19 dezembro 2013

Controversial Theologian Hans Küng: 'I Don't Cling to This Life'

Hans Küng fought his whole life for the reforms being weighed by the Vatican today. In a SPIEGEL interview, the elderly Swiss theologian discusses Pope Francis' chances to revolutionize the church, why John Paul II shouldn't be canonized and what he hopes to learn in heaven.

SPIEGEL: Professor Küng, will you go to heaven?
Küng: I certainly hope so.
SPIEGEL: Some would say you're going to hell because you are a heretic in the eyes of the church.
Küng: I'm not a heretic, but a critical reform theologian who, unlike many of his critics, uses the gospel instead of medieval theology, liturgy and church law as his benchmark.
SPIEGEL: Does hell even exist?
Küng: Alluding to hell is a warning that a person can completely neglect his purpose in life. I don't believe in an eternal hell.
SPIEGEL: If hell means losing one's purpose in life, it must be a pretty secularist notion.
Küng: Sartre says that hell is other people. People create their own hell -- in wars like the one in Syria, for example, as well as with unbridled capitalism.
SPIEGEL: In his essay "Fragment on the Subject of Religion," Thomas Mann admitted that he thought about death almost every day of his life. Do you?
Küng: Actually, I expected that I would die at an early age because I thought that, given the wild life I live, I wouldn't make it to my 50th birthday. Now I'm surprised to be 85 and still alive.
SPIEGEL: You went skiing for the last time in 2008. How does it feel to know that you're doing something for the last time?
Küng: It certainly makes me feel a little melancholy to think about that last time, when I standing up there in Lech, up in the Arlberg range. I love the clear, cold air in the Alps. It's where I used to air out my often tortured brain. But I accept my fate. In fact, I'm happy that I was still able to go skiing at 80.
SPIEGEL: You are an elderly, sick man. You have acute hearing loss, osteoarthritis and macular degeneration, which will destroy your ability to read.
Küng: That would be the worst thing, no longer being able to read.
SPIEGEL: You were diagnosed with Parkinson's disease a year ago.
Küng: Nevertheless, I still work very hard every day. And yet I interpret all of these things as warning signs of my impending death. My handwriting is getting small and often illegible, almost as if it were disappearing. My fingers are failing. It's a fact that my general condition ...
 
By Markus Grill
in Spiegel on line International
December 12, 2013

Part 1:  'I Don't Cling to This Life'
Part 2:  Pope Francis 'Has Introduced a Paradigm Shift'
http://www.spiegel.de/international/zeitgeist/controversial-theologian-hans-kueng-on-death-and-church-reform-a-938501-2.html 
Part 3:  'Churchgoers Are Largely in Support of Church Reform'
http://www.spiegel.de/international/zeitgeist/controversial-theologian-hans-kueng-on-death-and-church-reform-a-938501-3.HTML
 
 


 

 



