30 novembro 2020

P / INFO: Crónicas, Francis warns Gregory, other cardinals against being 'eminences' in part-virtual consistory & Capela do Rato

Frei Bento: Em tempo de pandemia, Advento da Esperança

Pe. Anselmo: O sentido da vida. (1) Quem sou?

 

Cardeal Tolentino: Esfregar o segundo degrau pg 167

Pe. Vítor Gonçalves: Da noite ao dia

 

EM TEMPO DE PANDEMIA, ADVENTO DA ESPERANÇA

        Frei Bento Domingues, O.P.

Segundo o calendário litúrgico, entramos hoje num tempo de resistência à resignação e ao fatalismo. A esperança é a virtude das horas difíceis.

 1. Muita gente sente que este longo tempo de pandemia lança uma incerteza corrosiva sobre o nosso quotidiano e sobre o futuro. Os alertas diários contra o desleixo e o pânico são indispensáveis, mas sem alimentar as fontes e as razões humanas e divinas da esperança, não conseguiremos renovar as nossas resistências físicas e psicológicas.

Os meios de comunicação social insistem, a toda a hora, em nos dizerem quantos já morreram, quantos são os infectados, quantos os internados em UCI e quantos os recuperados. Receio que esse contínuo exercício de tabuada acabe por saturar e anestesiar a sensibilidade para a gravidade da Covid-19 e para os comportamentos exigidos em todas as situações de risco.  

  Como vencer, em casa e na rua, no trabalho e no laser, a ansiedade e o medo de ser infectados? Não sei. Mas para além das questões de saúde e das dificuldades psicológicas de cada um, o caminho mais adequado e menos heróico parece ser o da prática das medidas mais recomentadas, como a distância física, o uso da máscara e a lavagem das mãos.

     O descuido com essas recomendações talvez seja um dos responsáveis pela expansão incontrolável da Covid-19. Depois, exige-se à DGS, ao SNS e aos diversos órgãos do poder que sejam infalíveis nas suas decisões e actuações!

       Em nome do direito e do dever de cada cidadão praticar o livre e indispensável exercício da crítica, resvala-se com facilidade para a politiquice que mata o sentido da responsabilidade social, cultural e política.

Repete-se que estamos a passar o pior ano das nossas vidas. Investigadores, virologistas, infecciologistas foram todos surpreendidos pelo modo de aparecimento e pela força da Covid-19. Ainda hoje, o comportamento do vírus está longe de gerar unanimidade por parte da comunidade científica, o que torna a situação particularmente complicada.

Além disso, o impacto da Covid-19 na economia é incalculável. Não se trata, apenas, de mais uma crise. Dizem os entendidos que é a pior crise económica e social desde a Segunda Guerra Mundial. O caos ameaça muitos países e dá a ideia de que ninguém sabe como encontrar um equilíbrio entre o controlo da pandemia e o resgate da economia.

Os cínicos e os tolos, ao dizerem que esta pandemia não passa de uma gripezita, acautelam-se a si próprios com os seus negócios e abandonam as populações à sua selecção artificial.

2. Segundo o calendário litúrgico, entramos hoje num tempo de resistência à resignação e ao fatalismo. A recente mensagem da CEP[1], confessa que «o Deus do Advento vem para o meio da pandemia, pega na nossa mão, muda o coração e envia-nos a mudar a situação».

A esperança é a virtude das horas difíceis. O dominicano Tomás de Aquino, servindo-se da filosofia aristotélica, dizia que o objecto da esperança é a luta por um bem futuro, árduo, mas possível de atingir[2]. Ela não é convocada quando o presente é de contentamento, de pura alegria, nem quando o futuro se apresenta como absolutamente impossível de alterar apenas pelas capacidades humanas. Nessa altura, só Deus nos pode valer. 

Muitas vezes, terá de ser vivida em situações heróicas, como as descritas nos anos de prisão, pelo Cardeal vietnamita, Van Thuan[3]. Mas a trémula luz que nos ilumina deve servir para ajudar os que se encontram dominados pelo pânico ou pela miséria. A verdadeira esperança rompe com o egoísmo porque é intrinsecamente solidária.  

