30 dezembro 2018


P / INFO: 2019: Uma Igreja com antigos e novos desafios, Desafios para Francisco & Hans Küng: I. Teólogo en la frontera con lealtad crítica 

2019: Uma Igreja com antigos e novos desafios
Frei Bento Domingues, O.P.

1. Diz-se que este Papa devia estar caladinho acerca de economia e política para as quais não tem nem competência reconhecida nem mandato divino ou humano. A economia e a política do Estado do Vaticano não têm dimensão para merecerem qualquer relevância a nível mundial. As referências a escândalos financeiros da banca vaticana tiveram muito eco na opinião pública por que manchavam uma instituição que devia dedicar-se à promoção da virtude, da santidade, da justiça, mas nunca à corrupção.
        A atribuição da responsabilidade da pedofilia clerical ao actual Pontífice Romano é a cruz que os seus inimigos lhe puseram aos ombros para não terem de se confrontar com as reformas que ele procurou e procura introduzir na Igreja, a todos os níveis.
Outros acusam-no de não enfrentar a questão mais fácil de resolver e a mais urgente: a abertura dos ministérios ordenados a homens casados e a mulheres.
Quanto aos homens casados, diz-se na Igreja Católica que não há questões teológicas que impeçam a sua ordenação, mas continua-se a recusá-la. Dado o crescente e activo papel das mulheres no mundo contemporâneo, as religiões que não souberem acolher as suas capacidades de serviço e liderança vão pagar caro a sua miopia. Afirma-se com frequência, no seio do catolicismo, que existem problemas de carácter doutrinal quanto ao acesso das mulheres ao sacramento da Ordem: a Igreja não se julga autorizada a modificar uma omissão ancestral baseada no silêncio do Novo Testamento (NT). Nunca, porém, se coibiu de tomar posição sobre assuntos, até de ordem dogmática, de que o NT não fala explicitamente. Pano para mangas.
Seja como for, a situação dos ministérios ordenados na Igreja Católica está envenenada por um problema básico de catequese que condiciona todos os outros: o mau uso da palavra Igreja. Apesar de todos os esforços, sobretudo depois do Vaticano II, para não confundir essa designação com a hierarquia eclesiástica, essa confusão tem resistido a todos os esforços de esclarecimento.
2. A Igreja Católica é o conjunto dos católicos com serviços hierarquizados para tornar visível e concreta a missão de Cristo no mundo e para alimentar a vida interna das comunidades.
Não há um baptismo para homens e outro para mulheres, como já escrevi várias vezes. É ele que significa e realiza o começo do que é fundamental no cristianismo. Tudo o resto é para ajudar este caminho.
Enquanto isto não entrar na consciência, no vocabulário e na prática eclesial, continuaremos a não entender nem a missão da Igreja nem o papel e as modalidades dos ministérios ordenados de que precisa.
Sem ter isto em conta, não é possível compreender a resistência que existe, na hierarquia, para modificar o actual regime dos ministérios ordenados na Igreja. Continuaremos no absurdo: exige-se a certas comunidades religiosas a celebração diária da Eucaristia, quando, em muitos países, já não há padres para o exercício pastoral das paróquias e movimentos. A própria distribuição do clero não pode ser muito consequente porque não tem clero para distribuir.
 Os padres também envelhecem e morrem. Na Europa, os que se apresentam como candidatos já nem como remendos conseguem responder às urgências!
O ridículo da questão é o seguinte: entre mulheres e homens, jovens e adultos, não há falta de vocações nas comunidades católicas para que toda a Igreja responda à sua missão. Falta, entre outras decisões, alterar o seu estatuto actual. Não cabe na cabeça de ninguém que as comunidades cristãs europeias não possam gerar os serviços de que precisam. Criam-se obstáculos canónicos, como se fossem divinos, para não resolver o que pode ser resolvido sem drama.
O grande teólogo dominicano, o flamengo Edward Schillebeeckx, sofreu três processos romanos acerca da sua teologia. O último foi sobre os ministérios eclesiais (1984). Com palavras mansas, o cardeal Ratzinger deu por encerrado o debate sem qualquer condenação, mas depois publicou no L’ Osservatore romano uma nota dedicada ao povo cristão. Nela declara que para a Congregação da Doutrina da Fé subsistem na posição do teólogo referido alguns pontos de desacordo sobre a Doutrina Oficial da Igreja. Não diz, porém, que a sua doutrina esteja em oposição com a fé. Não foi elegante este processo, mas levou Schillebeeckx à seguinte conclusão: moveram-me três processos. Não fui condenado em nenhum. Era um teólogo feliz[i].
Schillebeeckx morreu, Ratzinger está vivo e vigilante. Não é fácil para o Papa Francisco proceder à revisão desse processo. Vai sendo tempo de convocar teólogas e teólogos para retomarem uma questão clamorosa que só por artifícios pode ser abafada. É um desafio a assumir nos próximos anos, a começar em 2019.
3. Regressemos ao ponto 1. Dir-se-á, e é verdade, que a problemática até aqui abordada refere-se a questões de funcionamento interno da Igreja, mas esta não existe para si mesma. Não pode ser auto-referente. Deve renascer continuamente para a missão. O Vaticano II (1962-1965) não quis cingir-se a questões de funcionamento interno. A Constituição Pastoral Gaudium et Spes é sobre a Igreja no mundo contemporâneo, não é sobre a Igreja nas sacristias actuais.
Afirma literalmente: as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.
Não interessa, neste momento, analisar a história dos seus ziguezagues desde há 50 anos. O Papa Francisco resolveu apresentar o programa do seu pontificado – O Evangelho da Alegria (EG) – em linha recta com um Concílio em que não tinha participado. Por essa razão, ligou a questão do anúncio do Evangelho com um novo olhar sobre a economia e a política actuais, sabendo que ia causar problemas. «Se alguém se sentir ofendido com as minhas palavras, saiba que as exprimo com estima e com a melhor das intenções, longe de qualquer interesse pessoal ou ideologia política. A minha palavra não é a dum inimigo nem a dum opositor. A mim interessa-me apenas procurar que, quantos vivem escravizados por uma mentalidade individualista, indiferente e egoísta, possam libertar-se dessas cadeias indignas e alcancem um estilo de vida e de pensamento mais humano, mais nobre, mais fecundo, que dignifique a sua passagem por esta terra[ii]».
Do resto falaremos no próximo Domingo.
Bom ano
in Público, 30.12.2018