18 dezembro 2013

A beleza prostituída

Aqui no bairro onde neste momento moro, o dia é de noite. Ao anoitecer, um enxame de raparigas e rapazes, bonitos e alegres, começa a encher o cruzamento de algumas ruas como se fosse uma colmeia. Não moram cá e, por isso, nem pensam que aqui vive gente. As raparigas da rua a quem geralmente chamam prostitutas, também são diferentes conforme as horas do dia ou da noite. De manhã, quando até as pedras da calçada estão de ressaca, essas raparigas, já mulheres, são as mais pobres, tristes e com semblante de desempregadas. Delas não se sabe nem o nome. Uma é coxa, outra é vamp, uma é muda, outra é estante, sei lá! Há uma a quem chamam beleza. Não ganham quase nada, mas que outras coisas poderão ou saberão fazer depois de tantos anos a fazerem o que alguns homens quiseram! Sempre achei a beleza mais triste e melancólica. Um dia pediu-me uma sopinha quente e falou-me da sua dor ciática. Pude compreendê-la e, por isso, senti-me à vontade para lhe perguntar se não tinha mais nada, porque a achava com ar abatido. Pergunta irreflectida, pois apercebi-me de que ela pensou que eu estava a referir-me à sida. Mais educada do que eu disse-me que não, que estava tudo bem. Algum tempo depois já tinha melhorado da ciática mas eu continuava a pensar que ela não estava bem. Tem ido à sua médica? Eu sabia que o seu médico era médica. Respondeu que sim, que estava tudo bem. Meses depois de algumas pequenas trocas de palavras, abeirou-se de mim para me dizer se lhe podia dar alguma coisa para o lanche. Tirei do bolso o que lhe podia dar e foi então que me contou mais demoradamente algumas coisas da sua história. Verdades ou não, nunca as tinha ouvido por uma razão com duas faces: ela terá pensado que eu tinha mais que fazer do que estar a perder tempo com ela, eu pensava que falar com ela seria fazer-lhe perder a oportunidade de encontrar algum dos tão escassos clientes. Entre outras coisas disse-me que não tivesse medo de falar com ela, mas que estava muito mal dos pulmões e que andava naquela vida desde os 15 anos porque a sua mãe a abandonou. Perguntei-lhe de onde era a sua mãe e ela disse-me, num tom de quem pede desculpa, que era de origem marroquina e que eram muçulmanas. Que não levasse a mal. Pus-lhe a mão no ombro dizendo-lhe em poucas palavras o que no momento me pareceu adequado. De um modo suave e lento foi-me retirando a mão do ombro. Falhei mais uma vez, afinal aquele gesto para ela devia ter outro significado. A partir daí só a ouvi e olhei, e mesmo assim com um sentimento de à rasca. Há pouco tempo tive um choque, ainda que anunciado. Há pouco disseram-me que a beleza está internada, mas ninguém sabe dizer onde. A beleza está internada! Sentado e a tentar perceber onde estará, só me vem à mente aquela rapariga sem nome do evangelho de Marcos (14, 3-9), a quem chamo Maria dos perfumes quando me refiro a ela. Aquela que lavou com as suas lágrimas os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos. Dela Jesus disse: “Garanto-vos que em qualquer parte do mundo onde for pregada a Boa Nova, será contado o que esta mulher acaba de fazer e assim ela será recordada”. Bem sei que não é a mesma coisa, mas tenho fé que também esta, que dizem chamar-se Maria de Fátima, será acolhida no paraíso de modo muito especial: talvez viajando no carro de fogo do profeta Elias ou no cavalo alado do profeta Maomé. Afinal Maria é a Mãe de Jesus e Fátima a filha do Profeta.

Frei Matias, O.P.

