18 maio 2014

Deus activista dos Direitos Humanos (1)

Frei Bento Domingues O.P.

1. Roubei este título a uma obra de Boaventura de Sousa Santos – Se Deus fosse um activista dos Direitos Humanos – (Almedina, 2013). Como, porém, Deus é a palavra dos usos mais sublimes e mais perversos, antes de me deter nessa obra notável, respondo à minha pergunta, ao modo dos escolásticos, dizendo: distingo!

Importa, com efeito, saber de que Deus se trata nessa interrogação. Se for aquele que me apresentaram quando comecei a ir à Missa, à catequese, aos sermões que ameaçavam os “pecadores” com o inferno, esse Deus que mandava os padres insistir nos pecados - o original e o actual, o venial e o mortal, além do pior de todos, o sacrilégio – nada tinha a ver com um activista dos direitos humanos. Antes pelo contrário.

12 maio 2014

Movimento Internacional Nós Somos Igreja: mensagem de solidariedade com a LCWR

O Movimento Internacional Nós Somos Igreja deseja expressar a sua solidariedade com as irmãs da Leadership Conference of Women Religious (LCWR) no decurso das suas negociações com a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) e o Arcebispo Sartain sobre questões decorrentes da avaliação doutrinal.
Ficamos satisfeitos com os comentários positivos do Cardeal Kasper e sua ênfase de que é o diálogo, e não a condenação, a maneira cristã de superar todas as dificuldades.
O trabalho da LCWR é uma contribuição inestimável para a vida da Igreja nos Estados Unidos e mesmo para a Igreja universal, que se anima com estas pacientes e corajosas negociações com a CDF.
O conceito teológico e pastoral da CDF tem de ser redefinido de acordo com os ensinamentos do Concílio Vaticano II e das orientações que o Papa Francisco deu até agora.
Nós apoiamo-vos com a nossa oração. Asseguramo-vos que o Espírito do nosso Deus é tão activo hoje, no nosso meio, como no dia de Pentecostes.

CONVITE

O Movimento Internacional
Nós Somos Igreja – Portugal

e o

Instituto S. Tomás de Aquino
(ISTA)

têm o prazer de anunciar um

ENCONTRO
CASADOS, DIVORCIADOS, RECASADOS


14.30 h -1ºpainel
Isabel Pereira e João Manuel Querido
Teresa Borges
Ana Mira Vaz e João Muñoz de Oliveira

Moderador: Frei Bento Domingues, O.P.

15.30 h  - Debate

16.15 h – Pausa

16.45 h - 2º painel
Graça Martins e Paulo Melo
Mariana da Cunha e Gonçalo Moita
José Carlos Lima

Moderador: Frei José Nunes, O.P.


17.45 h  - Debate

18.30 - Eucaristia  na Igreja do Convento de S. Domingos


O NSI - PT pretende contribuir para o debate que tem sido lançado pelo próprio Papa Francisco e por outros elementos da Cúria relativamente à atitude da Igreja-instituição face aos católicos divorciados e recasados, questão que vai ser retomada no Sínodo sobre a Família.

As conclusões deste Encontro serão enviadas ao CEP (Conferência Episcopal Portuguesa).


Data   - 17 de Maio, 2014
Local  - Convento de S. Domingos, Lisboa
R. João de Freitas Branco, 12, 1500-359 Lisboa
Metro - Alto dos Moínhos
Estacionamento nas imediações ou no pátio de Convento

11 maio 2014

A Figura Ideal do Bispo

Frei Bento Domingues, O.P.

1. No passado dia 3, cumpriram-se 500 anos do nascimento de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, o bracarense, como era conhecido no concílio de Trento. Em 1590, nasceu para a vida eterna, no convento de Santa Cruz, em Viana do Castelo. Os vianenses já começaram as celebrações e o estudo daquele que muito os amou e que eles não esquecem. Será, agora, que esta figura ideal de bispo vai ser finalmente canonizada?

