22 setembro 2019


P / INFO: Crónicas & In season of synods, Italy may be next to see if pope’s gamble pays off, artigo de John L. Allen Jr.
Frei Bento Domingues, Acabar com a chantagem
Pe. Anselmo Borges, Demissão do Papa Francisco
NOTA: Conferência do Prof. Luca Badini 
Reserve já na sua agenda o dia 19 de Outubro

ACABAR COM A CHANTAGEM
Frei Bento Domingues, O.P.

Escusam de continuar com as ameaças de cisma. Não o desejo, mas não me assusta e rezo para que não aconteça.

1. O acontecimento mais importante, na liderança da Igreja Católica, nos últimos tempos, não pode passar despercebido ou dissolvido no ruído dos noticiários acerca do Vaticano.
O Papa Francisco, ao regressar da última viagem apostólica a vários países africanos (Moçambique, Madagáscar e Ilhas Maurícias), não se limitou a responder às perguntas e curiosidades dos jornalistas, de forma aberta e desinibida, como sempre faz. Desta vez, foi muito mais longe. Decidiu colocar um ponto final na chantagem que se arrastava, dentro e fora do mundo católico, desde o começo do seu pontificado: a ameaça de um Cisma.
Para quem conhece alguma coisa da história do cristianismo, não pode ignorar os efeitos terríveis que essa palavra evoca, efeitos que ainda hoje persistem, apesar de todas as iniciativas ecuménicas.
Dada a desenvoltura com que se pronunciou, terá Bergoglio esquecido as catástrofes dessa “bomba atómica” no tecido da Igreja? Essa ameaça não deveria aconselhar o Papa a ter mais cuidado com o que diz e faz e, sobretudo, com o modo provocador como fala e actua? Não saberá que está sempre a pisar terreno armadilhado?
     Neste caso, essas perguntas não conseguem esconder uma solene hipocrisia. Dito de outro modo: o Papa Francisco para não causar um cisma na Igreja deve renunciar a cumprir o programa do seu pontificado, tornar-se prisioneiro do medo, asfixiar a liberdade de expressão e concordar que o Vaticano continue num regime de monarquia absoluta!
 Teria de anular tudo o que fez e desistir do futuro: da reforma da Cúria; do combate ao clericalismo e ao carreirismo eclesiástico; da denúncia da economia que mata e da religião que manda matar; do acolhimento das vítimas da guerra e dos que fogem da miséria; deixar de ver o mundo a partir dos excluídos e marginalizados; de aceitar que haja cidadãos de primeira e de segunda; de incitar a Igreja a deslocar-se para as periferias; da revisão do papel dos colégios e das universidades católicas; das alterações nas práticas teológicas para que recusem o papel de ideologia da dominação económica, política e religiosa; da encíclica Laudato Si sobre a ecologia integral; da irradicação da pedofilia no seio das instituições eclesiásticas e seus responsáveis; das conclusões do Sínodo sobre a Família reunidas no documento polémico Amoris Laetitia; de incentivar o debate sobre os ministérios das mulheres na Igreja; de renegar o caminho sinodal como reclamam os opositores vaticanistas à opção dos Bispos alemães; da convocatória para o estudo de alternativas económicas; dos passos gigantescos nos caminhos do ecumenismo e do diálogo inter-religioso; de nunca procurar nas suas deslocações pelo mundo poder para a Igreja católica, mas que se torne exemplo desinteressado para os mais pobres, etc. etc..