[i] Edward Schillebeeckx, Je suis un théologien  heureux, Cerf, Paris, 1995, pp 67-78
[ii] EG 208


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Desafios para Francisco
Anselmo Borges
29 Dezembro 2018 — 06:26

Perante uma das mais graves crises de sempre da Igreja, o desafio maior para Francisco continuará a ser tentar converter a cristãos os católicos, começando pela cúpula: cardeais, bispos, padres, religiosos e religiosas. Essa conversão implicará uma organização eclesial na linha do Evangelho.
O próximo ano será marcado por acontecimentos decisivos para se saber qual o lugar que a história reservará a Francisco: um Papa da continuidade ou o Papa da ruptura que se impõe.
1. Em fevereiro, reunião em Roma com os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo sobre a pedofilia. Ter-se-á a coragem de tomar medidas que acabem com essa podridão estrutural na Igreja? Vão ser abertos os arquivos para ficar a claro por uma vez tudo o que tem acontecido? E serão devidamente sancionados, colaborando também com a justiça civil, os abusadores e os encobridores? E para a formação dos novos padres: mais presença feminina e testes de maturidade, também com peritos credenciados de saúde mental?  
2. Em Março, será aprovada  a nova Constituição Apostólica sobre a Cúria Romana, Governo central da Igreja. Continuará o centralismo ou haverá uma Constituição democrática, de comunhão, com representação de todos, incluindo as mulheres, e das Igrejas locais do mundo, superando o dualismo clero-leigos a substituir pela relação viva: comunidade-ministérios (serviços)?
3. O Sínodo sobre a Amazónia em Outubro:  ocasião para aumentar a consciência ecológica global e avançar com novos ministérios, incluindo a ordenação de  homens casados ?
4. Em Janeiro, na Jornada Mundial da Juventude no Panamá: o anúncio da próxima Jornada em Portugal em 2022, com o regresso do Papa ao país, constituirá um novo impulso para reanimar a Igreja em Portugal, que parece continuar paralisada? 
Ano novo 2019 bom e feliz!
in DN 29.12.2018


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HANS KUNG: I. TEÓLOGO EN LA FRONTERA CON LEALTAD CRÍTICA
Juan José Tamayo
Director de la Cátedra de Teología “Ignacio Ellacuría. Universidad Carlos III de Madrid

