15 novembro 2020

 

P / INFO: Crónicas, Mulheres católicas (…), History-making report sets a precedent the Vatican can’t walk back & Capela do Rato, Inscrições para as celebrações

Frei Bento: A internacional do ódio

Pe. Anselmo: O Papa Francisco confessa-se. 2

Cardeal Tolentino: A Máscara

Pe. Vítor Gonçalves: Quem vence o medo?

 

A INTERNACIONAL DO ÓDIO

Frei Bento Domingues, O.P.

Nesta era de extremismos, à esquerda e à direita, reafirma-se a tentação de responder ao ódio com mais ódio.

São outros os caminhos da política da justiça e da paz.


1. Nós existimos, nós perseveramos no que somos a partir da palavra e do desejo do outro. Tornar-se humano é tornar-se solidário, não apenas com o seu grupo identitário – isso também fazem as formigas – mas exactamente com o estranho, aquele que caiu em desgraça e sobrevive abandonado[1]. É esta observação que guiará esta crónica.

A UNESCO declarou 10 de Novembro Dia Mundial da Ciência para a Paz e o Desenvolvimento. O Conselho Português para a Paz e Cooperação divulgou um texto, de Federico Carvalho, para marcar esta data importante: «Às mulheres e homens que trabalham em Ciência, os trabalhadores científicos, cabe a particular responsabilidade de agir no seio da sociedade em que se integram, mas também como cidadãos do mundo, para que as aplicações do conhecimento científico sejam postas ao serviço do progresso social, que compreende o desenvolvimento económico e cultural, no quadro de uma utilização sustentável dos recursos naturais do planeta. São objectivos que exigem a abolição da guerra nas relações entre estados e nações e o fim de conflitos internos, com o estabelecimento de uma Paz duradoura. Não se trata de uma escolha entre alternativas, trata-se da sobrevivência da humanidade.

«Nos nossos dias, graças à evolução dos meios técnicos de transporte e de comunicação, as ligações entre países, regiões, continentes, estabeleceram-se a um nível sem precedentes, facilitando a mobilidade de pessoas e bens. Esta realidade é responsável pela rápida propagação da pandemia que, ao contrário do que aconteceu no passado com outras situações pandémicas, hoje estende-se a todo o planeta, atingindo em maior ou menor grau, o conjunto da população[2].

2. Escrevo esta crónica no dia de S. Martinho (316-397). Na tradição popular, é o dia de provar o vinho novo.

Martinho era um militar, não por vontade própria, mas por imposição do seu pai que era tribuno romano. Tornou-se catecúmeno cristão e, durante essa iniciação, percebeu o essencial da nova fé: ao ver um pobre ao frio e esfarrapado, cortou a sua capa ao meio e deu metade a esse mendigo. Era a marca do seu itinerário.

Este Domingo, no calendário litúrgico, é o 33º do Tempo Comum. O Papa Francisco, no encerramento do Ano da Misericórdia (2017), proclamou-o Dia Mundial dos Pobres.

Pode parecer estranho, pois já existia o Dia Mundial da Erradicação da Pobreza, a 17 de Outubro, promulgado pela ONU, por influência do Padre católico, Joseph Wresinski (1917-1988). Ele não era, apenas, a voz do povo da miséria, ele pertencia a esse povo, assumiu a sua causa e fundou a Associação ATD Quart Monde.

O Papa Francisco assumiu a tradição inventiva, de homens e mulheres que, desde os Actos dos Apóstolos, passando pelo humor surrealista do diácono S. Lourenço (século III) se tornaram, em todas as épocas até aos nossos dias, a voz dos sem vez e sem voz.

Existem várias obras sobre a erradicação da pobreza, cujas promessas parecem sempre adiadas. Seria absurdo, no entanto, dar esses trabalhos por inúteis, quer a nível nacional quer internacional[3].

Pergunta-se: o que acrescenta o Dia Mundial dos Pobres ao Dia Mundial da Erradicação da Pobreza?

Uma coisa é a investigação, o mais rigorosa possível, das causas sociais, culturais e políticas da pobreza. Outra é a atenção personalizada aos que são vítimas da pobreza imposta. Exige o encontro interpessoal, concreto, afectivo, com os pobres, nossos irmãos esquecidos ou desprezados.

O filósofo e político, António Frederico Ozanam (1813-1853), lutava, no Parlamento, pela erradicação da pobreza. Compreendeu, no entanto, que era preciso mobilizar a consciência de cristãos e não cristãos para a situação concreta dos pobres. Não eram, apenas, uma categoria social, cultural e política, objecto das ciências humanas. Eram pessoas que precisavam de ser reconhecidas e socorridas. Não eram números ou categoria sociais abstractas. Precisavam de calor humano num encontro fraterno. Foi ele o fundador das Conferências de S. Vicente de Paulo. Com o tempo, muitas delas esqueceram-se da sua genuína vocação.