É neste sentido, mas não só, que deve ser entendida a realização do Encontro Economia de Francesco, de 19 a 21 deste mês, que culminou numa importante Declaração Final e Compromisso Comum, em 12 pontos, endereçada a economistas, empresários, decisores políticos, trabalhadores e a todos os cidadãos do mundo.

Na sua importantíssima vídeo-mensagem, o Papa mostrou que esse dia não era de clausura, mas de relançamento de um trabalho que deve continuar para alterar o rumo da economia mundial. Isto pode parecer impossível, mas não é. Tem de ser um compromisso que leve, adultos e jovens, a realizar o que parece uma utopia, mas que é uma urgente necessidade, reconhecida por muitas vozes nesse Encontro, como uma evidência para quem não fecha os olhos aos efeitos devastadores de uma economia centrada, apenas, na busca do máximo lucro.

Como transformar o que foi vivido, documentado e explicado, nesses dias, em princípios de acção sustentados e estimulados por uma esperança activa? Como é que podem ser convertidas as instituições católicas, que continuam a reproduzir o ensino da economia que mata, numa investigação da economia ao serviço do bem comum, a começar pelos mais pobres?

3. Quem tiver uma visão ritualista do cristianismo dirá que Advento vem todos os anos, faz parte da rotina litúrgica.

Tomás de Aquino defende que o agir de Cristo, de há dois mil anos, na sua divina energia salvífica, atinge, presencialmente, todos os tempos e lugares[4]. Não é uma realidade apenas do passado. Cristo é nosso contemporâneo. Não se esgota em nenhuma época nem deixa nenhum ponto do globo sem a sua clandestina presença. Cristo acontece no nosso acontecer quotidiano.

É no horizonte do Natal que celebramos o Advento. São celebrações da esperança, não da alegria realizada, mas um protesto contra um destino que parece implacável. É uma esperança em movimento: Cristo acontece no nosso quotidiano, para que este seja alterado, nos torne diferentes, atentos a tudo o que movimenta a história humana, o advento do novo, do que nunca aconteceu.

O Deus de Jesus não é um deus dos mortos, mas da ressurreição de toda a nossa vida. O misterioso nome de Deus dado a Moisés significa: Eu sou Aquele que serei. Como escreveu Frei José Augusto Mourão, O.P., o nascimento de Jesus em Belém é o nascimento de Deus como homem[5], para renascermos como verdadeiramente humanos.

Entretanto, fiquemos com um fragmento do grande poema de Charles Péguy sobre a modesta virtude da esperança, recordado pelo Papa Francisco no seu mais recente escrito[6], pois é ela que nos diz bom-dia todas as manhãs:

«Mas a esperança, diz Deus, essa sim causa-me espanto./Essa sim, é digna de espanto./Que essas pobres crianças vejam como tudo acontece/ e acreditem que amanhã será melhor./Que elas vejam o que se passa hoje e acreditem /que amanhã de manhã será melhor./ Isso é espantoso e essa é a maior maravilha da nossa graça./E isso a mim mesmo me espanta./ Pois é preciso que a minha graça seja em verdade /duma força inacreditável./ E que ela brote duma fonte, como um rio inesgotável./ Desde o primeiro momento e corra para sempre».

in Público 29.11.2020

https://www.publico.pt/2020/11/29/opiniao/opiniao/tempo-pandemia-advento-esperanca-1940776



[1] Conferência Episcopal Portuguesa

[2] STH, I-II q.40, a. 1-8: Spei obiectum est bonum futurum arduum possibile adipisci

[3] Van Thuan, Compromisso de esperança. Escritos inéditos de Van Thuan, Paulinas, 2020

[4] STH, III, q. 56, a. 1 ad 2; ad 3: Quae quidem virtus praesentialter attingit omnia tempora et loca.

[5] Cf. A Palavra e o Espelho, Paulinas, 2000, p. 12

[6] Il Cielo sulla Terra, Editrice Vaticana, 2020. Cf. Pastoral da Cultura, 24.11.2020

 

O sentido da vida. (1) Quem sou?