El año que termina ha sido fecundo en efemérides de colegas y entrañables amigos teólogos. Hemos celebrado el centenario del nacimiento de Raimon Panikkar, los 90 años de Gustavo Gutiérrez, de Hans Küng, de Pedro Casaldàliga y de Johan Baptist Metz, los 80 años de Jon Sobrino y de Leonardo Boff. Hemos recordado a la teóloga feminista brasileña Ana María Tepedino María, fallecida este año. En mi blog amerindiaenlared.org he dedicado varios artículos a Panikkar, Casaldàliga, Sobrino, Boff y una necrológica a Tepedino. 
Ahora publico el primero de los artículos dedicados a Hans Küng, una de las figuras más relevantes de la teología cristiana del siglo XX, que, con su extensa y rigurosa obra elaborada ininterrumpidamente durante más de sesenta años de actividad docente e investigadora, ha ejercido una significativa influencia en el panorama religioso mundial.  Es la expresión de mi reconocimiento, sintonía y amistad.
     La teología de Hans Küng es, sin duda, una de las más sólidas y creativas de la segunda mitad del siglo XX y del siglo XXI. Se caracteriza por la búsqueda de la identidad cristiana en diálogo con otras identidades religiosas y culturales a la luz de la conciencia crítica de la Modernidad, por el cuestionamiento de las instituciones eclesiásticas desde una rigurosa fundamentación histórica, filosófica y teológico-bíblica, por la crítica de los dogmatismos y fundamentalismos religiosos, por el trabajo ecuménico a favor de la reconciliación entre las iglesias cristianas en el seguimiento de Jesús de Nazaret y la fidelidad evangélica, por el diálogo entre las religiones como contribución necesaria a la paz en el mundo, por la construcción de una ética mundial en tiempos de globalización, por la sensibilidad hacia las inquietudes de los hombres y mujeres de nuestro tiempo y por su ubicación en la frontera con lealtad crítica a la Iglesia católica .

           Convergencias entre catolicismo y protestantismo

Su tesis doctoral sobre la doctrina de la justificación en la obra de su compatriota el teólogo evangélico suizo Karl Barth (La justificación. Doctrina de Karl Barth y una interpretación católica, Editorial Estela, Barcelona, 1967) constituye el horizonte ecuménico en el que va a moverse su trabajo teológico y marca un hito en la teología ecuménica. En ella intenta demostrar la coincidencia entre la doctrina de la justificación de Barth y la católica en sus elementos fundamentales.
El propio teólogo suizo reconocía que la exposición de Küng respondía en lo esencial a su reflexión sobre la justificación y que le había interpretado correctamente: “Usted me hace decir lo que yo digo y yo pienso como usted me hace hablar”, comenta Barh en “Una carta al autor”, fechada el 31 de enero de 1957, cuando Küng tenía 28 años. (La diferencia de edad entre ambos es de 42 años: Barth nació en 1886; Küng, en 1928).
Tras leer el libro de Küng –yo lo hice en 1970 y sigo leyéndolo casi cincuenta años después-, uno no puede menos que preguntarse con R. Muñoz Palacios si todas las guerras de religión, las luchas teológicas, los enfrentamientos y las divisiones entre católicos y protestantes no habían sido un inmenso error. La respuesta tiene que ser afirmativa. El problema es que las guerras religiosas siguen produciéndose. 

El papa, ¿infalible?

