15 setembro 2019


P / INFO: Crónicas, Against all odds, Pope Francis has made Synods of Bishops interesting, Artigo de John L. Allen Jr.  &, em anexo, Entrevista “O futuro da humanidade e da terra está ligado ao futuro da Amazônia”: L. Boff
Frei Bento Domingues, Ampliar as perguntas
Pe. Anselmo Borges, Francisco em África para o mundo
Pe. Vitor Gonçalves, A ovelha, a moeda e os filhos

AMPLIAR AS PERGUNTAS
Frei Bento Domingues, O.P.

Algumas preocupações com as respostas certas para os novos tempos geraram catecismos arcaicos.
1. O mês de Setembro, a ritmos diversos, abre um novo Ano Pastoral. As dioceses, as paróquias e os diversos movimentos começam a executar programas previstos para alimentar, nos praticantes da vida eclesial, formas inovadoras de ir ao encontro das pessoas e dos grupos que parecem longe, indiferentes ou hostis às igrejas.
O programa da diocese de Lisboa, para 2019-2020, tem uma formulação muito generosa, mas que se pode prestar a alguns equívocos: «Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias»! Dito assim, até parece que Cristo está ausente das periferias, esperando que alguém se lembre de o conduzir para fora de portas.
De facto, em regime de Cristandade, a pastoral mais corrente – não a única – resumia-se em apresentar, na Catequese, as verdades a crer, os mandamentos a observar e os sacramentos a receber. Na saída para fora dos espaços da Cristandade, supunha-se que era o missionário que levava Cristo para as terras onde Ele nunca tinha chegado. Ele teria de propor aos gentios o Credo cristão, os mandamentos da Lei de Deus e da Igreja, assim como administrar os 7 Sacramentos.
Com o advento da Modernidade, as sociedades ocidentais, com ritmos, formas e em graus diversos, emanciparam-se da tutela das Igrejas e das Religiões. Alguns falam da secularização, não só da sociedade, mas também da vida privada. Antes, nascer e tornar-se cristão eram acontecimentos quase simultâneos. O ambiente cultural exigia a transmissão dos rituais da fé. Com a liberdade religiosa, cada um terá de fazer a sua escolha. As referências cristãs passam a estar fora do ambiente cultural. Por vezes, sobretudo onde vigoravam programas estatais de ateísmo militante, tentou-se eliminar as próprias marcas que tinham deixado na cultura.
Esta situação devia exigir uma mudança na acção pastoral nos países de velha Cristandade. Na verdade, vários ensaios, uns mais arrojados, outros mais tradicionais foram feitos, nomeadamente no século XX, que não vou apresentar aqui e agora. Num mundo em mudança, com sensibilidades tão diversas, a cópia de receitas de sucesso noutros domínios pode ser desastrosa na pastoral eclesial. Esta deve procurar construir-se sobre rocha firme e não sobre a areia como dizem alguns textos cristãos. 
Quando se fala das dificuldades do diálogo da Igreja com a sociedade, parece admitir-se que está consumado o exílio da fé cristã no mundo da cultura ocidental e que já não existem pessoas e grupos com sede e fome do Evangelho de Jesus. 
  É bom não esquecer que sempre foi difícil apresentar Cristo e a sua mensagem no que têm de singular. O que está em causa, neste momento, não é apenas o que sempre foi exigido na autêntica conversão ao seguimento de Cristo, mas descobrir e ampliar as perguntas que são evitadas, no e pelo ruído que afoga o essencial do ser humano, na actualidade.
2. Neste Domingo, a grande proposta é um texto com uma parábola, desdobrada em três, do reencontro com o que parecia perdido[1]. Nasce do acolhimento e do escândalo provocados pelas atitudes de Jesus: os publicanos e os considerados pecadores aproximavam-se todos dele para O ouvirem, mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si: este homem acolhe os pecadores e come com eles.
A linguagem das parábolas exige um salto para fora do sentido imediato. Este serve, apenas, como ponto de partida para outras viagens da imaginação, da inteligência e dos afectos. Ao contrário dos catecismos, não procura respostas prontas a servir. Aprofunda e amplia as perguntas inoportunas.