Anselmo Borges

Padre e Professor de Filosofia

 

Apresente crise, gigantesca, deveria ser uma oportunidade para pôr de modo mais profundo a questão decisiva do sentido da vida. Sentido tem a ver com viagem, direcção, meta. Nas estradas, encontramos placas em seta a indicar o caminho para alcançar um destino. Agora, até programamos o GPS que nos levará lá.

Qual é o sentido da vida e a sua meta? Num primeiro momento, a resposta parece clara: a vida é um milagre e o seu sentido é ela mesma. O sentido está nela, no viver plenamente, na criatividade do dar e receber, em plena e total inter-relação.

Mas em nós a vida torna-se consciente. O ser humano é autoconsciente, consciente de si mesmo e, por causa da neotenia - ao contrário dos outros animais, não vimos já feitos ao mundo, mas por fazer, sendo a nossa missão fazermo-nos a nós mesmos, uns com os outros -, a questão do sentido da vida torna-se uma questão pessoal, essencial e inevitável. Não é uma questão adjacente, que se possa pôr ou não. Ela é constitutiva: ser  humano é levar consigo esta questão: quem somos?, donde vimos?, para onde vamos?, que devemos fazer?, que sentido dar à existência?

Somos uns com os outros e frente aos outros, mas cada um de nós vive-se a si mesmo como presença de si a si mesmo como um eu único: eu sou eu e não outro. Coincidimos, portanto, connosco, mas, por outro lado, experienciamo-nos como ainda não plenamente idênticos: somos nós mesmos e somos chamados a ser nós mesmos; num apelo constante a fazermo-nos, estamos ainda a caminho de nos tornarmos nós mesmos. Lá está a tarefa paradoxal que nos pertence, segundo Píndaro: "Torna-te no que és."

Precisamente deste paradoxo de sermos e ainda não sermos adequada e plenamente surge a nossa inquietação radical e a pergunta que nos constitui: afinal, o que somos?, quem somos? Uma vez que estamos essencialmente voltados para o futuro, temos de dizer: eu venho de um passado e sou também resultado desse passado, vivo-me no presente, mas eu ainda não sou plenamente, eu ainda não sou o que serei. Cá está, portanto, a pergunta - e o ser humano é radicalmente perguntante, porque é perguntado -, a pergunta radical e ineliminável: então o que é que eu sou e quem sou? E esta pergunta não pode deixar de colocar a pergunta pelo sentido da vida, pois está em conexão com ela: só no processo do viver e do ir-me fazendo poderei ir sabendo quem sou.

Mas fazer-me a caminho de quê? Qual é o sentido? Lá estão as inapagáveis perguntas de Immanuel Kant: "Que posso saber? Que devo fazer? O que é que me é permitido esperar?" E continua: se pudéssemos responder a estas três perguntas, encontraríamos resposta para a quarta, a decisiva: "O que é o Homem?" Afinal, o que somos e quem somos?

in DN 28.11.2020

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/28-nov-2020/o-sentido-da-vida-1-quem-sou-13084069.html?target=conteudo_fechado

 

Que coisas são as Núvens

Cardeal J. Tolentino Mendonça


ESFREGAR O SEGUNDO DEGRAU


NO PROCESSO PURGATÓRIO QUE NOS HABILITA A ENTRAR PELA “PORTA ESTREITA” HÁ UM PRÉVIO PERCURSO POR TRÊS DEGRAUS, TODOS DIFERENTES

 