18.12.2013

17 dezembro 2013

Um homem bom

       A Lista de Bergoglio fala do tempo em que o actual Francisco passava os dias entre o breviário e maneiras de despistar a polícia.
       B.J. Harrison (conselheiro da família Corleone, acerca do então recém-eleito João Paulo I): O Papa está a fazer exactamente o que disseste que faria, está a limpar a casa.
       Michael Corleone: Devia ter cuidado: É perigoso ser um homem honesto.
       In O Padrinho (III)
       Uma das cenas de O Padrinho que mais me marcou foi a da confissão de Michael Corleone (MC). Recordo a cena: MC vai falar de negócios com um cardeal - futuro João Paulo I - que, lendo o seu sofrimento existencial, o desafia: “Não quererá confessar-se?”. MC, perplexo, escusa-se com os 30 anos que tinham passado desde a última confissão. Aliás, de que serviria a confissão se não se arrependesse? O cardeal atalha: “Ouvi dizer que é um homem prático. Que tem a perder?”. E leva-o para um lugar do jardim, cheio de flores, onde costuma ouvir os seus padres em confissão. Depois de hesitar, MC começa: traíra a mulher (ouvem-se os sinos pela primeira vez), traíra-se a si próprio (quantos católicos conseguirão acusar-se deste pecado?), matara homens e ordenara a morte de outros, e até mandara matar o seu próprio irmão. Aqui, MC chora. A cada hesitação, o cardeal incentivara-o: “Go on, my son”.
       Já em casa, conta a boa nova à irmã: que se confessara. Perante a estranheza dela, diz-lhe: “É que era um homem bom, um verdadeiro padre. Poderá mudar as coisas”.
       Fui-me recordando desta cena à medida que, ao longo dos meses, ia lendo sobre o “novo estilo” do Papa Francisco. Não seria também ele dos poucos a conseguir que um MC se confessasse, por ser um “homem bom”? Mas uma dúvida subsistia em mim, como em muitos outros: sabendo-se que a Igreja argentina colaborara tanto com o ditador Videla (e com os que se lhe seguiram) e que, na altura do golpe de estado (1976), o agora Papa Francisco era Provincial dos Jesuítas, poderia ele estar inocente quanto a um eventual colaboracionismo com um regime que, como escreve o jornalista italiano Nello Scavo em A Lista de Bergoglio (2013), “teve como consequência o desaparecimento de, pelo menos, 30 mil pessoas, a apropriação de mais de 500 filhos[as] de condenados[as] à morte, a detenção de milhares de activistas políticos, o exílio de aproximadamente dois milhões de pessoas, além dos 19 mil fuzilados nas ruas”? Quanto à prisão e tortura de dois jesuítas, antigos professores de Bergoglio (e um deles até fora seu director espiritual), Franz Jalics (ainda vivo) e Orlando Yori, o que fizera o seu Provincial por (ou contra) eles? Confesso que a leitura de Scavo me trouxe um grande alívio e uma grande admiração pela atitude discreta mas firme do então P. Jorge. Independentemente da posição religiosa de quem a ele recorria – e por vezes, em vez de confiar apenas na oração, ajudava mesmo quem colocava resistências a uma ajuda provinda de “padres” -, dir-se-ia que ajudou todos os que pôde, escondendo-os nas instalações dos Jesuítas a pretexto da efectuação de um retiro espiritual, conduzindo ele próprio o carro quando levava suspeitos (mesmo que se tratasse de uma mulher), usando, nas cartas, linguagem críptica para iludir a censura, recorrendo aos telefones de rua para evitar escutas, tentando saber do paradeiro de desaparecidos e libertá-los, tecendo redes de ajuda em que, como é costume nas organizações de resistência, uma pessoa se limita a fazer um acto concreto, sem saber o antes e o depois. Admiro-lhe a coragem, os nervos de aço, a perspicácia, a capacidade de acolhimento e de ternura, a fé.
       Scavo fala “sobre a coragem daquelas noites sem receio da caça aos infractores. Sobre dias passados entre o breviário e os postos de bloqueio, pensando em maneiras de  evitar os controlos, de despistar a polícia, de enganar os generais. Para levar sãos e salvos, para lá da fronteira, os adolescentes destinados aos matadouros clandestinos. [...] Talvez rezasse entre uma curva e a seguinte.” E entre uma página e outra desta Lista notável, admiro também o desprendimento de quem, basicamente, só dela falou vagamente em comissões de inquérito. Um “homem bom”, que decerto conseguiria também despertar em MC o melhor de si mesmo.
       Docente aposentada da Universidade do Minho     
          (laura.laura@mail.telepac.PT)

15 dezembro 2013

Nunca ter medo da ternura, entrevista ao Papa Francisco

    
"Never be afraid of tenderness"

In this exclusive interview, Pope Francis speaks about Christmas, hunger in the world, the suffering of children, the reform of the Roman Curia, women cardinals, the Institute for the Works of Religion (IOR), and the upcoming visit to the Holy Land
Ti consigliamo:
+ “Christians who are allergic to preachers are sad and caged”
+ Francis: “The door of the Lord is always open”

“For me Christmas is hope and tenderness...”. Francis talks to “La Stampa” and “Vatican Insider” about his first Christmas as Bishop of Rome. We’re in Casa Santa Marta in the Vatican; it’s 12:50 in the afternoon on Tuesday 10 December. The Pope receives us in a room next to the dining hall. The meeting lasts an hour and a half. Twice during the course of the interview, the peaceful look which the whole world has grown accustomed to seeing on Francis’ face fades away when he talks about the innocent suffering of children and the tragedy of hunger in the world.