3. São muitos os cidadãos dos EUA que demoram aceitar o resultado das recentes eleições presidenciais. É uma situação perigosa. Serve para alimentar extremismos e focos incendiários de ódio. 

É certo que o discurso de Joe Biden procurou mostrar que a sua presumível vitória destinava-se a unir todos os norte-americanos: prometo ser um presidente que não busca dividir, mas unir, que não vê estados vermelhos e azuis, mas os Estados Unidos; prometo trabalhar  para conquistar a confiança de toda a população. Os meus conterrâneos americanos, são o povo deste país que nos deu uma clara vitória, uma vitória convincente. Orgulho-me da campanha que fizemos e conduzimos. Estou orgulhoso da coligação que formamos, a mais ampla e diversificada da história: democratas, republicanos e independentes, progressistas, moderados e conservadores, jovens e velhos, urbanos, suburbanos e rurais, gays, héteros, transgéneros, brancos, latinos, asiáticos, americanos nativos.

O teólogo espanhol, J. J. Tamayo, sustenta que os partidos políticos e as organizações da extrema direita mundial e os movimentos cristãos fundamentalistas formam uma aliança cada vez mais sólida e eficaz na conquista do poder, em todos os âmbitos, fomentando o discurso das práticas de ódio, difundindo uma internacional do ódio.

Uma das pessoas que mais contribuiu para esse discurso e para essas práticas foi o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante os quatro anos do seu mandato. Contou, não apenas com o Partido Republicano, mas também com um sector muito importante e influente do movimento evangélico integrista, os “Evangélicos por Trump”. Com as sagradas Escrituras, judias e cristãs, sustentou a sua política belicista, anti ecológica, patriarcal, xenófoba, sexista e a separação dos país e filhos entre os imigrantes. O apoio veio também de grupos católicos ultraconservadores e de importantes personalidades da Igreja Católica como o cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova York[4].

Nesta era de extremismos e de tendências extremistas, à esquerda e à direita, reafirma-se a tentação de responder ao ódio com mais ódio, à violência com mais violência. É o caminho da mundialização da guerra, de que fala o Papa Francisco.

São outros os caminhos da política da justiça e da paz. 

in Público 15.11.2020

https://www.publico.pt/2020/11/15/opiniao/opiniao/internacional-odio-1938994



[1] Cf. José Augusto Mourão, Quem vigia o vento não semeia, Pedra Angular, 2011, p.7

[2] Transcrevi, apenas, um parágrafo desse texto. Merece uma leitura integral.

[3] Cf. uma obra fundamental de Abhijit V. Banerjee e Esther Duflo, A Economia dos Pobres. Repensar de modo radical a luta contra a pobreza global, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 2012.

[4] Cf. : www.other-news.info/noticias/2020/11/tras-elecciones-en-ee-uu-como-deconstruir-el-discurso-y-las-practicas-de-odio

 

Anselmo Borges

Padre e Professor de Filosofia

O Papa Francisco confessa-se. 2

1. Penso muitas vezes na solidão do Papa. Chega ao Vaticano, que não conhece por dentro, concretamente, a sua secular e gigantesca burocracia. Não tem mulher nem família com ele. E os amigos?! Sabe que os seus gestos, atitudes, discursos, homilias, tudo será escrutinado até ao mínimo pormenor. Vive e trabalha num palácio, guardas fazem-lhe continência ao passar. Aquele palácio é testemunha de muitas histórias, ao longo do tempo, tantas vezes nada, mesmo nada, edificantes, pelo contrário, revelando o pior da natureza humana e do poder, sobretudo quando absoluto. Dali também se transmitiu imensa esperança a milhões de pessoas em todo o mundo, e isso constitui mais uma preocupação: o que fizer vai influenciar um número incalculável de vidas. O Papa é um dos homens mais poderosos do mundo. No entanto, deve sentir-se tantas vezes só... Até sabe que, resignando, não é livre de escolher o lugar onde quer viver os últimos dias em tranquilidade. De facto, como ex-chefe de Estado, quem assume a responsabilidade da sua segurança? Pensei nisso quando recentemente o ex-Papa Bento XVI esteve na Alemanha para despedir-se do irmão em finais de vida e de como ruas ficaram encerradas, com soldados a guardar os telhados. É sabido que Paulo VI pensou em resignar e não ficaria no Vaticano, mandou preparar quartos num convento... Francisco, quando resignar, não quereria ficar no Vaticano, complicando a vida do sucessor, mas...