A parábola é a linguagem da saída sem lugar previsto de chegada. Nesta não se pretende mostrar a alegria partilhada da mulher pobre que varre a casa toda para encontrar uma moeda; a desilusão de um jovem aventureiro e as espectativas de voltar ao lar paterno, não como filho, mas como empregado; um pai que sempre esperou o filho perdido; o ressentimento do irmão bem comportado ao ver a festa oferecida ao estroina. Então que terá provocado Jesus a contar esta parábola tão pouco pedagógica?
Importa não esquecer que o vinho novo do Evangelho rebentou com os odres velhos dos fariseus e da exegese dos escribas pretensiosos. Tinham os segredos dos caminhos de Deus fechados nos seus costumes e nas interpretações codificadas dos que se julgavam confidentes do divino. Costumes tão santos, sabedoria tão sublime, provocavam uma cegueira metódica. Jesus, com o seu comportamento insólito, era um mau exemplo para essa religião convencional, a da ortodoxia e a da moral que sabe sempre o que está bem e o que está mal; aquela que sabe qual é a vontade de Deus, em todas as situações e circunstâncias. Nada lhe escapa. É uma religião feita para a denúncia dos comportamentos desviantes, a religião de um deus domesticado.
Pode-se perguntar, que temos nós, hoje, a ver com essa conversa de há dois mil anos?
3. Algumas preocupações com as respostas certas para os novos tempos geraram catecismos arcaicos. Voltavam a dizer o que está certo e o que está errado, criando uma nova casta dos depositários da boa doutrina e dos bons costumes.
Veio o Papa Francisco, com o seu comportamento insólito e a sua palavra liberta e libertadora, e os depositários da boa doutrina e dos bons costumes – mesmo sem a conhecerem e sem os observar – apressaram-se a dizer que ele está a dar cabo da Igreja.
Francisco, porém, sabe que está sempre a ser espiado e que irão aproveitar tudo para o desautorizar e desacreditar. Como não pretende ser infalível e ter solução para todas as questões, até das próprias oposições colhe experiência para abrir caminhos a todas as pessoas de boa vontade, como diria o velho Papa João XXIII: ao reunir os que têm e os que não têm religião, os que têm sensibilidades espirituais e religiosas muito diversas e colocar todo esse mundo em diálogo, aprofunda e alarga as suas perguntas e os seus horizontes. Há mais mundos do que aqueles que cabem na minha capela ou na minha seita. O mundo é de todos e todos devem ser convocados para salvar a casa comum, mesmo sem saber ainda como.
Dir-se-á que o que está a acontecer em muitas partes do mundo é medonho. É! Mas quem nos poderá impedir de festejar os pequenos passos que, por toda a parte, estão a ser dados na direcção da esperança?
Será o tema da próxima semana.
in Público, 15.10.2019
https://www.publico.pt/2019/09/15/sociedade/opiniao/ampliar-perguntas-1886482


[1] Lc 15, 1-32

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Francisco em África para o mundo
Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
                                                         
1. O Papa Francisco voltou a África. Numa viagem de contrastes: por um lado, Moçambique e Madagáscar, dois dos países mais pobres do mundo — Moçambique, com 70% dos 28 milhões de habitantes a viver abaixo do limiar da pobreza, é o décimo mais pobre; Madagáscar é o quinto mais pobre —, e, por outro, a República de Maurício, onde a economia cresce cerca de 5% ao ano, é uma ilha onde fazem férias turistas ricos. Francisco levava na bagagem objectivos essenciais: uma paz duradoura, o cuidado com o meio ambiente, o diálogo inter-religioso, um mundo globalizado justo. Numa visita multitudinária, em todo o lado foi recebido em festa e júbilo, com danças e tambores, como só os africanos sabem fazer.
A viagem decorreu entre 4 e 10 deste mês de Setembro. Ele próprio, no passado dia 12, já em Roma, descreveu o seu périplo por África e o que o moveu: “O Evangelho é o mais poderoso fermento de fraternidade, de liberdade, de justiça e de paz para todos os povos.”
1.1. “Em Moçambique fui semear sementes de esperança, paz e reconciliação numa terra que tanto sofreu no passado recente por causa de um longo conflito armado e que na passada Primavera foi vítima de dois ciclones que causaram danos muito graves.”