Quem se aventurou alguma vez por essa destemida peregrinação interior que é “Um Diário de Preces” (Relógio D’Água, 2014), que a romancista Flannery O’Connor escreveu quando tinha 20 anos, aprendeu a desconfiar das soluções instantâneas no que à experiência de fé diz respeito. É verdade que, numa página do diário, Flannery declara: “Neste momento sou um queijo, faz de mim uma mística, imediatamente.” Mas ela sabe que não se pode agarrar ao passe de mágica do advérbio. De facto, há de voltar a essa prece refazendo-a deste modo: “Quero ser uma mística e sê-lo imediatamente. Apesar disso, querido Deus, indica-me um lugar, por pequeno que seja, e faz com que eu o respeite. Se me estiver destinado ser aquela a quem compete esfregar cada dia o segundo degrau, faz-mo saber, e faz com que eu o esfregue com um coração transbordante de amor.” A norte-americana era uma leitora assídua de Dante. E aí ela aprendeu que, no processo purgatório que nos habilita a entrar pela “porta estreita”, há um prévio percurso por três degraus, todos diferentes. O primeiro deles é branco, de mármore límpido. Nele podemos olhar o nosso rosto como ainda não o havíamos contemplado. O último é uma soleira de diamante, que flameja como uma labareda, e nele está sentado o anjo de Deus. O degrau intermédio, o segundo nesta ordem, é “escuro mais que pez/ de pedra áspera e seca, apresentando/ fissuras de comprido e de través”. Os orantes sabem que, na maior parte do tempo, a oração é essa tarefa repetida, que pode até parecer rasa, inglória e desinteressante, mas que requer de nós uma humilde fidelidade ao trabalho sobre o segundo degrau.

A oração é essa tarefa repetida, que pode até parecer rasa, inglória e desinteressante, mas que requer de nós uma humilde fidelidade ao trabalho sobre o segundo degrau

A iniciação a esse trabalho é o argumento de um dos livros mais amados do cânone bíblico: o Livro dos Salmos. Obra que se pode abordar como texto literário, pois certamente está entre os cimeiros da literatura universal. Numa das suas cartas, São Jerónimo dizia que David (a quem a tradição atribui a autoria dos salmos ou de parte deles) é, com justa razão, “o nosso Simónides, o nosso Píndaro, o nosso Alceu, o nosso Horácio, o nosso Catulo...”. Mas Nietzsche trouxe uma precisão, porventura surpreendente, às palavras de Jerónimo, defendendo que “entre aquilo que sentimos ao ler os salmos e aquilo que experimentamos na leitura de Píndaro e de Petrarca é a mesma diferença que existe entre a pátria e qualquer terra estrangeira”. A verdade é que a posteridade espiritual dos salmos está carregada de surpresas destas. Penso, por exemplo, no seu impacto na cultura portuguesa. O erudito ensaio do jesuíta Mário Martins, “A Bíblia na Literatura Medieval Portuguesa”, mostra como, desde as Cantigas de Amigo, o Saltério tem sido um código da nossa literatura. Entre os contemporâneos, temos múltiplos e distintos casos. Desde a inesquecível forma como Herberto Helder traduziu alguns salmos a este livro comovente e singularíssimo que a Editorial Caminho acaba de publicar, intitulado “Do Livro dos Salmos”, da autoria de Mário Castrim. Autor que teve, como se sabe, uma vida entregue aos jornais, nomeadamente como crítico de televisão, foi presidente da assembleia-geral do Sindicato dos Jornalistas, militante do Partido Comunista e cristão. Não é por acaso que um homem com o percurso de Mário Castrim se abeira dos Salmos e da sua espiritualidade profundamente inscrita na história, com as suas lutas, paixões, demoras. Habitar os salmos, parafraseá-los ou reinventá-los como ele o faz, é ter compreendido que esperar em Deus não nos dispensa em cada hora de esfregar o segundo degrau. Mas desse modo, como promete Castrim a Deus, “hei de fazer ao longo do meu dia/ a casa que será tua morada”.

in Semanário Expresso 27.11.2020

https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2509/html/revista-e/que-coisa-sao-as-nuvens/esfregar-o-segundo-degrau

À PROCURA DA PALAVRA

Pe. Vitor Gonçalves

DOMINGO I DO ADVENTO Ano B

“Vigiai, portanto, visto que não sabeis

quando virá o dono da casa:

se à tarde, se à meia-noite,

se ao cantar do galo, se de manhãzinha.”