     En la década de los sesenta y principios de los setenta, Küng se centró en temas eclesiológicos como el ecumenismo, el Concilio Vaticano II, la Iglesia y la infalibilidad, siempre en clave ecuménica, que adquirió carácter académico con la creación del Instituto de Investigaciones Ecuménicas en la universidad de Tubinga, del que fue director. Tres son las principales obras de este período: Estructuras de la Iglesia, La Iglesia –fue el tratado de eclesiología que yo estudié- e ¿Infalible? Una pregunta. Elabora una eclesiología crítica a partir del Evangelio y bajo la inspiración del Concilio Vaticano II. Aborda la “esencia” de la Iglesia en su forma histórica mutable. Parte de la Iglesia real encarnada en el mundo, y no de una Iglesia ideal que se encuentre en las abstractas esferas de la teoría teológica.
Con honestidad teológica y lucidez intelectual se pregunta si la Iglesia puede apelar razonablemente a Jesús de Nazaret y si está fundada en su Evangelio. Su respuesta es que entre Cristo y la Iglesia no se da una compenetración física y necesaria, sino una unidad peculiar: unidad en la dualidad y dualidad en la unidad; unidad como dinamismo histórico y no como estatismo ontológico. La Iglesia no se encuentra al mismo nivel que el reino de Dios, sino bajo el reino de Dios y a su servicio. La índole carismática no es algo accidental en la Iglesia, sino que forma parte de su estructura fundamental.
En su obra La Iglesia católica Küng avanza algunas líneas de futuro por las que habrán de caminar las iglesias cristianas. Deben enraizarse en el Evangelio, en el movimiento de Jesús de Nazaret y en los orígenes cristianos, que es donde se encuentra su inspiración más auténtica. No pueden depender de modelos organizativos jerárquico-patriarcales del pasado, que excluyen a las mujeres de los ministerios y de las funciones directivas en las iglesias en razón de su sexo. En continuidad con Küng, creo que las iglesias deben reconocer a las mujeres como sujetos morales, eclesiales y teológicas, y a partir de ahí desarrollar una reflexión teológica desde la perspectiva de género, que no justifica la lucha de las mujeres contra los varones ni la de éstos contra aquéllas, sino que es inclusiva de hombres y mujeres.
La unidad de las iglesias cristianas no se logra con el retorno de una iglesia a otra o con la salida de una hacia la otra, y menos aún con la sumisión de una iglesia a la otra, sino a través del retorno por ambas partes, la mutua aceptación, la comunión en un dar y recibir recíprocos, y, en definitiva, de la conversión de todas a Cristo y su mensaje.
     Una de las cuestiones más problemáticas y conflictivas de las tratadas por Küng es la infalibilidad del Papa, que divide a la cristiandad –incluso dentro de la Iglesia católica-y que, desde que se produjo la Reforma protestante, espera una respuesta de la teología católica. Küng aborda esta cuestión de manera sistemática, con profundidad teológica, rigor histórico y fundamentación exegética, pero sin hablar ex cátedra. Lo que Küng se pregunta es si “la infalibilidad de la Iglesia necesita proposiciones infalibles”.
Ateniéndose a la filosofía del lenguaje establece una serie de principios que deben aplicarse también a las distintas proposiciones de fe, cuales son las fórmulas de fe, los símbolos de la fe y las definiciones de fe. Ninguna de ellas está exenta de seguir las leyes que rigen todo tipo de proposiciones y todas ellas participan del carácter problemático de las proposiciones humanas.
Las proposiciones van a la zaga de la realidad; son equívocas; sólo pueden traducirse condicionalmente; están en movimiento; propenden a las ideologías. La teología debe tomar en serio la dialéctica de verdad y error, si no quiere caer en el dogmatismo, el juridicismo, el autoritarismo, el formalismo, el objetivismo y el positivismo.
Y para confirmarlo apela a la historia, siguiendo las investigaciones del teólogo francés Yves Marie Congar (1904-1995) –con quien coincidió como asesor en el concilio Vaticano II (1962-1965)- sobre la Iglesia en la Edad Media, marcada como estuvo por el absolutismo papal. Durante esa época se admite en general que el Papa puede errar y caer en la herejía. Lo que se enseña es la indefectibilidad de la Iglesia, no la infalibilidad del Papa. Durante las épocas oscuras del cristianismo la indefectibilidad de la Iglesia no se manifestó precisamente en la jerarquía, ni siquiera en la teología, tampoco entre los poderosos, sino entre los humildes, entre numerosos cristianos la mayoría de las veces desconocidos que escucharon el mensaje del Evangelio y vivieron conforme a él.
¿Hans Küng contra el papado? No exactamente. Escribe en su libro La Iglesia católica: “Defiendo el papado para la Iglesia católica, pero al mismo tiempo reclamo infatigablemente una reforma radical de acuerdo con los criterios del Evangelio” (Mondadori, Barcelona, 2002, p. 14). 
La publicación del libro sobre la infalibilidad provocó una investigación en la Congregación para la Doctrina de la Fe, que culminó, unos años más tarde, con la retirada de la  retirada del permiso para la enseñanza –de la que hablaré en otro artículo- la no pocas reacciones negativas de colegas como Karl Lehmann y Karl Rahner, a las que dio contestación respetuosa asumiendo los aspectos positivos de las críticas y aportando nuevos argumentos en defensa de los planteamientos de su polémico libro. Lo hizo en Respuestas a propósito del debate sobre “Infalible. Una pregunta (1971), que concluye con un capítulo titulado “Por qué permanezco en la iglesia”.   



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