Em Moçambique, clamou perante as autoridades: “Não à violência que destrói, sim à paz e à reconciliação.” E, sobre o processo de paz, no qual tem tido papel fundamental a Comunidade de Santo Egídio, quis exprimir o seu “reconhecimento”, dele e de grande parte da comunidade internacional, pelo esforço em ordem à reconciliação, que, sublinhou, “é o melhor caminho para enfrentar as dificuldades que tendes como Nação”. “Vós tendes uma missão valorosa e histórica a cumprir: Que não cessem os esforços enquanto houver crianças e adolescentes sem educação, famílias sem tecto, operários sem trabalho, camponeses sem terra: bases de um futuro de esperança porque é futuro de dignidade. Estas são as armas da paz.”
Certamente pensando no facto de Moçambique, entre 2001 e 2008, ter perdido 3 milhões de hectares de floresta — um total de 11% da sua área florestal (Madagáscar perdeu 3,63 milhões de hectares, o que representa uma diminuição de 21% —, pediu, com a igualdade, a defesa da terra e da vida, frente aos que exploram e desflorestam em seu próprio benefício — os principais responsáveis são os chineses —, num “afã acumulativo que, em geral, nem sequer é de pessoas que habitam estas terras e não é movido pelo bem comum do vosso povo”.
   Acusado de visitar Moçambique em campanha eleitoral, Francisco respondeu, já no avião, de regresso a Roma: “Não foi um erro, foi uma opção decidida livremente, porque a campanha eleitoral começou nestes dias e foi eclipsada pelo processo de paz. O importante era ajudar a consolidar este processo. E isto é mais importante do que uma campanha que ainda não começou. Ao fazer o balanço, é necessário consolidar o processo de paz. E também me reuni com os dois opositores políticos, para sublinhar que o importante era isso e não para animar o presidente, mas para sublinhar a unidade do país.”
    1.2. Francisco continua a narrativa da sua viagem: “De Maputo segui para Antananarivo, capital de Madagáscar. Um país rico em beleza e recursos naturais, mas vítima da pobreza. Desejei-lhe que, animado pelo seu tradicional espírito de solidariedade, o povo malgaxe possa superar as adversidades e construir um futuro de desenvolvimento, conjugando o respeito pelo meio ambiente e a justiça social.”
Madagáscar, um país esquecido, encontra-se entre os cinco países mais pobres do mundo e os católicos representam 36% da população. A luta contra a pobreza, a crise climática — simbolicamente, contra a desflorestação, Francisco plantou juntamente com o Presidente de Madagáscar um baobá, “a mãe da floresta” — e a necessidade da transformação da sociedade para uma distribuição equitativa dos recursos foram os eixos da intervenção papal.
Uma multidão de mais de cem mil jovens reuniu-se para abraçar o Papa e dialogar com ele. Perante um milhão de fiéis na Missa em Antananarivo, numa esplanada imensa em terrenos da diocese e de um cidadão muçulmano que os cedeu para a celebração, Francisco clamou contra “a cultura dos privilégios e da exclusão: favoritismos, amiguismos e, portanto, corrupção”, advertindo igualmente contra “o fascínio por ideologias que acabam por instrumentalizar o nome de Deus ou a religião para justificar actos de violência, segregação e até homicídio, exílio, terrorismo e marginalização”. “A pobreza não pertence ao plano de Deus”.
O momento mais emocionante da viagem foi o encontro com 8.000 crianças na visita à chamada “cidade da amizade”, Akamasoa, um lugar onde antes havia uma enorme lixeira e agora há casas, pequenas, mas dignas, escolas, espaços de recreio, para milhares de famílias que puderam recuperar o seu trabalho e a dignidade. Foi construída pelos próprios pobres, com a ajuda do padre argentino Pedro Opeka: afinal, “a pobreza não é uma fatalidade”. “Rezemos para que em todo o Madagáscar e noutras partes do mundo se prolongue o brilho desta luz e possamos conseguir modelos de desenvolvimento que privilegiem a luta contra a pobreza e a exclusão social a partir da confiança, da educação, do trabalho e do esforço.”
1.3. “A Segunda-Feira dediquei-a à visita da República de Maurício, conhecido lugar turístico, mas que escolhi como lugar de integração entre diversas etnias e culturas.”