Não sei e não é a resposta a essa pergunta o que mais me preocupa. No entanto, se canonizar significa, por vezes, congelar as grandes memórias das comunidades cristãs, pode também servir para avivar e recuperar imagens exemplares do catolicismo que as confusões e incúria dos tempos deixaram empalidecer ou apagar. Uma das personalidades mais desafiadoras da reformação da Igreja, dos tempos modernos, foi Frei Bartolomeu dos Mártires e o percurso da sua vida pode ser dos mais inspiradores. Não ficará na história como uma grande figura do renascimento, do humanismo, da reforma protestante, da ideia moderna do Estado, de nenhuma dessas grandes forças do mundo desde o século XV. Não passava por aí o desígnio da sua vida, nem como teólogo dominicano, nem como bispo de Braga – que envolvia Viana do Castelo, Vila Real e Bragança – nem como voz inconfundível do Concílio de Trento, a não identificar com o tridentinismo.

Quando Frei Bartolomeu entrou na Ordem dos Pregadores, já estava em curso o movimento ibérico de reforma das Ordens Religiosas. Implicava o reencontro com o impulso das suas respectivas origens. Era assumido em moldes de estrita observância, para vencer o extremo desleixo em que tinham caído e que a história pode explicar mas não justificar.

Não beneficiou apenas desse exigente e fervoroso clima. Tornou-se ele próprio um rude desafio existencial. Era a recusa absoluta do carreirismo universitário, eclesiástico ou inquisitorial. As correntes reformistas procuravam derrotar essas aspirações que levaram os conventos e a classe eclesiástica à decadência. O que interessava era criar um clima ascético e métodos de vida que favorecessem o acolhimento da graça divina e os dons do Espírito Santo.

2. Da vida e da obra de Frei Bartolomeu dos Mártires podemos hoje saber não só o que os seus biógrafos portugueses e estrangeiros disseram, mas também o que a investigação histórica consegue apurar. O dominicano, Raul de Almeida Rolo (1922-2004), não só editou as suas obras completas, como estudou e levou outros a estudar tudo o que lhe dizia respeito. Vivia tão seduzido pelo seu herói, era tão insistente em falar de tudo, com todos os pormenores, que levou um colega canadiano a exclamar nos anos 60: “Bartolomeu seria canonizado se conseguisse o milagre de calar o padre Raul”!(1)

Frei Bartolomeu era um pregador, um teólogo, um místico e um pastor exemplar. Viveu 22 anos a reger a cátedra de Teologia, na linha de S. Tomás e dos seus comentadores, na célebre Escola teológica do Convento da Batalha e depois em Évora.

Ele recusava a separação entre as Teologias Escolástica, Mística e Pastoral. Destas últimas, coligiu excelentes antologias, não para as publicar, mas para delas se alimentar. Não procurava ser original, mas beber em todas a fontes.
Quando teve de aceitar ser bispo de Braga, recusou todo o fausto que à casa, à mesa e a esse estilo de vida estava associado. Só lhe interessava percorrer toda a vasta diocese, com bom ou mau tempo, e ter recursos para socorrer os pobres.

3. Muito antes de Frei Bartolomeu dos Mártires entrar em cena, já se gritava pela realização de mudanças urgentes e sempre adiadas, sobretudo no mundo eclesiástico. É uma banalidade dizer que, em parte, a Reforma protestante é o resultado da surdez perante a ineficaz repetição de protestos no seio da Igreja.

Quando o Concílio de Trento (1545-1563) chega à sua última fase (1562-63), já este bispo incarnava na sua pessoa e na sua prática o que iria propor como saída para a crise. O Stymulus Pastorum era o acicate que escolheu para si e que, uma vez publicado, serviu de aguilhão para estimular todos os bispos e possibilitar todas as reformas. Bartolomeu não só não era um inquisidor, como atacou violentamente a Inquisição espanhola, a ponto de Filipe II pedir ao Papa para castigar a insolência deste bracarense.

Terminado o concílio, não o esperavam apenas os árduos trabalhos para levar a cabo as iniciativas e as reformas propostas; aguardava-o também a guerrilha que o cabido de Braga repetidamente lhe moveu, em nome de supostos direitos e privilégios.

No Domingo do Bom Pastor e lembrando Frei Bartolomeu dos Mártires como a figura ideal de bispo, importa não esquecer o que acaba de dizer o Bispo de Roma: “Na Igreja existem os que fazem escaladas. Quem quiser, que vá ao Norte e faça alpinismo: é mais saudável! Mas não venham à Igreja para fazer carreira”

in Público, 11. 05. 2014

04 maio 2014

Padres Casados na Igreja Católica?