2. Acontece, porém, que longe de renunciar ao programa do seu pontificado, de bloquear em si e nos outros a criatividade, alarga-a e estimula-a cada vez mais.
     A 15 de Outubro de 2017, abriu uma nova frente de inquietações e trabalhos, cujas consequências vão muito para além dos seus previsíveis anos de vida.
     O melhor é dar-lhe a palavra: «Acolhendo o desejo de algumas Conferências Episcopais da América Latina, assim como ouvindo a voz de muitos pastores e fiéis de várias partes do mundo, decidi convocar uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazónica. O Sínodo será em Romaem Outubro de 2019. O objectivo principal, desta convocatória, é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, e por causa da crise da Floresta Amazónica, pulmão de capital importância para o nosso planeta. Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram os caminhos da justiça e de paz».
A 17 de Junho deste ano, foi publicado o documento de trabalho, Amazónia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral[1].
Papa reunirá, no Vaticano, entre os dias 6 e 27 de Outubrobispos dos nove países que abrangem a região Pan-amazónica.
Desde a corajosa convocatória em Outubro de 2017, tudo se agravou. De Janeiro a Setembro deste ano, já foram contabilizados 106.141 focos de incêndios florestais na Amazónia. De um assunto que alguns teimavam em considerar puramente regional transformou-se numa questão global.
3. Estamos todos na mesma Casa Comum. Como diz o teólogo brasileiro L. Boff, voltamos do exílio, depois de milhões de anos, e agora estamos todos juntos no mesmo lugar, no planeta Terra. Esta não pertence a ninguém em particular. É um bem comum de toda a humanidade e de toda a comunidade de vida (animais, árvores, microorganismos, etc.). Amazónia é parte da Terra. L. Boff insiste: O Brasil não é senhor da Amazónia. Possui apenas a gestão dessa parte que administra mal e de forma irresponsável. 
As causas da redução da área natural da Amazónia são múltiplas e essencialmente económico-sociais. Há grandes interesses ligados ao agro-negócio, à criação da soja, à produção da carne de vaca, à indústria madeireira e não só. Segundo a investigação do Ministério Público brasileiro, algumas destas forças organizaram-se para promover um horrendo “dia de fogo” em Agosto passado[2].
No próximo dia 22 de Setembro, no âmbito da quinta edição do Átrio de Francisco, serão projectadas, na fachada da basílica superior de S. Francisco de Assis, as imagens do novo projecto fotográfico de Sebastião Salgado, sobre essa vasta região da América do Sul que tem estado no epicentro das notícias devido à acelerada desflorestação.
Voltemos à questão do começo. O Papa Francisco não deseja abafar as críticas que lhe fazem. Ajudam-no sempre e não vêm apenas dos americanos, vêm da própria Cúria! “Não gosto quando surgem de debaixo da mesa e te fazem sorrisos a mostrar os dentes e, depois, espetam-te a faca nas costas. Isso não é leal, nem humano. Disso não gosto!” Escusam de continuar com as ameaças de cisma. Não o desejo, mas não me assusta e rezo para que não aconteça.
Basta de chantagens!
in Público, 22.09.2019
https://www.publico.pt/2019/09/22/sociedade/opiniao/acabar-chantagem-1887348
O Público lembrou outro artigo:
https://www.publico.pt/2016/11/01/mundo/noticia/igreja-catolica-jamais-ordenara-mulheres-reitera-papa-1749635