During the interview the Pope also speaks about relations with other Christian denominations and about the “ecumenism of blood” which unites them in persecution, he touches on the issue of the family to be addressed at the next Synod, responds to those in the USA who criticised him and called him “a Marxist” and discusses the relationship between Church and politics.

What does Christmas mean for you?

“It is the encounter Jesus. God has always sought out his people, led them, looked after them and promised to be always be close to them. The Book of Deuteronomy says that God walks with us; he takes us by the hand like a father does with his child. This is a beautiful thing. Christmas is God’s meeting with his people. It is also a consolation, a mystery of consolation. Many times after the midnight mass I have spent an hour or so alone in the chapel before celebrating the dawn mass. I experienced a profound feeling of consolation and peace. I remember one night of prayer after a mass in the Astalli residence for refugees in Rome, it was Christmas 1974 I think. For me Christmas has always been about this; contemplating the visit of God to his people.”

What does Christmas say to people today?

“It speaks of tenderness and hope. When God meets us he tells us two things. The first thing he says is: have hope. God always opens doors, he never closes them. He is the father who opens doors for us. The second thing he says is: don’t be afraid of tenderness. When Christians forget about hope and tenderness they become a cold Church, that loses its sense of direction and is held back by ideologies and worldly attitudes, whereas God’s simplicity tells you: go forward, I am a Father who caresses you. I become fearful when Christians lose hope and the ability to embrace and extend a loving caress to others. Maybe this is why, looking towards the future, I often speak about children and the elderly, about the most defenceless that is. Throughout my life as a priest, going to  the parish, I have always sought to transmit this tenderness, particularly to children and the elderly. It does me good and it makes me think of the tenderness God has towards us.”

How is it possible to believe that God, who is considered by religions to be infinite and all-powerful, can make Himself so small?

“The Greek Fathers called it syncatabasis, divine condescension that is: God coming down to be with us. It is one of God’s mysteries. Back in 2000, in Bethlehem, John Paul II said God became a child who was entirely dependent on the care of a father and mother. This is why Christmas gives us so much joy. We don’t feel alone any more; God has come down to be with us. Jesus became one of us and suffered the worst death for us, that of a criminal on the Cross.”

Christmas is often presented as a sugar-coated fairy tale. But God is born into a world where there is also a great deal of suffering and misery.

“The message announced to us in the Gospels is a message of joy. The evangelists described a joyful event to us. They do not discuss about  the unjust world and how God could be born into such a world. All this is the fruit of our own contemplations: the poor, the child that is born into a precarious situation. The (first) Christmas was not a condemnation of social injustice and poverty; it was an announcement of joy. Everything else are conclusions that we draw. Some are correct, others are less so and others still are ideologized. Christmas is joy, religious joy, God’s joy, an inner joy of light and peace. When you are unable or in a human situation that does not allow you to comprehend this joy, then one experiences this feast with a worldly joyfulness. But there is a difference between profound joy and worldly joyfulness.”

This is your first Christmas in a world marked by conflict and war...
        “God never gives someone a gift they are not capable of receiving. If he  gives us the gift of Christmas, it is because we all have the ability to understand and receive it. All of us from the holiest of saints to the greatest of sinners; from the purest to the most corrupt among us. Even a corrupt ...

        Para ler a entrevista na íntegra ir a: http://www.lastampa.it/2013/12/14/esteri/vatican-insider/en/never-be-afraid-of-tenderness-5BqUfVs9r7W1CJIMuHqNeI/pagina.html
        andrea tornielli (vatican insider)
        in Vatican Insider
         14/12/2013
        Para ler esta entrevista em castelhano ir a: http://www.lastampa.it/2013/12/14/esteri/vatican-insider/es/jams-tener-miedo-a-la-ternura-r8lpFUAxsH2v9Ypu21FPeI/pagina.html




 

O ADVENTO DA TERCEIRA IGREJA


1. Nasci numa época em que muito do clero português cultivava mais o medo do pecado do que o amor da virtude. A sua pregação – sobretudo a dos padres da vinagreira – estava centrada na ameaça do inferno e a confissão oscilava entre um precário alívio, a tortura e o escrúpulo.