Frei Bento Domingues, O. P.

1. O papa Francisco, além da visita, cheia de armadilhas, à chamada Terra Santa, será cada vez mais confrontado com um mundo de novas formas de família, um panorama de uniões de facto, de casados, divorciados, recasados, etc.. O Sínodo, marcado para Outubro, terá de inscrever, sem subterfúgios, esse universo movediço na sua agenda.

A nível mundial, neste momento, o cenário de paróquias sem Eucaristia e o que isso significa, pressupõe e exige, não pode deixar nenhum católico tranquilo. Continuar a insistir nas mesmas condições para ser ordenado padre, é demasiada confiança no milagre da sua multiplicação. Consta que o papa Francisco está aberto à ordenação de homens casados. Será isso suficiente?

Os papas do pós-Vaticano II, em nome de opções pré-conciliares acerca do celibato eclesiástico, foram muito eficazes em calar as vozes que mostravam que essas opções já não serviam nem o presente nem o futuro da Igreja. Os bispos, por seu lado, ao não quererem contrariar a cúria romana, não aceitando muitos milhares de padres casados dispostos a continuar no seu ministério, abdicaram da sua responsabilidade colegial e colaboraram numa progressiva desertificação. Essa recusa coexiste com outro paradoxo: as comunidades religiosas não devem abdicar da Missa quotidiana, mas as multidões de leigos católicos podem ser abandonados, por longos períodos, sem a Eucaristia dominical, a que têm direito, sem que isso provoque qualquer sobressalto pastoral.

2. Sem entrar, neste apontamento, pelo complexo desenvolvimento histórico que nos conduziu a esta situação, é consensual dizer que foi no âmbito das reformas de Gregório VII (1073-85), na continuação de medidas anteriores, que se consolidou a convicção de que o estado matrimonial era irreconciliável com o sacerdócio e que se tratava, simplesmente, de dar execução a uma antiga lei eclesiástica. Como destaca H. Jedin, nesta questão não se tratava sempre de reforma interna da Igreja, mas da conservação dos seus bens que, pelo matrimónio dos clérigos, passavam com muita facilidade para os seus filhos.

Não vamos discutir essa questão. Vamos seguir a síntese de um autor pouco suspeito . A atitude do referido papa contra a clerogamia suscitou muita agitação e oposições em vários países. Note-se que o sínodo de Paris, de 1074, definiu a lei do celibato como insustentável e irracional; muitos bispos alemães, e não só, foram pouco rigorosos na sua aplicação; o baixo clero revoltou-se em diversos lugares, por vezes de forma violenta. O papa Gregório não cedeu. O sínodo romano de 1078 ameaçou de suspensão os bispos que, mediante pagamento em dinheiro, se mostrassem indulgentes para com o concubinato dos eclesiásticos, seus súbditos. Por fim, a lei do celibato conseguiu impor-se, embora com dificuldade e nunca de maneira completa. De facto, em alguns países, como na Polónia, Silésia, Morávia, Dinamarca e Escandinávia, o velho estado de coisas prolongou-se até aos séculos XII e XIII. Ao longo da Idade Média as transgressões não foram raras.

O papa Urbano II deu mais um passo em frente no sínodo de Melfi (1089), decretando não só a punição dos subdiáconos desposados, como a perda do ofício; nos casos de persistência, a mulher era declarada escrava do senhor feudal. Essa disposição tinha por base a premissa de que o matrimónio dos eclesiásticos de ordens maiores não era apenas ilícito, mas também inválido. Esse parecer foi expresso, em forma juridicamente mais definida, no sínodo de Pisa de 1135 e no Concílio Lateranense de 1139. A Igreja grega conservou uma atitude de tolerância relativa ao matrimónio dos eclesiásticos. Difundiu-se o costume, possivelmente desde o século XIII e a começar pela Rússia, de designar como párocos e curas de almas apenas padres casados que, por isso, contraem matrimónio geralmente antes de receber a ordenação diaconal. Posto que os bispos têm a obrigação do celibato, eram e são eleitos geralmente de entre os monges.