[1] Vaticano, Instrumentum laboris, Amazónia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral. O Papa veta políticos com mandato entre os convidados do referido Sínodo.
[2] Cf. Viriato Soromenho-Marques, Sete teses sobre a Amazónia, in Jornal de Letras de 11 a 24 de Setembro de 2019; ver a entrevista de Leonardo Boff, O futuro da humanidade e da terra está ligado ao futuro da Amazónia http://www.ihu.unisinos.br/

● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ●
Demissão do Papa Francisco
Anselmo Borges
   Padre e professor de Filosofia
                                                          
1. No passado dia 10, após uma viagem apostólica a África, visitando Moçambique, Madagáscar e Maurício, o Papa Francisco, já no avião, de regresso a Roma, deu, como é hábito, uma longa conferência de imprensa. E foi respondendo a muitas perguntas.
1. 1. Congratulou-se com o abraço histórico da paz em Moçambique: “Tudo se perde com a guerra, tudo se ganha com a paz. O esforço dos líderes das partes contrárias, para não dizer inimigos, é o de ir ao encontro um do outro. É o triunfo do país: a paz é a vitória do país, é preciso entender isso... E isso vale para todos os países, que se destroem com a guerra. As guerras destroem, fazem perder tudo.”
1. 2. África é um continente jovem, tem uma vida jovem, “se a compararmos com a Europa, e vou repetir o que disse em Estrasburgo: a mãe Europa quase se tornou “avó Europa”. Envelheceu, estamos a viver um inverno demográfico muito grave na Europa.” E acrescentou que leu algures que há um país europeu que em 2050 terá mais reformados do que pessoas a trabalhar, “e isso é trágico”.
Os jovens em África precisam de educação, “a educação é uma prioridade”. E louvou Maurício, cujo primeiro-ministro tem em mente a gratuidade do sistema educativo.
1. 3. A xenofobia é “uma doença humana” e, lembrando “discursos que se assemelham aos de Hitler em 1934”, acrescentou: “muitas vezes as xenofobias cavalgam a onda dos populismos políticos”. Mas África transporta consigo também “um problema cultural que tem de ser resolvido: o tribalismo”. Temos de “lutar contra isso: seja a xenofobia de um país em relação a outro, seja a xenofobia interna, que, no caso de alguns lugares de África e com o tribalismo, leva a uma tragédia como a de Ruanda.”
1. 4. “São fundamentais as leis que protegem o trabalho e a família. E também os valores familiares.” E chamou a atenção para os dramas das crianças e jovens que perdem os seus laços familiares.
1. 5. “Hoje não existem colonizações geográficas — pelo menos, não tantas como antes..., mas existem colonizações ideológicas, que querem entrar na cultura dos povos e transformar aquela cultura e homogeneizar a Humanidade. É a imagem da globalização como uma esfera, todos os pontos equidistantes do centro. Ao contrário, a verdadeira globalização não é uma esfera, é um poliedro, no qual cada povo se une a toda a Humanidade, mas preserva a própria identidade.” Contra a colonização ideológica, é preciso respeitar a identidade de cada povo e dos povos.
1. 6. Opôs-se de novo ao proselitismo em religião, lembrando uma palavra de São Francisco de Assis: “Levem o Evangelho, se for necessário, também com as palavras”. A evangelização faz-se sobretudo pelo exemplo, pelo testemunho. O testemunho provoca a pergunta: “Porque é que vive assim, porque age assim?” Aí explico: “É pelo Evangelho”. “E qual é o sinal de que um grupo de pessoas é um povo? A alegria.”
1. 7. Não podia deixar de sublinhar a urgência da defesa do meio ambiente. No contexto da destruição da biodiversidade, da exploração ambiental e concretamente da desflorestação, não deixou de apontar e condenar de modo veemente a corrupção descarada: “Quanto para mim?”. “A corrupção é feia, muito feia.”
Revelou que “no Vaticano, proibimos o plástico.” É preciso defender “a ecologia, a biodiversidade, que é a nossa vida, defender o oxigénio, que é a nossa vida. O que me conforta é que são os jovens que levam adiante esta luta”, porque o futuro é deles. “Creio que ter-se chegado ao acordo de Paris foi um bom passo adiante, e depois também outros... São encontros que ajudam a tomar consciência.” E, a menos de um mês do Sínodo para a Amazónia, sublinhou: “Há os grandes pulmões, na República Centro-Africana, em toda a região Pan-amazónica, e outros menores.”
2. E vieram a pergunta e a resposta que mais visibilidade tiveram nos meios de comunicação social mundiais.
