16 junho 2019


P / INFO: Crónicas & Will the Spirit of Vatican II survive in the Church?, análise de  Christian  Weisner, um dos fundadores do WAC-Alemanha
Crónicas de: Frei Bento Domingues, Pe. Anselmo Borges, Pe Tolentino Mendonça e Pe Vitor Gonçalves.
SANTO ANTÓNIO DE TODOS E PARA TUDO
 Que teria este português para se tornar o santo universal mais querido e mais popular?
1. Segundo o mito – esse nada que é tudo – os portugueses tão depressa se julgam os melhores do mundo, como os mais atrasados da Europa. Vivem entre a exaltação e a depressão. Procuraram fazer acreditar que a própria formação de Portugal obedeceu a um desígnio dos céus. Deram mundos ao mundo, uniram o Oriente e o Ocidente, acabando sem mundo nenhum, salvo o da sua língua que não é pouco. Nunca se esquecem de observar que, na viagem de Colombo, as caravelas e a tripulação eram espanholas, mas quem as comandava era um português, Fernão de Magalhães!
Como escreveu Fernando Pessoa, em 1923, nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo. Manuel Alegre, em O Canto e as Armas, pede mais realismo: «Porque tiveste o mar nada tiveste./ Não te percas buscando o que perdeste: /Procura Portugal em Portugal».
O Presidente da República sabe que, em 2019, estamos numa Europa e num mundo com outros mitos, outras ingenuidades e perigosas ameaças.
Procurou, no Dia de Portugal deste ano, algum equilíbrio no nosso imaginário: «Não podemos nem devemos esquecer ou minimizar insatisfações, cansaços, indignações, impaciências, corrupções, falências da Justiça, exigências constantes de maior seriedade ou ética na vida pública». No entanto, «é bom que se saiba que não é só um secretário das Nações Unidas ou um presidente do Euro-grupo, ou um director-geral na Organização Internacional das Migrações ou uma equipa vencedora num certame desportivo com maior notoriedade internacional» que merecem destaque. Não nos esgotamos com António Guterres, Mário Centeno, António Vitorino. «São todos os dias, cá dentro e lá fora, líderes sociais, científicos, académicos, culturais ou empresariais, muitos dos quais nós nem sabemos quem são, até que chega a notícia de que um português ganhou um prémio de melhor investigador ou, ainda, que uma portuguesa foi considerada a melhor enfermeira num país estrangeiro ou um artista foi celebrado noutro continente». Contra o conhecido pessimismo, o Presidente tem um aforismo sempre disponível: «Quando somos muito bons, somos dos melhores dos melhores». 
2. No plano religioso, não nos podemos queixar. Apesar da mediocridade do nosso catolicismo institucional, consta que, em 2018, cinco milhões visitaram Fátima. Julgava-se que era um símbolo da nossa iletrada alienação e do nosso atraso rural condenado com a desertificação do interior do país. Fátima mostra, pelas metamorfoses da sua religiosidade, uma notabilíssima capacidade de renovada mobilização individualizada. Ninguém pode controlar os peregrinos e as suas motivações. Não é o Altar do Mundo, mas como António José Saraiva gostava de sublinhar, Fátima transformou-se na maior peregrinação do Ocidente com ecos em muitos mundos. 