As insólitas atitudes do Papa Francisco, a forma e o fundo da sua Exortação Apostólica, recusam fazer da fé cristã uma tristeza. Estão a irritar não só a alta finança, mas também os movimentos que tentam recuperar esse tipo de práticas religiosas – contra o Vaticano II -, com o auxílio de eclesiásticos vestidos e calçados a preceito.


Estamos no Domingo da Alegria, como se todos os Domingos não fossem para celebrar a Páscoa, a vitória sobre a morte. Não foi por acaso que o Papa sentiu necessidade de recordar o que esquecemos e está escrito para sempre, em S. João: isto vos escrevemos para que a vossa alegria seja completa[1] - Evangelii Gaudium.


Estamos a precisar de uma Igreja que seja uma alegria para o mundo actual. O padre Bill Grimm sustenta que está a chegar a 3ª Igreja[2]. Para ele, a primeira foi o movimento das discípulas e discípulos de Jesus Cristo, das gerações que se seguiram e das incursões missionárias, fora do universo judaico. Estava centrada, essencialmente, no Mediterrâneo. Foi ela que nos legou o Novo Testamento, os elementos fundamentais do culto cristão e os primeiros exemplos de diálogo com as religiões, as culturas e as filosofias desse mundo. A segunda centrou-se na Europa. Foi a Igreja da cristandade, pouco ou nada tolerante para o que lhe era exterior. O outro era o inimigo ou o objecto de proselitismo. Aí vivemos, mas estamos a caminho de uma 3ª Igreja, sem centro geográfico e sem fronteiras de raças, nações e culturas, mundial.

2. As estatísticas estão a contar a história. Em 1910, 80% dos cristãos do mundo viviam na Europa e na América do Norte. Hoje, um século mais tarde, a maioria vive na África, na Ásia e na América Latina. Em apenas cinco anos, entre 2004 e 2009, o número de católicos na Ásia aumentou 11%.

Os cristãos ocidentais quase não se aperceberam de como o seu cristianismo foi moldado por tradições religiosas e culturas anteriores à pregação do Evangelho na Europa. Hoje, são as Igrejas de África, Ásia, América Latina e Pacífico que estão a ser moldadas por religiões e culturas que os mensageiros do Evangelho aí encontraram. Isso significa que as ideias de Deus, de adoração, de santidade, de ministério e comunidade – de tudo o que faz a Igreja – estão, de forma gradual, a tornar-se diferentes do que tem sido “normal” durante mais de um milénio e meio.

O Advento da 3ª Igreja processa-se, no meio de crenças ou descrenças variadas, com pouco ou sem poder político, social e cultural. Este movimento está a levar a novos estilos de liturgia, de teologia, de comunidade, de evangelização.

Como os cristãos da 3ª Igreja, em especial na Ásia, são muitas vezes uma minoria impotente e perseguida, tendem a ver o papel da Igreja e as suas formas institucionais a partir de uma perspectiva diferente do Ocidente, onde a Igreja só há pouco começou a perder o poder político, moral e intelectual.

3. Perante este fenómeno, são diversas as reacções das pessoas nas Igrejas do Ocidente. Umas alegram-se por ver o Espírito Santo trabalhar em novas formas, em novos lugares. Outras, com medo do desconhecido, recusam-se a aceitar novas experiências, como se o Ocidente fosse feito só de bons exemplos a imitar. Grande parte da história católica, desde o Vaticano II, pode ser interpretada como uma série de tentativas para perpetuar o que B. Grimm chamou a 2ª Igreja e evitar as mudanças que se anunciam com o Advento de uma nova Igreja. Goste-se ou não, está a nascer outra realidade. Vai levar tempo, mas por fim o cristianismo será diferente em todo o mundo.

A tentação conservadora consiste em tornar definitivo o provisório: foi sempre assim e assim há-de continuar. Como seria bom mudar se tudo ficasse na mesma.