Jason Horowitz, do The New York Times, perguntou: “No voo para Maputo, reconheceu estar sob ataque de um sector da Igreja nos Estados Unidos. Obviamente existem fortes críticas de alguns bispos, há televisões católicas e sítios americanos muito críticos e até alguns dos seus aliados mais próximos falaram de um complô contra si. Há algo que esses críticos não entendem sobre o seu pontificado? Há algo que tenha aprendido com as críticas? Tem medo de um cisma na Igreja americana? E, se sim, há algo que poderia fazer — dialogar — para evitá-lo?”
E Francisco foi longo na resposta.
Não é contra as críticas. “As críticas ajudam sempre, sempre. Quando se recebe uma crítica, deve-se fazer imediatamente uma autocrítica: isso é verdade ou não? E eu tiro sempre benefícios das críticas.” Reconheceu que as críticas “não vêm só dos americanos, existem um pouco por todo o lado, mesmo na Cúria.” O problema todo das críticas é se há honestidade ou não. “Uma crítica justa é sempre bem recebida, pelo menos por mim. Uma crítica leal — eu penso isto e isto — está aberta à resposta, e isso constrói, ajuda. No caso do Papa: não gosto deste Papa, critico-o, falo, escrevo um artigo e peço que ele responda. Isso é justo. Mas fazer uma crítica sem querer ouvir a resposta e sem dialogar é não amar a Igreja, é perseguir uma ideia fixa, mudar o Papa ou criar um cisma.” “Não gosto quando as críticas estão sob a mesa: sorriem para ti, mostrando os dentes e, depois, apunhalam-te pelas costas. Isso não é leal, não é humano.” “Atirar a pedra e esconder a mão... isso não serve, não ajuda. Ajuda os pequenos grupinhos fechados, que não querem ouvir a resposta à crítica.”
Há uma real ameaça de cisma? “Na Igreja houve muitos cismas.” Há o exemplo do Concílio Vaticano I, por causa da infalibilidade pontifícia. Um grupo fundou os vétero-católicos, que evoluíram e agora ordenam mulheres. Também aconteceu no Concílio Vaticano II, com a separação de Mons. Lefebvre. “Existe sempre a opção cismática na Igreja, sempre. É uma das opções que o Senhor deixa à liberdade humana. Eu não tenho medo de cismas, rezo para que não existam, porque está em jogo a saúde espiritual de tantas pessoas. Que exista o diálogo, que exista a correcção, se houver algum erro, mas o caminho do cisma não é cristão.”
Defende-se. “Um cisma é sempre uma separação elitista provocada por uma ideologia separada da doutrina. É uma ideologia, talvez justa, mas que entra na doutrina e a separa. Por isso, rezo para que não ocorram cismas, mas não tenho medo.” Acusam-no de comunista, mas as coisas sociais que diz são as mesmas que disse João Paulo II. “Eu apenas o copio.” E o mesmo deve dizer-se quanto à questão da graça e da moral (eu julgo que, aqui, tem em mente aqueles que o acusam por abrir a porta à possibilidade da comunhão para católicos divorciados e recasados). Avisa: “Quando virem cristãos, bispos, sacerdotes rígidos, é porque por trás há problemas, não há a santidade do Evangelho. Por isso, devemos ser mansos com as pessoas que são tentadas por esses ataques, estão a passar por um problema, devemos acompanhá-las com mansidão.”
3. Francisco não exclui a possibilidade de um cisma, mas não tem medo. Ele tem muitos opositores e até inimigos, incluindo cardeais influentes, como G. Müller, R. Burke, W. Brandmüller, R. Sarah, que o acusam de não ser um grande teólogo e de herético.
Pergunta-se: ele é mesmo herético? Alguém que conheça minimamente o Evangelho e tenha estudado Teologia poderá acusá-lo de herético? Alguém pode ser acusado de herético por anunciar e praticar o Evangelho, aproximando-se dos mais pobres, abandonados, marginalizados? Por proclamar que o nome de Deus é misericórdia? Por abrir a porta à possibilidade de acesso à comunhão, em casos concretos, de católicos divorciados e recasados? Por arremeter contra o clericalismo e o carreirismo e querer que a Igreja siga um caminho sinodal (caminhar juntos em Igreja, decidindo colegialmente, com a participação de todos, pois a Igreja somos todos)? Por avançar numa reforma profunda da Cúria, um verdadeiro cancro da Igreja? Por declarar a urgência da salvaguarda da Criação, do meio ambiente, da biodiversidade, de uma ecologia integral? Por exigir transparência no Banco do Vaticano (como resolver o défice de mais de 70 milhões de euros num orçamento de 300 milhões do Vaticano)? Por estabelecer normas e práticas severas para acabar com o monstro da pedofilia na Igreja? Por abrir a porta à possibilidade da ordenação de homens casados? Por querer que as mulheres tenham o lugar que lhes compete por vontade de Jesus Cristo também em lugares cimeiros de decisão na Igreja? Por promover o diálogo ecuménico e  inter-religioso? Por afirmar que não se pode ficar parado e imóvel no “sempre se fez assim”? Numa palavra, por querer a Igreja que o Vaticano II sonhou?