Mc 13, 35

Da noite ao dia

Conta-se que um mestre perguntou um dia aos seus discípulos: “Quem me sabe dizer o momento exacto em que termina a noite e começa o dia? “Disse um deles: “É quando, ao longe, consigo distinguir entre um cão e uma ovelha!” “Não”, respondeu o mestre. “É quando consigo distinguir uma laranjeira de uma macieira!”, arriscou outro e obteve a mesma resposta. Tentou um terceiro: “É quando consigo distinguir um boi de um burro!”, e o Mestre voltou a responder: “Não”. Como mais nenhum avançava outra hipótese, o Metre concluiu: “Termina a noite e começa o dia quando, ao olhar o rosto de alguém, consigo reconhecer nele um irmão.”

Entramos no Advento e num novo ano litúrgico com um quádruplo imperativo: “Vigiai”! E como gostamos muito de saber tudo, prever tudo, apressar tudo, temos dificuldade em lidar com a espera, que toda a vigilância supõe. Tanto mais que sabemos quem esperamos: Aquele que já veio, que está (e vem), e que virá. Não é uma espera passiva ou amedrontada aquela para a qual o Advento nos convoca. Não estamos perdidos nem desesperados, mas, com o entusiasmo da namorada que o namorado convidou para ir a um baile, é uma espera ocupada em prepararmo-nos, alindarmo-nos e perfumarmo-nos, enquanto nasce e cresce em nós o desejo do encontro. E antes de esperarmos assim por Jesus, já Deus espera sempre por nós. Como no filme “A minha namorada tem amnésia” com Adam Sandler e Drew Barrymore, também Deus tudo faz para que O reconheçamos e acolhamos em cada manhã.

Da noite ao dia é assim que os nossos irmãos judeus contam as horas. Os rabinos judeus falam das quatro noites em que Deus entrou na história humana: a da Criação (ao criar a Luz); a da Aliança com Abraão; a da libertação de Israel do Egipto na noite de Páscoa; e a futura em que Deus libertará a humanidade de todo o mal. Esta última é, para nós, cristãos, a da Páscoa de Jesus, verdadeira libertação da morte e dom de salvação para todos. Assim as grandes festas cristãs da Páscoa e do Natal celebram-se da noite para o dia, e se vivemos neste ano uma imensa noite que é também esta pandemia, vigiamos e caminhamos para a luz de um dia novo. E para quem custa ainda a esperança da vida eterna, recordo o diálogo entre Charlie Brown e Snoopy voltados para o pôr do sol: “Um dia nós vamos morrer, Snoopy!”. “Sim, mas todos os outros dias vamos viver!”, responde Snoopy.

Vigiar é amar e esperar. No meio da escuridão que também se abate sobre nós, em que os sofredores têm rosto e nome, todos podemos ajudar Jesus a nascer pois Ele é o dia que esperamos. Podemos ler na mensagem deste Advento dos Bispos de Portugal: “O Deus do Advento vem para o meio desta pandemia, pega na nossa mão, muda o nosso coração e envia-nos a mudar a situação.” E o dia amanhecerá!

in Voz da Verdade 30.11.2020

http://www.vozdaverdade.org/site/index.php?id=9355&cont_=ver2

Francis warns Gregory, other cardinals against being 'eminences' in part-virtual consistory

by Joshua J. McElwee Vatican

 

VATICAN CITY — Pope Francis warned the world's Catholic cardinals Nov. 28 against seeing their positions as ones of honor or distinction, stressing that the lives of the church's highest prelates should be those of self-sacrifice and service to others.

In a first of its kind partly virtual ceremony in St. Peter's Basilica to create 13 new cardinals — including Washington, D.C. Archbishop Wilton Gregory and a number of prelates serving in remote regions across the world — the pontiff cautioned the new cardinals not to prioritize their own interests, but those of the people they serve.

Francis even told them not to see themselves in terms of the honorific traditionally given to cardinals, or as "eminences."

"When you feel like that, you are 'off the path,' " the pope warned the new cardinals. "You will no longer be the pastor, close to the people."

The Nov. 28 ceremony, formally known as a consistory, was unprecedented in the long history of the Catholic Church — held during an ongoing global pandemic and under strict precautions to prevent the spread of the coronavirus.

