24 outubro 2013

Apelo de teólogos e teólogas ao Papa: As mulheres também devem escolher o Papa

Por iniciativa da teóloga Helen Schüngel-Straumann, teólogos e teólogas católicas da Europa e os Estados Unidos assinaram um apelo, no qual se pede ao Papa Francisco que envolva activamente as mulheres em decisões-chave. Um sinal deste envolvimento poderia ser a nomeação de mulheres para cardeais. O texto tem a seguinte redacção:
A posição do Papa Francisco em relação aos pobres e oprimidos tem agradado mas também criado expectativas. Tal como a sua declaração de que as mulheres deveriam desempenhar um papel muito mais forte na Igreja Católica e ser envolvidas nas decisões. Em todo o mundo, as mulheres vêem-se especialmente afectadas pela pobreza, privação e violência. Mais de metade dos membros da igreja são mulheres. Mas essa maioria é tratada como uma minoria. E no entanto, a igreja tem inúmeras mulheres altamente qualificadas: freiras, teólogas, mulheres em profissões responsáveis com forte compromisso com a sua igreja.
Trabalham dando apoio espiritual em sectores da pastorais e caritativos, na base, nas escolas, na política, nas associações religiosas - muitas vezes em regime voluntário. Tanto na teoria como na prática, empenham-se na palavra do Evangelho. Não são, porém, envolvidas em decisões importantes - uma situação altamente desigual e injusta na Igreja Católica. «As mulheres não querem ser objecto mas sujeito” (Catharina Halkes), e “sem mulheres não há igreja”. Igualdade e justiça são as exigências centrais dos profetas bíblicos. Continuamente se dá atenção ao triângulo “pobres, viúvas e órfãos". Também Jesus está na base desta grande tradição profética, tendo nomeado mulheres como discípulas no movimento do seu reino Deus. Tendo por base a mensagem de Jesus pela justiça fazemos a proposta de nomear um grande número de mulheres cardeais.
Nem na Bíblia, nem no dogma, nem na tradição da igreja existe qualquer argumento contra o facto que poderia impedir o Papa de implementar esta medida rapidamente. Pela lei canónica, o Papa é livre de nomear mulheres cardeais. No século XIX, foram nomeados alguns leigos para cardeais.
Como responsável pela unidade e a liderança de toda a igreja, o Papa poderia dar já os primeiros passos para que a "metade maior" dos membros da igreja participasse activamente em decisões-chave e na eleição do próximo Papa. Seria uma decisão muito inteligente e diplomática se o Papa, pondo em acção a igualdade das mulheres nos próprios círculos, mostrasse que a Igreja Católica não é tão misógina, como é frequentemente retratada.
Foi sempre recomendado às mulheres que explorassem o espaço existente. A nomeação para cardeais seria um excelente exemplo nesta área. O nosso objectivo não é mais uma clericalização da igreja, mas sim uma participação activa das mulheres em decisões-chave.
Não se trata aqui duma adaptação a um Zeitgeist duvidoso, mas sim a um pedido que oiça "sinais dos tempos" (João XXIII), que mais de 50 anos depois ainda não têm espaço suficiente na Igreja Católica. Caso os responsáveis da Igreja não consigam superar a abordagem patriarcal na teoria e na prática e não dêem às mulheres voz em lugares decisivos, a Igreja Católica irá perder cada vez mais mulheres competentes e dedicadas.
Tradução de Margarida Pereira-Müller, membro do NSI-PT, a quem muito agradecemos
Para assinar esta petição pode ir a : http://www.aufbruch.ch/3477
Petition: Frauen als Kardinäle
Appell von Theologinnen und Theologen an den Papst:
 Auch Frauen sollen den Papst wählen können

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