A questão é outra: há muitos, dentro e fora da Igreja, que estão interessados em forçar a demissão de Francisco para, no conclave a seguir, eleger alguém que acabe com as reformas que ele está a operar. O superior geral dos jesuítas, Arturo Sosa, disse-o esta semana: “Existe uma luta política na Igreja entre os que querem a Igreja sonhada pelo Vaticano II e os que a não querem. Estou convencido de que não se trata só de um ataque contra o Papa. Francisco está convencido da sua acção desde que foi eleito. Na realidade, do que se trata é de influenciar a eleição do próximo Papa.”
in DN 22.09.2019
● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ● ●
In season of synods, Italy may be next to see if pope’s gamble pays off
John L. Allen Jr.
EDITOR
News Analysis
ROME - Under a pope for whom “synodality” is the buzzword par excellence, meaning broad consultation and shared decision-making, it probably should be no surprise that synods and their vicissitudes are destined to be the biggest Catholic drama over the months to come.
We already know about the controversial Synod of Bishops for the Amazon set to open in the Vatican on Oct. 6, and a tug-of-war between Rome and the German bishops over plans for a two-year national “synodal journey” has also been well chronicled. In October 2020, the Church in Australia will gather for its first plenary council since the Second Vatican Council (1962-65).
Now, it seems, we may soon be able to add Italy to the list of places either contemplating or planning its own synod. In this case, the press is coming from the Primate of Italy himself, meaning the pope, and his closest allies.
The drumbeat began in February with an essay by Italian Jesuit Father Antonio Spadaro in Civiltà Cattolica, the Jesuit-edited journal directed by Spadaro which enjoys semi-official Vatican status.
“Only an effective exercise of synodality within the Church can help us read our situation today and engage in discernment,” Spadaro wrote, making the case for a national synod. “And this can only happen thanks to broad involvement of the People of God, in a synodal process that’s not restricted either to the elites of Catholic thought or to the contexts (specific and important) of formation.”
During an address to the powerful Italian bishops’ conference on May 20, Pope Francis directly referred to a “probable synod of the Italian Church,” which was followed by Cardinal Gualtiero Bassetti of Perugia, president of the conference, telling reporters, “the synod could be the start of a path that will take a long time.”
Most recently, the edition of Civiltà Cattolica that came out today carries a reflection by 90-year-old Italian Jesuit Father Bartolomeo Sorge, a fixture on the Italian and Vatican scene since the era of St. John XXIII and the Second Vatican Council. Noting that the Italian Church has held a national convention every ten years since 1976, Sorge insisted it’s not enough to respond to today’s challenges.
“A simple national ecclesial convention won’t do it,” he wrote. “Therefore, isn’t a synod necessary?”
A decision to hold a synod, or at least to consider it, could come as early as next week when the Permanent Commission of the Italian bishops’ conference meets in Rome. Among the items on the agenda is “to offer proposals for paths to renew the missionary face of the Italian Church.”
Why do Francis and his team want a synod for Italy? Sorting through the arguments, three points seem to loom largest.
First, Francis is a populist at heart, and believes the people could pressure their leaders to implement elements of his reform program he currently believes are being blocked.
For instance, his May 20 line about a “probable synod” came in the context of expressing frustration that an expedited and simplified process for annulments he decreed in 2015 still has not been implemented “in the great majority of Italian dioceses.” Likewise, when Francis issued Vos Estis in May, requiring dioceses to create reporting mechanisms to lodge complaints against bishops for their handling of abuse allegations, one of his closest allies, Maltese Archbishop Charles Scicluna, openly invited the Italian rank-and-file to complain if their diocese drags its feet on the pope’s edict.
The idea is that breaking the logjam may require an end-run around the ecclesiastical bureaucracy, appealing to the base.
Second, Francis’s allies believe that a synod would be a chance to demonstrate that the pontiff has strong popular support despite the oft-nasty criticism he generates, usually from more conservative and traditional quarters.