No entanto, os começos do cristianismo anunciavam uma subversão sem limites culturais, religiosos, geográficos, sociais e históricos. Paulo fez a declaração fundadora: Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus (Ga.3, 28). Isto está atrasado. Houve muitos ziguezagues. Temos a alegria de que a Igreja, na qual o Papa Francisco está a trabalhar, tem futuro, se não o deixarmos sozinho.
Frei Bento Domingues, O.P.



[1] Jo 15, 11; 16, 22-24; 1Jo 1, 1-4; 2Jo 12
[2] Cf. Rev. Além-Mar 12.2013, pg 11

15.12.2013
in Público

 
 
 
 
 

14 dezembro 2013

We are at a crossroads for women in the church

The American Academy of Religion and its companion association, the Society of Biblical Literature, is known for gathering forward-thinking theologians across denominations for the sake of cross-pollinating the best of religious research and thinking. So it's not surprising that at this year's Nov. 22-24 conference in Baltimore that part of the conference agenda was a panel of speakers whose own interests might give us all a snapshot view of Pope Francis and the challenges he faces in dealing with various current questions.
 
The sweeping composition of the panel -- both lay and religious, Catholic and not, male and female -- highlighted specific issues facing the church and the early responses of this present pope to areas of ecumenism, liberation theology, tradition, spiritual formation and, in my own case, women's issues and religious life.
 
In today's column, in the interest of broadening the conversation, I'll share the remarks I made as part of that panel.

***

The 20th-century Jesuit philosopher Pierre Teilhard de Chardin wrote: "The only task worthy of our efforts is to construct the future." My concern today is how to construct a new future for women around the world through the global outreach of the church.
 
The 6th-century philosopher Boethius reminds us that every age that is dying is simply a new age coming to life. A second insight that gets my attention comes from Woody Allen 15 centuries later: "I'm not afraid of dying; I just don't want to be there when it happens."
 
Both messages are clear: First, continuity can go too far. Second, to fail to face the moment we're in can fail the future that's coming with or without us and whether we like it or not.

Point: This is a crossover moment in history.

This is the moment when history discovered women.
 
        In fact, intelligent men as well as intelligent women realize now that feminism is not about femaleness. It's not about female chauvinism either, or feminismo machismo. And it's …
      
        Benedictine Sister Joan Chittister

        in NCR
        Para ler o artigo na íntegra vá a:

 

8 de Dezembro

 
Pio IX proclamou em 8 de Dezembro o dogma da Imaculada Conceição, isto é, ao contrário de toda a humanidade, Maria nasceria sem o "pecado original " definido em Trento 1546. Ratzinger (outra vez ele) reconhece que, se é verdade o evolucionismo, "não há lugar para qualquer pecado original". Não pode haver dogmas que não sejam revelados. Por isso, seguindo Santo Agostinho, basearam-se na epístola aos romanos, de S. Paulo. Porém, trata-se dum erro de tradução do grego para o latim: "eph"ho" não é "in quo", isto é, todos têm pecado porque pecam e não porque Adão pecou. Para confirmar, a própria Virgem diz a Bernardete, em Lourdes (1858): "Sou a Imaculada Conceição." Esta verdade é ignorada por todos os textos canónicos. Em 1870 é proclamada a infalibilidade papal no contexto da resistência aos liberalismos. Como a morte é consequência do pecado original (Adão e Eva nasceram sem ele e só morreram por ele), Maria não morrerá (dogma da Assunção, 1950), ao contrário de Jesus, que morreu. No Vaticano II escapou-se, por pouco, a fazer de Maria uma deusa co-redentora (a redenção da humanidade seria, a meias, de Jesus e de Maria) por 1114 votos contra 1074. O cardeal Congar acusou os bispos marianolatras de aldrabice. "A Virgem Maria, que nos devia unir, é causa de divisão... A mariologia só vive disso. É um verdadeiro cancro dentro da Igreja", acrescentou.

J.Carvalho, Lisboa

Público 11.12.2013

Cartas à Directora