3. Em toda essa contenda, segundo Hans Küng, o clero alemão levantou três objeções à legislação do celibato eclesiástico: será que o papa não conhece a palavra do Senhor: ”Quem puder compreender, compreenda”? (Mt 19,12); o papa obriga os homens a viver como anjos: ele quer interditar o curso da natureza. Isto só pode conduzir à fornicação; intimados a escolher entre o sacerdócio e o casamento, escolherão o casamento: então, o papa que vá recrutar anjos para o serviço da Igreja!

Dir-se-á, e com verdade, que a história já deu muitas voltas, já passou por fases muito diferentes, antes e depois do Concílio de Trento. Não se tendo conseguido respeitar a possibilidade de optar pelo celibato ou pelo casamento, as consequências estão à vista. As comunidades cristãs são privadas da Eucaristia, o sacramento dos sacramentos. Sem olhar de frente esta questão, continuaremos a lamentar obstáculos que nós próprios criamos.

in Público, 4/Mai/2014

01 maio 2014

Carta do Padre José Luzia


Amigos e Amigas

Naturalmente, as reacções diante da canonização do Papa João Paulo II, são as mais variadas.

João XXIII é, naturalmente, o Papa da minha vida: era jovem quando ele foi eleito e, com a convocação do Concílio Vat II, foi ele que me foi acordando para a problemática da urgência da reforma da Igreja.

Entrei no seminário, para Filosofia, em pleno concílio – 1964 – já com Paulo VI, e encontrei uma atmosfera efervescente, tanto entre padres como alunos, com destaque para os finalistas de teologia. Cresci, por isso, como jovem estudante de teologia (no Seminário dos Olivais-Lisboa), e como jovem padre ordenado na Páscoa de 1975 em Nampula em pleno processo de transição para a Independência de Moçambique, sob o influxo desafiador e reformante/aggiornante do Vat II.

Com o Bispo Vieira Pinto partilhei e aprendi a viver esse original dinamismo respondendo, tanto no estertor do colonialismo como no tempo da revolução marxista leninista, ou no tempo da guerra civil e dias de paz incerta que se lhe seguiram.

Partilhei, no mais nuclear ambiente diocesano, a gestão das várias facetas da Diocese de Nampula: pastorais e económicas.

No dinamismo das numerosas comunidades cristãs que surgiram por toda a diocese no contexto das vicissitudes a que a  revolução moçambicana as submeteu,  inevitavelmente nos confrontámos com a exiguidade de presbíteros no conjunto da diocese (éramos, apenas, cerca de 30 para mais de 2.000 comunidades, dos quais apenas 2 era moçambicanos). Para que as comunidades pudessem crescer na normalidade da celebração regular da SANTA EUCARISTIA, chegámos a admitir, em Nampula (e creio que também em Lichinga onde servia o saudoso Bispo Luis Gonzaga Ferreira da Silva) a ordenação de alguns animadores das comunidades já com provas dadas de zelo pastoral. Aquilo que chamamos de viri probati. O meu Bispo Manuel insistiu com o Papa João Paulo II para que o autorizasse nesse sentido. Porém, na última ou penúltima visita ad sacra limina, durante um almoço, diz o Papa João Paulo II: “D. Manuel, sobre isso não se fala mais”. Assim, com um autoritarismo inaceitável, o Papa João Paulo II impunha o seu ponto de vista em completa falta de sintonia com o Bispo e os povo cristão desta diocese.

Certamente que se compreenderá que lamento que o Papa Francisco tenha embrulhado a festa da canonização do “Meu Papa João” com a do Papa João Paulo II. Sem dúvida que acabou por esmorecer a exultação de quantos vivemos, há 50 anos, a inesperada jovialidade do ancião  Angelo Roncalli que lançou a nossa Igreja nos caminhos criativos do semper reformanda atenta aos sinais dos tempos, sem medos e restrições, confiante no Senhor Ressuscitado.

Este pronunciamento negativo a respeito do Papa João Paulo II não tem nada a ver, obviamente, com a sua santidade pessoal. Erros todos os humanos cometemos e os Papas não estão isentos. Não foi o Papa Pio X aquele que defendeu a figura vertical da Igreja piramidal como Sociedade Perfeita onde os baptizados mais não tinham do que obedecer submissamente, em tudo e em todas as circunstâncias, ao clero? Claro que a limitação teológica do Papa Pio X nada beliscou a sua santidade pessoal. Alias, tal convicção oficial reinante durante séculos, não impediu que o Vaticano II progredisse para a formulação da Igreja como (novo) Povo de Deus, onde, naturalmente, como bem sabemos, o clericalismo continua a querer reafirmar-se e a preocupar o Papa Francisco.