(Although many see accusations against Francis of a cover-up of sex abuse charges regarding ex-cardinal and ex-priest Theodore McCarrick as an American operation, it hasn’t escaped the attention of Francis’s team that it was an Italian cleric who actually leveled the accusation, Archbishop Carlo Maria Viganò, and that his own writings on the subject are about as Italian as such things come.)
Sorge was especially strong on the point.
“Is it possible that our Christian community does not know what to do in the face of the violent and frequent attacks against Pope Francis, coming largely from inside his own house, which even reach the absurd request for his resignation?” Sorge wrote.
“Formal declarations of filial attachment and adhesion are of little use,” Sorge wrote. “We need, rather, to reassure the faithful, with an official and solemn act, that the Gospel essence of the Petrine service in the Church always remains unchanged, even if the way of exercising it changes, as Pope Francis is doing.”
Third, Francis and his team also believe a synod could address the political role of Italian Catholics, especially the irony that millions of Catholics in the pope’s own backyard routinely vote for politicians with strong anti-immigrant and nationalistic positions at odds with Francis’s teaching and leadership.
That tension comes to a boil most often over Italian politician Matteo Salvini, the former Deputy Prime Minister and now opposition leader, who defies the pope on immigration while brandishing a Bible and a rosary of the Madonna of Medjugorje.
“We ask: What authoritative response can the Italian Church pronounce, in the light of the Gospel and the Church’s teaching authority, about the fact that millions of faithful - priests and consecrated persons not excluded - share, or at least support, anthropological and political concepts that can’t be reconciled with a Gospel vision of man and society?” Sorge asked.
To be sure no one missed the point, he made things even clearer in a footnote. (As an aside, it’s striking how often in Francis’s papacy the real meat on the bone in documents comes in the footnotes.)
“More concretely, what should we say and do with regard to those who extort votes from people with fear and hate, hiding behind the mask of a false religiosity?” Sorge wrote in footnote 15, and although he didn’t use Salvini’s name, the reference was unmistakable.
The bottom line is that Francis and his advisers are frustrated with the narrative that Francis is “controversial,” convinced that most of the grumbling, in Italy as elsewhere, comes from a cadre of elites, political opportunists and special interests who don’t represent the Catholic grassroots. A synod, therefore, would be a chance to demonstrate what they believe is a broad popular consensus in support of the pope’s leadership.
Only time will tell if they’re right.
Exit polls in the most recent Italian elections showed that Salvini was the most popular candidate among Catholics who go to Mass at least once a week, capturing 33 percent support. That’s roughly 15 million Italian Catholics who may not quite be ready to stand foursquare with Francis, at least on the immigration issue.
On the other hand, a survey earlier this year by the respected polling firm Demos found that Francis has a 70 percent popularity rate among Italians overall, and his support is even stronger among those who go to Mass. Most of that backing is probably fairly solid, given that Italians are hardly naïfs - indeed, given the media climate here, they’re probably more exposed to criticism of the pope than any other culture on earth, so it’s not as if they’ve never heard the case for the opposition.
Of course, the Church isn’t a democracy. Nevertheless, Francis and his team appear determined to inject a greater democratic spirit in Catholicism through the revival of synods, trusting it will strengthen the pope’s hand, and Italy may well be next up to see if the gamble pays off.
Follow John Allen on Twitter: @JohnLAllenJr

Crux is dedicated to smart, wired and independent reporting on the Vatican and worldwide Catholic Church. That kind of reporting doesn’t come cheap, and we need your support. You can help Crux by giving a small amount monthly, or with a onetime gift. Please remember, Crux is a for-profit organization, so contributions are not tax-deductible.

in CRUX, Sep 21, 2019
https://cruxnow.com/news-analysis/2019/09/21/in-season-of-synods-italy-may-be-next-to-see-if-popes-gamble-pays-off/

Reserve já na sua agenda
Sábado 19 de Outubro
Conferência do Prof. Luca Badini  do Wijngaards Institute for Catholic Reform



Sem comentários:

Enviar um comentário