figura menos atractiva, a de um pai adoptivo ou padrasto. Chegado à maioridade, esse jovem unir-se-á à sua noiva, vivendo com ela em união de facto. Num quinto ciclo vital, a maioria destes jovens acaba por se casar com o seu par e, depois de poucos anos, entram na sexta etapa, a dos divorciados. Irão passar por um tempo de solidão, mas voltam a casar. Chegados a esta etapa de maturidade, ficarão viúvos e irão para um lar ou residência de terceira idade, onde, esporadicamente, o filho ou a filha ou o neto o irão visitar[2].

2. Perante esta situação – com esta ou outras configurações – a “Pastoral da Família” pode ser tentada por um regresso ao passado que já deu quase tudo o que tinha a dar e se tornou inabitável. O cristianismo, aliás, não é a nostalgia de um paraíso perdido, mas a saudade de um futuro de transfiguração. É verdade que muitos pais, ao não desejarem reproduzir um mundo em que nem sempre foram felizes, não encontraram as alternativas que imaginavam. Por outro lado, certa educação liberal, preocupada em não impingir valores convencionais, deixou os jovens abandonados a si mesmos ou como se diz, com desencanto, obrigados a não acreditar em nada.

A Pastoral da Família não se destina a restaurar uma herança em ruinas e algo idealizada, por isso é ainda mais necessária e urgente. Deve ser mais exigente. Além do esforço para estabelecer laços estimulantes entre gerações, tem de saber escutar, acompanhar, dialogar com todas estas novas formas de viver em casal, propondo a descoberta existencial da hierarquia de valores, sem tentar impor o que só pode ser escolhido.

A pergunta a que temos de responder, por obras e palavras, é esta: que podemos nós, Igreja - de solteiros e casados, de casados e recasados - aprender com estas novas experiências onde o bem e o mal, o santo e o perverso, os êxitos e os fracassos humanos andam sempre mais ou menos misturados? Que caminhos abrem estas realidades a outras formas de viver o Evangelho?

Os casais cristãos – os que não se julguem o casal-modelo – em vez de guardar a sua experiência num cofre-forte familiar, como diz o Papa, podem estimular as novas gerações a desenvolver uma espiritualidade que não tem necessariamente de reproduzir as mais recomendadas no mercado religioso do passado e no mundo clerical. Alguém dizia que as homilias dos padres, nos casamentos, oscilavam entre as tentativas apoetadas e as apatetadas, tendendo todas para um moralismo sem ética praticável.

As apresentações da doutrina católica da família tendem a mostrar um itinerário que arranca do Antigo Testamento e vem até aos nossos dias como uma auto-estrada, com raros e pequenos desvios. A ocultação das sombras e do escuro não favorece a verdade.

O papa Francisco sabe que as questões da contracepção, da coabitação, do divórcio, das novas uniões, das uniões entre pessoas do mesmo sexo, a adopção de novas tecnologias de fertilidade, etc., apresentam dificuldades que não podem ser resolvidas de forma abstracta, com mais ou menos tolerância ou intolerância. A consulta que desencadeou é mais do que um inquérito. Sendo um método de dinamização de toda a Igreja, não se espere que fique tudo resolvido no Sínodo.

3. Jesus Cristo nasceu e cresceu numa família de cultura e religião judaicas. As narrativas do Novo Testamento não ocultam o longo contencioso que viveu com esta instituição. A fonte das suas reacções mal-humoradas acabam por ser o seu maior elogio. O desígnio de Jesus era lançar a corrente do mundo família: reunir todos os filhos de Deus dispersos. Não aguentava que a sua família o quisesse prender ao modelo que ele queria superar. Não suportava, por outro lado, que o direito mosaico fosse invocado para abandonar a mulher aos caprichos do marido[3].

A família será sempre uma feliz controvérsia.

         Frei Bento Domingues, O. P.

25.011.2013

In Público



[1] Cf. Família em Portugal Social de A a Z, p 76, 2013
[2] Cf. Fernando Vela López (or.) Atentos a los giros del mundo, San Esteban, Salamanca 2006 p185
[3] Cf. Jo 11, 52; Mc 3, 20 e 31-39; Mt 19 1-12