O país, com pouco mais de 1,2 milhões de habitantes, com pessoas de origem indiana, africana, chinesa e europeia, sobretudo francesa, é o único do continente africano com uma maioria hindu (48,5%) — 32,7% são cristãos e 17,2% são muçulmanos —, e é um exemplo para todos no que respeita ao diálogo entre culturas, pessoas e religiões.
Na Missa, na qual participaram 100.000 pessoas, 8% da população, o Papa reflectiu sobre as Bem- aventuranças, “o bilhete de identidade dos cristãos”.
No seu último discurso oficial, fez como que uma síntese, pela positiva, das suas preocupações nesta viagem. Dirigiu-se às autoridades de Maurício, que, desde há anos, possui “não só um rosto multicultural, étnico e religioso mas, sobretudo, a beleza que provém da vossa capacidade de reconhecer, respeitar e harmonizar as diferenças existentes em função de um projecto comum”.
Agradeceu à população o ensinamento que dá ao mundo: “é possível alcançar uma paz estável a partir da convicção de que a diversidade é bela quando aceita entrar constantemente num processo de reconciliação, até selar uma espécie de pacto cultural que faça emergir uma diversidade reconciliada”. Esta é, sublinhou, “base e oportunidade para a construção de uma real comunhão dentro da grande família humana, sem necessidade de marginalizar, excluir ou rejeitar.”
Recordando que Maurício se fez com diversos movimentos migratórios, animou a “assumir o desafio de dar as boas-vindas e proteger os migrantes que vêm hoje à procura de trabalho e, para muitos deles, melhores condições de vida para as suas famílias: preocupai-vos com dar-lhes as boas-vindas como os vossos antepassados souberam acolher-se uns aos outros”.
Também recordou “a tradição democrática instaurada depois da independência e que contribui para fazer da ilha Maurício um oásis de paz”, que há-de prosseguir “lutando contra todas as formas de discriminação.”
Destacando o grande desenvolvimento da ilha, advertiu que “o crescimento económico nem sempre beneficia a todos e que inclusivamente deixa de lado, devido a algumas estratégias da sua dinâmica, um certo número de pessoas, especialmente os jovens. Por isso, quereria animar-vos a promover uma política económica orientada para as pessoas. Animai-vos a não sucumbir à tentação de um modelo económico idólatra que sente a necessidade de sacrificar vidas humanas no altar da especulação e da mera rentabilidade, que só tem em conta o lucro imediato em detrimento da protecção dos mais pobres, do nosso meio ambiente e os seus recursos”. Trata-se, em última análise, de “promover uma mudança de estilos de vida para que o crescimento económico possa realmente beneficiar a todos, sem correr o risco de causar catástrofes ecológicas nem graves crises sociais”.
Dirigindo-se por fim aos líderes religiosos presentes, exprimiu-lhes a sua “gratidão por em Maurício as diferentes religiões, com as suas respectivas identidades, trabalharem em comum para contribuir para a paz social e recordar o valor transcendente da vida contra todo o tipo de reducionismo.
2. Francisco foi, nesta viagem, como sempre, arauto da paz, clamando contra a guerra, a corrupção e a favor da justiça e da fraternidade humana; insistiu no diálogo inter-religioso; arremeteu contra o clericalismo: “a Igreja não pode ser parte do problema, mas porta de solução, de respeito, intercâmbio e diálogo”, às vezes, “sem querer, sem culpa moral, habituamo-nos a identificar a nossa tarefa quotidiana de sacerdotes com certos ritos, com reuniões onde o lugar que ocupamos na reunião, na mesa, é de hierarquia”; defendeu a atenção a ter com o cuidado do meio ambiente; proclamou a alegria: “Jovens, não deixeis que vos roubem a alegria de viver”.
As linhas fundamentais da mensagem essencial, que ficou, tinha-as enunciado numa entrevista, ainda antes da visita, o Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin. África “precisa de amigos de África, não pessoas que olhem para ela com olhos interesseiros, mas pessoas que realmente procurem ajudar este continente a pôr em prática todos os seus recursos, todas as suas forças para progredir, para avançar.” Mas a primeira linha é que “os africanos devem ser conscientes da sua responsabilidade na busca de soluções para os problemas africanos dentro das suas sociedades, dentro dos seus Estados. Portanto, uma consciência renovada de que o destino de África, o seu futuro, está nas mãos dos africanos: uma assunção de responsabilidade neste sentido para lutar contra todos aqueles fenómenos que impedem o desenvolvimento e a paz.”
