15 março 2013

PRESENTES DE PÁSCOA

1. Depois de tanta conversa sobre os Papas, talvez não nos fique mal ler as narrativas da Páscoa, nomeadamente, de toda a Semana Santa, se possível acompanhadas por uma boa Sinopse dos Evangelhos e por alguma obra que ajude a seguir os passos de Jesus, quer sob o ponto de vista da exegese bíblica, quer com a colaboração de obras que se tornaram clássicas, como as seguintes: Albert Nolan, Jesus antes do Cristianismo e Jesus Hoje, Paulinas; E.P. Sanders, A verdadeira história de Jesus, Editorial Notícias; César Vidal, Jesus, o judeu, A Esfera dos livros; John P. Meier, Um Judeu Marginal. Repensando o Jesus histórico, Imago; Joaquim Carreira das Neves, Jesus Cristo. História e Mistério, Editorial Franciscana; José António Pagola, Jesus. Uma abordagem histórica, Gráfica de Coimbra; Joachim Gnilka, Jesus de Nazaré, Presença; Carlo Maria Martini, Tomados de Assombro, Paulinas; Khalil Gibran, Jesus, o Filho do Homem (o mais encantador), Europa América; Hans Küng, O Cristianismo. Essência e História, Círculo de Leitores; Felicísimo Martínez Díez, Crer em Jesus Cristo. Viver como Cristão. Cristologia e Seguimento, Gráfica de Coimbra; Anselmo Borges (Coor.), Quem Foi / Quem é Jesus Cristo?, Gradiva, etc. etc. etc. etc.

2. Isto, para não deixar os livros ganhar pó e não deixarmos desenvolver teias de aranha, na nossa cabeça. A ignorância é muito corajosa, sobretudo nos meios de comunicação social, mas só divulga a ignorância.

3. O Novo Testamento não foi escrito nem transmitido para sabermos algumas coisas acerca de Jesus e das primeiras igrejas cristãs. Foi, sobretudo, para suscitar a conversão, a transfiguração da vida, provocando o seguimento de Jesus. Cristãos, só os praticantes do caminho que leva à ressurreição, passando por tudo o que acontece na vida, de bom e de mau.

4. Retenho um texto de Sto Agostinho contra as caridadezinhas que esquecem a caridade. Ele sabia que a questão social não se resolve com falsos elogios à caridade: “não devemos desejar que haja indigentes para poder exercitar as obras de caridade. Dás pão ao faminto, mas melhor seria que ninguém passasse fome e não fosse necessário socorrer ninguém. […] Todas estas acções são motivadas pela misericórdia. Esquece, porém, os indigentes e logo cessarão as obras de misericórdia; mas acaso se extinguirá a caridade? Mais autenticamente amas o homem feliz a quem não há necessidade de socorrer; mais puro será este amor e muito mais sincero. Porque, se socorres o necessitado, desejas elevar-te acima dele e que ele te fique sujeito, porque recebe de ti um benefício. O necessitado tu o ajudaste, por isso te crês como superior aquele a quem socorreste” (Sobre a Epístola de S. João aos Partos, Tratado VIII, nº 5).
Boa Páscoa, alegria da transformação da vida.

Frei Bento Domingues, O.P.
Blogue NSI
Março 2013
 

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