Estas coisas são como as cerejas. Termino aqui.

Uma saudação pascal no Senhor que nos ressuscita!
Zé Luzia

28 abril 2014

Comunicado de Imprensa do Movimento Nós Somos Igreja - Internacional

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24 de Abril de 2014

O MOVIMENTO INTERNACIONAL NÓS SOMOS IGREJA (IMWAC) reflecte, de forma crítica, sobre a canonização de João Paulo II

“Todo o actual sistema de canonizações é questionável e torna-se essencial democratizá-lo”, afirma a Dra. Martha Heizer, coordenadora do Movimento Internacional Nós Somos Igreja (IMWAC). "A reforma do processo de canonização deve incluir-se nas demais reformas da governação, transparência e responsabilização que o Papa Francisco iniciou e que são essenciais para que a Igreja Católica se torne na "Luz do Mundo".

O IMWAC pensa que o processo de canonização deve ser democratizado e deixar de ser um instrumento político do Vaticano. A canonização de ambos os Papas, estando a maioria dos Papas recentemente falecidos já na calha da canonização, glorifica a natureza absoluta e infalível do Papado à custa do restante Povo de Deus.

A Igreja celebra tradicionalmente a vida dos cristãos que viveram uma vida proeminentemente virtuosa e de martírio, adicionando-os publicamente ao calendário dos Santos. Todavia, tem-se dado uma ênfase desmedida a esta tradição canonizando presbíteros e religiosas católicos.
O Movimento Nós Somos Igreja relembra que o Concílio Vaticano II (1962-65) enunciou o chamamento universal à santidade de todo o Povo de Deus, proclamado na Lumen Gentium: "cada uma/um é chamado por Deus, segundo a sua condição, a essa santidade perfeita tal como o Pai é perfeito" (Lumen Gentium, Capítulo II, nº 11).

Reservas quanto à canonização apressada

Embora louvemos e nos regozijemos com as vidas humanas e santas dos Papas João XXIII e João Paulo II a excessiva pressa revelada na canonização do último preocupa-nos. O IMWAC acredita que as reformas do Vaticano II foram praticamente abandonadas durante o pontificado do Papa João Paulo II (ver a declaração do IMWAC de 16.01.2011).

Com a Constituição Apostólica Divinus Perfectionis Magister, de 25 de Janeiro de 1983, o Papa João Paulo II introduziu alterações ao processo de canonização, reduzindo o prazo de cinquenta para cinco anos ou menos entre a morte da pessoa e a sua candidatura à santidade, tendo abolido simultaneamente o "Advogado do Diabo". Estas duas alterações radicais tiveram como consequência não só o aumento das canonizações, como também uma menor atenção  dada às contra-indicações de uma canonização apressada. Estas alterações permitiram ao Papa João Paulo II ser canonizado em tempo recorde, sem a presença de um Advogado do Diabo para argumentar sobre a sua inacção contra os abusos sexuais do clero e o seu apoio público ao abusador sexual, Frei Maciel, fundador dos Legionários de Cristo.
Significará isto que, uma vez que alguém é eleito Papa, a sua santidade se torna num corolário da sua função ou será que apenas os santos são eleitos Papas? Esta situação é contrária ao espírito do Concílio Vaticano II.

Além do mais, devemos continuar a investigar a relação entre a piedade popular e a radical mensagem evangélica de Jesus. A pompa e a glória resplandecentes da Igreja Católica medieval voltarão a surgir no próximo domingo na Praça de S. Pedro, em contradição com a vida da maioria do Povo de Deus que é de pobreza, marginalização e rejeição. Esta Igreja dos pobres foi desposada pelo Papa Francisco e nós apoiamo-lo na tentativa de transformar esta Igreja pomposa numa Igreja solidária com os pobres, uma Igreja que reflicta o Reino de Deus, na qual os últimos sejam os primeiros.

CONTACTOS PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL em diferentes países