Due to social distancing measures, only about 100 people were able to be physically present for the ceremony, and two of the new cardinals — Brunei Apostolic Vicar Cornelius Sim and Cadiz, Philippines Archbishop Jose Advincula — took part from home.

The sanctuary of the basilica was set up with television screens to allow Sim and Advincula, and other global cardinals, to participate in the event via video link. Those present in the basilica all wore masks, except Francis.

 

Among the 11 new cardinals present for the event was Gregory, who is Washington's first African American archbishop and now the first Black U.S. cardinal. In a Nov. 24 NCR interview, Gregory said he thought Francis' choosing him was a "very positive endorsement" for the work of the church in the U.S. capital.

Gregory is the fourth American cardinal created by Francis, following Chicago's Blase Cupich, Newark's Joseph Tobin and Kevin Farrell, the prefect of the Vatican's Dicastery for Laity, Family and Life.

Nine of the 13 new cardinals are under the age of 80, meaning they join the ranks of cardinal electors, or those who are tasked with gathering in conclave after the death or resignation of the pontiff to select his successor.

The consistory is Francis' seventh over his nearly eight-year papacy and further cements his influence on the group that will one day elect his successor. The pontiff has now appointed nearly 60% of the cardinal electors: 73 of 128 prelates.

Thirty-nine of the electors were appointed by now-retired Pope Benedict XVI; 16 by Pope John Paul II.

Francis reflected in his homily for the consistory on the story in Mark's Gospel of the apostles James and John asking Jesus if they could sit at his left and right hand when he comes into his glory.

Jesus rebuked the two, telling them: "You do not know what you are asking."

Francis called the story a " 'road sign' for us who today are journeying together with Jesus." The two apostles, said the pope, "want to take a different road — not Jesus' road, but a different one."

"The road of those who, perhaps even without realizing it, 'use' the Lord for their own advancement," the pope termed it.

Beyond Sim, Advincula and Gregory, three of the six other new cardinal electors lead global dioceses: Kigali, Rwanda Archbishop Antoine Kambanda; Santiago, Chile Archbishop Celestino Aos Braco; and Siena, Italy Archbishop Augusto Paolo Lojudice.

Two of the new electors are Vatican officials: Mario Grech, the new head of the Vatican's office for the Synod of Bishops; and Marcello Semeraro, who has replaced the disgraced Cardinal Angelo Becciu as the head of the Vatican's sainthood office.

The ninth new cardinal elector is Mauro Gambetti, a conventual Franciscan who previously served as the custodian of the convent attached to the Basilica of St. Francis in Assisi, Italy.

Among the four new cardinals over the age of 80 is the fifth American cardinal created by Francis: Silvano Tomasi, an Italian and naturalized U.S. citizen who served for 13* years as the Holy See's permanent observer to the United Nations in Geneva.

After the homily during the ceremony, each of the 11 new cardinals present for the event received his new signet ring and red hat, known as a biretta, from Francis before St. Peter's high altar.

Each cardinal was then named an honorary leader of a parish church in Rome, from which is traced to the cardinal's role in helping elect the pope. From those posts, the cardinals are considered the clergy of Rome, who then elect their bishop, the pope.

As of Nov. 28, the country with the largest number of cardinal electors remains Italy, which has 22. The next largest number comes from the U.S., which has nine. The third largest is Spain, which has six.

According to Vatican figures, the breakdowns of the different regions of cardinal electors are:

  • 53 from Europe (41%);
  • 18 from Africa (14%);
  • 16 from North America (13%);
  • 16 from Asia (13%);
  • 14 from South America (11%);
  • 7 from Central America (5%);
  • 4 from Oceania (3%).

Seventy of the world's nations are now represented by at least one cardinal elector.

[Joshua J. McElwee is NCR Vatican correspondent. His email address is jmcelwee@ncronline.org. Follow him on Twitter: @joshjmac.]

*This story has been updated to correct the number of years Tomasi served as the Holy See's permanent observer to the U.N. in Geneva.

in NCR (National Catholic Reporter) 28, 2020

 

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