        Não temos muita sorte com o número de santos canonizados, mas demos ao mundo alguns dos mais originais e influentes. São João de Deus (1495-1550), nascido em Montemor-o-Novo, viveu em Granada e foi pioneiro nos cuidados da saúde mental das populações mais pobres, inspirando a fundação da extraordinária Ordem dos Irmãos Hospitaleiros e suas ramificações.
 3. Santo António nasceu em Lisboa. Baptizado com o nome de Fernando recebeu, em religião, o de António. Não teve vida longa. Morreu em Pádua com apenas 36 anos (1195-1231)! Foi canonizado um ano depois. É, dos primeiros portugueses célebres, o mais viajado: do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra foi para Marrocos e dali para a Sicília, passando por Argel e Túnis. Além de Itália, em várias cidades, percorreu o sul de França. Hoje, é venerado fervorosamente em todos os continentes. Existe um mapa inacabado da geografia internacional dos seus devotos.
Quando se repete que foi o martelo dos hereges cátaros, esquecemos que foi sobretudo o martelo contra os hierarcas corruptos da Igreja que responsabilizou pelo êxito das heresias do seu tempo.
Trabalhou, com os seus veementes sermões, na reforma da Igreja medieval. Atribuiu à corrupção do alto e baixo clero o surgimento dos movimentos contra a Igreja: «Pode porventura um cego guiar outro cego? (...) O cego é o prelado ou o sacerdote perverso, privado da luz da vida e da ciência (...). Mas porque se dá isto? Porque as sentinelas da Igreja são todas cegas, privadas da luz da vida e da ciência; são cães mudos que têm na boca a rãzinha do diabo e, por isso, não podem ladrar contra o lobo».
Não foi, no entanto, pela reforma do clero que ficou conhecido, a não ser dos estudiosos[1]. Que teria este português para se tornar o santo universal mais querido e mais popular?
São Francisco de Assis é um santo poeta que só precisava de ser a inocência da terra e do céu para nos comover pelos séculos dos séculos. Os devotos reconheceram em Santo António jeito para tudo, para todos e em todas as situações. Até suporta que o castiguem quando não consegue satisfazer caprichos loucos. É uma pessoa de família, um bom médico de clínica geral sempre disponível, um vigilante protector dos animais, um veterinário em casos urgentes e o sistema mais barato de perdidos e achados[2]. Nas orações dos seus devotos é sempre tratado como Meu querido Santo António[3].
Segundo a lenda, Nossa Senhora entregou-lhe, clandestinamente, o Menino Jesus. Só lho roubaram em Alvalade, embora no Páteo Alfacinha se mostre um bocado cansado. O doce Jesus de Antero, de Eça, de Junqueiro, a eterna criança de Caeiro-Pessoa contrasta com o muito sofrido Cristo espanhol[4].
Se o melhor do mundo são as crianças, como disse o nosso poeta, são também elas as grandes vítimas das guerras, da fome, das migrações e da pedofilia.
O Menino de Santo António é o símbolo de todas as crianças que ninguém adoptou.
Frei Bento Domingues, O.P.
in Público 16.06.2019