Como é hábito, já de regresso a Roma, Francisco, na habitual conferência de imprensa, foi confrontado com a acusação de herético e a ameaça de cisma na Igreja. Dedicarei a minha próxima crónica a esta magna e decisiva questão.
in DN 15.09.2019
https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/anselmo-borges/interior/francisco-em-africa-para-o-mundo-11300989.html
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À PROCURA DA PALAVRA
P. Vitor Gonçalves
DOMINGO XXIV COMUM Ano C
"Este homem acolhe os pecadores
e come com eles.”
Lc 15, 2

A ovelha, a moeda e os filhos

Numa única parábola, com três histórias, Jesus apresenta o amor de Deus de uma forma inimaginável. Como não ficarmos admirados com o pastor, a mulher e o pai desta imensa história de amor, com que Jesus responde às objeções de escribas e fariseus? Sim, temos de nos colocar no lugar deles, assumindo alguma estreiteza de coração e uma mentalidade de contabilista que até “faz contas” com Deus. E ainda que nos sintamos próximos do filho que se perde e afasta da casa do pai, importa estar no lugar do “filho cumpridor”, para ver se entramos na festa ou não.
Começando pelo pastor, há uma decisão ilógica no início da sua busca: deixar noventa e nove ovelhas para procurar uma é correr um risco estúpido. O contraste é propositado: o cuidado por aquela que se perdeu exige um movimento de procura urgente. Não pode descansar enquanto não a encontrar. E vai ser a alegria e a festa a marcar o encontro; não a repreensão ou o castigo. Ai daqueles que propagam o medo e o castigo! Não basta já o sofrimento de andar perdido?
E que dizer da mulher à procura da moeda? Voltamos ao valor de cada um, numa menor proporção, mas num idêntico movimento: acende uma lâmpada, varre, procura cuidadosamente. O que encontraríamos se procurássemos com o mesmo afinco? E o que perdemos porque não ousamos arriscar semelhantes procuras?
Ovelhas e moedas podem perder-se sem que daí venham grandes males ao mundo. Mas um filho, um irmão, como fica o coração de quem os perde? E toda a perda é uma pequena morte. Sim, é grave a decisão deste jovem que trata o pai como se estivesse morto ao pedir a herança, e parece não ter relação com o irmão. Não é herói de nenhuma epopeia e a sua vida é uma descida até ao abismo. Abaixo de porco, irá bater mesmo no fundo. É então que recorda o coração do pai. Abre-se à dor dos seus erros, à consciência da dignidade que perdeu. Ensaia um pedido de perdão e de alguma compaixão. Assim que o vê vir ao longe, o pai entra em acção e não pára mais: corre, abraça-o, cobre-o de beijos, escuta-o, reconhece-o como filho, faz uma festa. Não acusa, não recrimina, não castiga. Que adianta remexer na morte se a vida é mais forte?
A alegria e a festa são o culminar das três histórias. Mas ficamos por saber se o irmão mais velho, que vimos a descobrir tratava o pai como uma espécie de patrão, entrou ou não na festa. Também ele andava perdido nas suas muitas tarefas e ainda não entendera o que era viver com o pai. E como esta parábola é para ele, quer dizer, para nós, a resposta tem de ser nossa. Agarramo-nos aos méritos do que fazemos, indiferentes ao amor de Deus por todos? Ou entramos no seu dinamismo de vida que não se esgota, de esperança que não seca, de alegria que nos transforma em irmãos?
in Voz da Verdade 2019.09.15
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Against all odds, Pope Francis has made Synods of Bishops interesting
John L. Allen Jr. Sep 14, 2019
EDITOR
News Analysis
ROME - When roughly 300 Catholic leaders gather in Rome Oct. 6-27 to talk about the Amazon, it will be the 29th time since 1965 a pope has convoked a Synod of Bishops. For most of that span, the body’s role could have been described in the same ironic terms Bob Dole once used about the Vice Presidency: “It’s indoor work, and no heavy lifting is involved.”
A Synod of Bishops is merely consultative, lacking the power to do anything other than make recommendations to a pope. Frankly, for most of its history, even that role seemed terribly anemic, with outcomes generally determined well in advance. During the St. John Paul II years, the Polish pontiff would sit on the dais during synods with his prayer book, and the running joke was that he was actually reading the conclusions of the event before it was even over.
