15 abril 2012

E viva a primavera! Tempo para renascer

Todos os anos em meados de março, a entrada da nossa casa enche-se de alegria e de fragâncias anunciadoras da primavera: o vaso com jasmim que temos logo junto ao portão, cobre-se de pequenas flores brancas que emanam um forte perfume. Chegamos a casa e sentimos a primavera.
No parque vizinho, as árvores começam a mostrar a roupagem nova logo no início de fevereiro, devagar, devagarinho. Primeiro, só se vislumbra uma ligeira penugem verde clara, mas aos poucos as mini-folhinhas vão ganhando força, vão crescendo e as árvores começam a ganhar o seu esplendor estival. Só os choupos mantêm a teimosia invernal e recusam ainda a abrir-se à vida. Só lá para finais de abril é que concluem que não vale a pena a teimosia e se deixam cobrir de verde.


Também nós devemos seguir os exemplos das árvores. Morrer para renascer. Para os cristãos, o fim do inverno coincide quase sempre com a Quaresma e que, com a sua sugestão de jejum, não é mais do que uma preparação para a nova vida que se nos oferece. Na nossa vida diária cheia de azáfamas diversas, convém fazer pausas. O jejum é um convite à pausa, à meditação, a olharmos para dentro e repensar a vida.
 

O jejum, uma abstinência total ou parcial de alimentos por um período definido e com um propósito específico, traz imensos benefícios físicos com a desintoxicação que produz no corpo. E obriga-nos a pensar. É a (re)aprendermos a prescindir, algo que na vida atual já praticamente deixou de fazer parte da nossa vida. Quem está disposto a prescindir do que quer que seja, numa sociedade de consumo, numa sociedade onde há - ou parece haver - tudo em abundância para se usar e abusar?
 

É importante para o nosso equilíbrio mental prescindir conscientemente do que ali temos à mão de semear - seja um prescindir de comida, de bebida, de tudo o que nos toma tempo e nos ocupa, inutilmente, espaço mental. É um passo para o nosso renascimento interno. Ao libertarmo-nos do que fazemos automaticamente sem pensar, estamos a crescer intimamente, a reencontrarmo-nos. Apreendemos melhor o nosso mundo, estamos com os olhos mais abertos. E é também um passo para a melhorarmos a sociedade em que vivemos. Pois ao estarmos de olhos abertos, com a mente mais liberta, vemos com olhos de ver e muitas vezes encontramos as soluções.
 

É preciso morrer para renascer. Sigamos o exemplo da natureza.

(Esta crónica foi publicada a 6 de abril de 2012 em 
http://www.grupocronicasrevista.org/2012/04/06/viva-la-primavera-tiempo-para-renacer/)

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