[1] Santo António de Lisboa, Doutor Evangélico, Sermões dominicais e festivos (edição bilingue Latim e Português), introdução e notas de H. Pinto Rema, vols. I-II, Porto, 1987; Francisco da Gama Caeiro, Santo António de Lisboa, INCM, Lisboa, 1995, 2 Vols. Aquilino Ribeiro dedicou-lhe um romance: Humildade Gloriosa, Bertrand, Lisboa, 1984; Agustina Bessa-Luís escreveu a sua biografia literária: Santo António, Guimarães, 1973.
[2] Para satisfazer a curiosidade das habilidades de Santo António e dos seus devotos, ver a edição imaginária do Diário de Notícias 1864 (09.06.2019) acerca de António. Um santo que não é só nosso. Afinal, o português mais famoso do mundo.
[3] O Mensageiro de Santo António, em todos os números, tem uma secção dedicada a pedidos e agradecimentos a este santo atento a tudo.
[4] Eduardo Lourenço, Fernando Pessoa. Rei da Nossa Baviera, Gradiva, 2008, 155-165

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Deus sem mundo, mundo sem Deus
1. Segundo um estudo da Universidade de St. Mary de Londres (2014-2016), em 12 países europeus, a maioria dos jovens entre os 16 e os 29 anos admitem que não são crentes e que nunca ou quase nunca vão à igreja ou rezam. A República Checa é o país menos religioso da Europa: 91% dos jovens confessam não ter qualquer filiação religiosa. Seguem-se a Estónia, a Suécia, os Países Baixos, onde essa percentagem dos sem religião fica entre os 70% e os 80%.  Também noutros países se nota a queda rápida da religião: na França, são 64% a admitir não serem crentes, na Espanha, 55% declaram que não confessam qualquer religião. Frente a estes dados, o responsável pelo estudo, Stephen Bullivant, afirmou que “a religião está moribunda” na Europa. 
Na Alemanha e em Portugal, a percentagem de não crentes desce para 45% e 42%, respectivamente. Entre os países mais religiosos, estão a Polónia, onde só 17% se confessam não crentes, seguindo-se a Lituânia com 25%.
Também a prática religiosa está em crise. Só na Polónia, Portugal e Irlanda mais de 10% dos inquiridos admitiram que iam à Missa pelo menos uma vez por semana. Mas no Reino Unido, França, Bélgica e Espanha, entre 56% e 60% disseram que nunca iam à igreja e entre 63% e 66% que nunca rezam. Logicamente, na República Checa, 70% afirmam nunca ter ido a uma celebração religiosa e 80% nunca rezam.
2. Onde se encontram as razões para esta situação que caminha para uma Europa pós-cristã? As explicações são múltiplas. Mas chamo a atenção para a observação que o grande teólogo Yves Congar, primeiro condenado e, mais tarde, feito cardeal,  teve já em 1935: “A uma religião sem mundo sucedeu um mundo sem religião.”
Outro grande teólogo, Philippe Roqueplo, demonstrou essa ausência do mundo na reflexão teológica e, consequentemente, na vivência da vida cristã. Fê-la no famoso e monumental Dictionnaire de Théologie Catholique, elaborado entre 1903 e 1950, em 22 volumes. Ele constatou que nesse Dicionário, que deveria abarcar “todas as questões que interessam ao teólogo”, havia ausências de temas fundamentais para a existência humana. Assim, quando se procura Amizade, o termo não consta; Arte: um longo artigo sobre a arte cristã; Beleza: nada; Ciência: um longo artigo sobre ciência sagrada, ciência de Deus, ciência dos anjos e das almas separadas, ciência de Cristo, mas sobre a ciência como a entendemos, nada; Economia: nada; Emprego: nada; Família: nada; História: nada; Leigo e laicado: nada; Mal: vinte colunas; Mulher: nada; Pessoa: remete para hipóstase; Poder: um artigo com cento e três colunas sobre o poder do Papa na ordem temporal; Política: nada; Profano: nada; Profissão: um artigo sobre profissão de fé; Técnica: nada; Trabalho: nada; Vida: um artigo sobre a vida eterna...
3. Não há dúvida: Deus tem a ver com o sentido último e a salvação. Como escreveu L. Wittgenstein, um dos maiores filósofos do século XX, “crer num Deus quer dizer compreender a questão do sentido da vida, ver que os factos do mundo não são, portanto, tudo. Crer em Deus quer dizer que a vida tem um sentido.” Foi neste contexto que Nietzsche, sete anos antes de enlouquecer, escreveu a Ida, a mulher do amigo F. Overbeck, pedindo-lhe que não abandonasse a ideia de Deus: “Eu abandonei-a, não posso nem quero voltar atrás, desmorono-me continuamente, mas isso não me importa.” Numa longa entrevista concedida ao jornal Le Monde, em 2017, Edgar Morin, constatando que a Humanidade se sente perdida, afirmou: “O mito da Europa é débil. O mito da globalização feliz está em zero. O mito da euforia do transhumanismo só está presente entre os tecnocratas. Encontramo-nos num vazio histórico cheio de incertezas e de angústias. Só um projecto de via salvífica poderia ressuscitar uma esperança que não seja ilusão.”
4. A pergunta é: onde e como encontrar essa via de salvação? Todos, incluindo a Igreja, e a Igreja de modo especial, são convocados para encontrar a resposta a esta pergunta decisiva.