Of the 28 previous synods, even Catholics who pay close attention to Church affairs probably would be hard-pressed to name the dates and themes of more than, say, five. (I know bishops who actually attended some of those synods who struggle to recall what they were about or when they happened, so unmemorable were the proceedings.)
You have to give this to Pope Francis: Against all odds, he’s found a way to make synods really, really interesting.
This week, an official of Brazil’s Ministry of Foreign Relations actually had to go on national television, flanked by a Catholic cardinal, to assure his countrymen that the government of President Jair Bolsonaro isn’t threatened by the looming Synod on the Amazon and doesn’t think the meeting violates a treaty between the Vatican and Brazil governing the Church’s status in the country.
The government “recognizes the historic role of the Church in Brazilian formation, and very much appreciates the active and constant choice of the Church in favor of the less fortunate,” said Ambassador Kenneth da Nóbrega, an official in charge of relations with the Middle East, Africa and Europe, whose brief therefore includes the Vatican.
Nonetheless, Nóbrega conceded the government has been concerned about language in the working document for the synod, called the Instrumentum Laboris, regarding the Amazon and international law, which some worried might threaten Brazil’s sovereignty over the roughly 60 percent of the Amazon within its borders.
Obviously implied is a judgment by Brazilian officials that it actually matters what a body of bishops in concert with Francis might say about the Amazon and its international status.
“The Ministry of Foreign Affairs was asked to open a diplomatic and institutional channel with the Holy See to ask for clarifications on these themes,” he said, while denying media reports that the government is “opposed” or “dissatisfied” with the synod itself.
Nóbrega appeared alongside Cardinal Claudio Hummes of Brazil, a key Francis ally who’ll act as the relator, or chairman, of the October synod. While Hummes thanked Nóbrega for his interest, he also expressed “surprise” over news reports that the Brazilian military and security service are “spying” on bishops, especially in the Amazon, in the run-up to the synod.
“This surprised us greatly, because it gives a negative impression of censorship,” Hummes said.
In fairness, military and security officials have denied repeatedly that they’re spying on anyone, though they’ve acknowledged following developments regarding the synod because, they said, it raises “national security” issues.
Frankly, the idea that any government would have invested resources in spying on a Synod of Bishops in the pre-Francis era would have been almost laughable. No one would have bothered, because too little was at stake.
Of course, there’s a special history in Brazil of governments leaning heavily on military support being challenged by populist bishops speaking out in defense of democracy and human rights, which lends a certain logic to the preoccupations of Bolsonaro and his advisers.
More broadly, however, Francis has made synods worth paying attention to, and not just in the Amazon.
In 2014 and 2015, he used two synods on the family to road-test what’s arguably been his single most controversial ecclesiastical decision to date, which was the cautious opening to Communion for Catholics who divorce and remarry outside the Church expressed in his 2016 document Amoris Laetitia.
In 2018, Francis issued a document beefing up the authority of a Synod of Bishops, among other things stipulating that its final document will carry magisterial authority - meaning, it’ll be part of official Church teaching - once it receives the approval of the pope.
This time around, the drama at the Amazon synod won’t just be ad extra, meaning whatever it says about politics and ecology - although the fact the meeting will unfold just after a new report saying that deforestation has surged 43 percent over the past five years, and that a swath of forest the size of the UK is lost ever year, would be enough to guarantee global attention.
However, there’s also strong ad intra buzz around the synod, meaning ferment over its implications for internal Church policies, given the likelihood of debate over the viri probati, or tested married priests. Should the synod endorse an experiment with the viri probati, no matter how limited or geographically restricted, some critics worry it would create a slippery slope leading to the de facto abolition of mandatory clerical celibacy in the Latin Church.
In other words, Francis once again has managed to guarantee that the world will be watching when the curtain goes up on his fourth Synod of Bishops.
No matter what happens after it does, the fact the pope is able to deliver an audience for an event that once packed all the sex appeal of watching paint dry can’t help but seem, by itself, a sort of minor miracle.
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https://cruxnow.com/news-analysis/2019/09/14/against-all-odds-pope-francis-has-made-synods-of-bishops-interesting/


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