Sobre a marginalização da Igreja, concretamente na Europa, escrevia recentemente o teólogo José M. Castillo: “A sociedade ‘descristianiza-se’ a uma velocidade e até a níveis que impressionam quem, pela idade e pelas recordações de família, tem a sensação de estar a viver numa sociedade que, há umas décadas, não podia imaginar”. Mas, afinal, porquê?, qual a razão? Não está a Igreja a ser marginalizada, porque ela própria vive à margem? Castillo acrescenta: “Uma Igreja, que vive à margem da sociedade, é uma Igreja que se não relaciona com a ‘realidade’, mas que se relaciona com a ‘representação da realidade’, que a própria Igreja elabora para si, segundo os seus interesses e conveniência. Se a Igreja se situou na “margem” da vida e da sociedade, pretendemos, a partir de fora da sociedade, influenciá-la?” “Se a Igreja não pôde assinar e fazer sua a Declaração dos Direitos Humanos, com que autoridade e com que credibilidade pode falar de amor à humanidade?”
5. Pensando nas relações entre Deus e o mundo, o mundo e Deus, o aquém e o Além, se se não quiser mentir a si próprio nem aos outros, é inevitável virem à ideia estas palavras célebres de Immanuel Kant: “A praxis deve ser tal que não se possa pensar que não existe um Além.”
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
in DN 16.06.2019
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/16-jun-2019/interior/deus-sem-mundo-mundo-sem-deus-11013809.html 
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QUE COISA SÃO AS NUVENS
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
O PEIXE
RECONHECER É ANTES DE TUDO IDENTIFICAR: TENHO QUE SABER QUEM É O OUTRO E QUEM SOU EU PRÓPRIO; TENHO DE OUVIR MELHOR, APRENDER A VER EM PROFUNDIDADE
A verdade é que existem dimensões da nossa existência que não são explicáveis, que não pertencem à ordem da razão lógica. Através de um silogismo ou do conhecimento matemático não chegaremos a apreender o seu sentido. E o mesmo se passa com a técnica e com as outras formas da ciência. Mas também é errado pensar que pela razão afetiva se consegue desfazer o enigma. Podemo-nos talvez aproximar mais profundamente, mas não é por acaso que os grandes mitos do amor são, a maior parte das vezes, mitos da procura de amor, de desejo de amor, não são histórias de fusão, de coincidência perfeita ou de uma reciprocidade sem ângulos. Também à afetividade se pede que aprenda a abraçar o enigma, que deixe de temer aquela porção inalienável de silêncio e mistério que cada ser humano irradia até ao fim. Amar é também amar o que não compreendemos do outro. Lembro-me que José Augusto Mourão defendia, a propósito deste argumento, uma posição desafiadora. Ele dizia: “O que os biólogos marinhos, a indústria de peixe e os compradores de mitos partilham, é simplesmente isto: ninguém realmente sabe o que é um peixe.” É uma coisa em que pensamos pouco: o papel que na nossa vida cabe a este não saber. Se realmente não sabemos o que é um peixe, temos que retirar daí elações e perguntar: como me posso avizinhar de um peixe? Mourão responde: “Aprendamos a negociar.” Isto é, dispúnhamo-nos a aprender, ouvindo, tentando construir pacientemente um pacto, não vinculados a um saber teórico, mas sendo fiel à observação da própria realidade. Sobre o peixe, há aquele conto instigador de Herberto Helder, no livro “Os Passos em Volta”.
Amar é também amar o que não compreendemos do outro
“Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe. O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava... Ao meditar sobre as razões da mudança, o pintor supôs que o peixe, efetuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose. Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.” A lei da metamorfose não será certamente a única lei. Há um património de verdade e uma ontologia que persistem e se tornam a chave do que somos. Mas a história do peixe amarelo de Herberto Helder também relata dimensões significativas da vida. Identifico rapidamente duas. Primeiro, a importância daquilo que chamaria uma “espiritualidade do provisório”. E cito Roger Schutz, fundador da comunidade ecuménica de Taizé, que explicava o provisório como o aceitar ir de começo em começo; aceitar a peregrinação, a desinstalação permanente; aceitar que podemos habitar a passagem; aceitar comprometer-se apaixonadamente com a vida não apenas quando temos todas as coisas garantidas, mas porque aceitamos caminhar na confiança. A outra coisa é a necessidade de realizar um percurso de reconhecimento. Reconhecer é antes de tudo identificar: tenho que saber quem é o outro e quem sou eu próprio; tenho de ouvir melhor, aprender a ver em profundidade. Mas o reconhecimento é também a gratidão que me faz compreender que a vida é pura economia do dom.
in Semanário Expresso, 15.06.2019
https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2433/html/revista-e/que-coisas-sao-as-nuvens/o-peixe
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À PROCURA DA PALAVRA
P. Vítor Gonçalves
SANTÍSSIMA TRINDADE Ano C
“Tenho ainda muitas coisas para vos dizer,
mas não as podeis compreender agora.”
Jo 16, 12

Três
Faltam poucos minutos para as três. Da tarde. A hora limite para “dar à luz” estas palavras. E gostaria de criar novas histórias para falar do maior dos mistérios. Maior, porque é fonte e é foz, e n’Ele tudo é claro e é pleno. Mais histórias porque não sei pintar nem sou compositor, e só a beleza nos permite entrar descalços em sua casa. E recordo três histórias, que não são minhas, mas sabe bem contá-las.

A primeira passa-se à beira do Mediterrâneo, ainda sem o drama dos que arriscam a vida em frágeis embarcações para procurar melhor vida do outro lado. Agostinho, Bispo de Hipona, planeia a sua obra sobre “A Trindade”, e distrai-se com um menino que traz na concha das mãos água do mar para uma pequena cova na areia. Inglório esforço que repete sem se fatigar. Mete conversa e sorri com o ousado projecto que o pequeno lhe revela: “Quero pôr o mar dentro desta covinha!” Procurando mitigar a desilusão infantil, apela à lógica de tal impossibilidade. Surpreende-o a resposta, por entre um sorriso de criança: “Pois fica sabendo que é mais fácil colocar todo o mar neste pequeno buraco do que tu, apenas com a tua inteligência humana, compreenderes o mistério da Santíssima Trindade”! A obra foi escrita, e está cheia de luz, que convida à humildade de entrar sem possuir!

A segunda pode ter acontecido numa aldeia do nosso país, onde o desejo de um pároco em fazer entender os mistérios da fé o inspirou para uma imagem acessível a todos. Num domingo da Trindade, depois de uma partilha sobre as leituras, arrisca a comparar o “mistério” com “um “presunto”. E perante a assembleia interessada, seguiu: “Sim. O Pai é como se fosse o osso, o Filho como se fosse a carne (pois não é verdade que encarnou?); e o Espírito Santo como se fosse o toucinho!”. E a luz que brilhou nos olhos de todos consolou a alma do pregador até que, alguém mais inquieto perguntou: “Ó senhor prior, então e o courato?” E respondeu logo o visado: “Aí é que está o mistério!”

A terceira envolve três anciãos que viviam numa ilha onde aporta um dia o bispo com a sua comitiva. Ao saber que a única oração que conheciam era esta “Tu és três; nós somos três. Tem piedade de nós!”, o bom do bispo decide ali ficar alguns dias para lhes ensinar o Pai Nosso e alguma teologia. Partindo contente pela boa evangelização, três dias depois, avista três vultos a correr sobre as águas, reconhecendo os três anciãos que convida a subir ao barco. Ao ver a tristeza que traziam pois tinham esquecido a tal oração, humilde e emocionado, o bispo consola-os dizendo: “Quando rezarem digam: Tu és Três; nós somos Três. Tem piedade de nós!”

Inesperada mas urgente, é a história da poesia de Daniel Faria que descobrimos há 20 anos, na sua partida para Deus: “[…] O que sei da unidade é a túnica / Tirada à sorte. O que sei da morte e da vida / É o livro escrito por dentro e por fora / Silêncio escrito por dentro / Palavra escrita a toda a volta da história // O que sei do céu / É a mão com que sossegas os ventos // Desço à escritura como os veados aos salmos”. Desçamos nós também.
in Voz da Verdade 16.06.2019
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I’ve expanded my evaluation of five years with Pope Francis. The article “WILL THE SPIRIT OF VATICAN II SURVIVE IN THE CHURCH?” is now published in „ASIAN HORIZONS“ Vol. 12, No. 3,September 2018, Pages:
478-499
https://www.wir-sind-kirche.de/files/wsk/2019/12.3.2018.9.%20Christian%20Weisner.pdf
Abstract
The 5th anniversary of the election of Pope Francis on March 13, 2018 showed quite a mixed assortment of both achievements and shortfalls of this pontificate that are very different to the previous ones. Despite very serious and long lasting problems in the Vatican and in many local churches Pope Francis has brought a change of mood into the Church that no one ever before had thought to be possible. From the perspective of the international reform movement “We Are Church,” the author undertakes to take stock of the complex and highly dynamic processes within the church, which in times of world political unrest also have effects far beyond the inner-church space. What is needed on the different levels of the Church to take up the processes that are necessary for the Roman Catholic Church to find a new and more positive role in the rapidly changing global human community?
Best wishes
C h r i s t i a n W e i s n e r
WE ARE CHURCH GERMANY






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