2. O jornalista da AdnKronos também veio ao assunto. E Francisco, na sua sinceridade: “Se estou só? Pensei nisso. E cheguei à conclusão de que existem dois níveis de solidão. Alguém pode dizer: sinto-me só, porque quem devia colaborar não colabora, porque quem deveria sujar as mãos pelo próximo não o faz, porque não seguem a minha linha e por aí adiante, e esta é uma solidão digamos... funcional. Depois, há uma solidão substancial, que eu não sinto, porque encontrei tantíssima gente que corre riscos por mim, coloca a sua vida em risco, que se bate com convicção, pois sabe que estamos no que está correcto e que o caminho empreendido, mesmo entre mil obstáculos e naturais resistências, é o correcto. Houve exemplos de maldades, de traições que ferem quem crê na Igreja. Essas pessoas não são certamente religiosas de clausura.”

Francisco não sabe se vencerá ou não a batalha. Mas com amorosa resolução diz-se seguro de uma coisa: “Sei que devo travá-la, fui chamado para travá-la, depois será o Senhor a dizer se fiz bem ou se fiz mal. Sinceramente, não estou muito optimista (sorri), mas confio em Deus e nas pessoas fiéis a Deus. Lembro-me de que quando estava em Córdova, rezava, confessava, escrevia, um dia vou à biblioteca procurar um livro e dou com 6-7 volumes sobre a história dos Papas e entre os meus antiquíssimos antecessores encontrei alguns exemplos não propriamente edificantes.”

Como reage às críticas que lhe chegam do interior da Igreja? E há tantas! Por causa das uniões civis dos homossexuais, da abertura à comunhão dos divorciados recasados, do acordo com a China... Francisco pensa durante uns segundos e responde: “Não diria a verdade e insultaria a sua inteligência, se dissesse que elas te deixam bem. Não agradam a ninguém, especialmente quando são bofetadas na cara, quando fazem mal se são ditas de má-fé e com malvadez. Mas com a mesma convicção lhe digo que as críticas podem ser construtivas, e então assumo-as totalmente, porque a crítica leva a examinar-me, a fazer um exame de consciência, a perguntar-me se errei, em quê e porquê errei, se fiz bem, se fiz mal, se podia fazer melhor. O Papa escuta todas as críticas e depois faz o discernimento, discernimento que é a linha-guia do meu percurso, sobre tudo, sobre todos. E aqui — continuou — seria importante uma comunicação honesta para descrever a verdade sobre o que está a acontecer no interior da Igreja. É verdade, portanto, que, se na crítica devo encontrar inspiração para fazer melhor, não posso, por outro lado, deixar-me arrastar por tudo o que de pouco positivo escrevem sobre o Papa.”

O jornalista comenta que hoje o maior ataque dos inimigos figadais de Francisco é preparar um sucessor contrário. Eu, pessoalmente, penso que não é possível voltar atrás em relação a Francisco. Porque as pessoas gostaram do seu estilo, dos seus gestos, da sua proximidade às pessoas, da sua proximidade ao Evangelho... E que pensa Francisco sobre a sucessão? “Também eu penso naquele que virá depois de mim, sou o primeiro a falar disso. Recentemente, submeti-me a exames médicos de rotina, os médicos disseram-me que um deles podia fazer-se a cada cinco anos ou anualmente, eles inclinavam-se para que fosse a cada cinco anos, eu disse: façamo-lo ano a ano, nunca se sabe.” Aqui, o jornalista observa: desta vez o sorriso foi mais generoso.

Seja como for, a pergunta é inevitável: E que futuro para a Igreja? Francisco conta uma história que lhe desagradou: “Soube de um bispo que afirmou que, com esta pandemia, as pessoas “desabituaram-se” — foi esta a palavra — de ir à igreja, que as pessoas não voltarão a ajoelhar-se diante de um crucifixo ou a receber a comunhão. Eu digo que se esta “gente”, como lhe chama o bispo, ia à igreja por hábito, então é melhor que fique em casa. É o Espírito Santo que chama a gente. Talvez após esta dura provação, com estas novas dificuldades, com o sofrimento que entra nas casas, os fiéis sejam mais verdadeiros, mais autênticos. Acredite em mim: vai ser assim.”

in DN 14.11.2020

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/14-nov-2020/o-papa-francisco-confessa-se-2-13029914.html?target=conteudo_fechado                         

QUE COISA

SÃO AS NUVENS

JOSÉ
TOLENTINO
MENDONÇA

A máscara

HÁ OS QUE A DEFENDEM COMO UM COMPROMISSO

ÉTICO QUE REALIZAMOS NUMA HORA DE

TAMANHA VULNERABILIDADE COMO A PRESENTE.                              

E HÁ OS QUE A TEMEM COMO UM DISTÚRBIO QUE

TRARÁ CONSEQUÊNCIAS

Quando hoje se googla a palavra “máscara” aparece uma infinidade de variantes de pesquisa: máscaras descartáveis, cirúrgicas, certificadas, personalizadas, reutilizáveis, transparentes e por aí fora. Esta repentina multiplicação de aceções quer dizer uma coisa: que entrou a fazer parte das práticas do quotidiano. De facto, após uma indecisão inicial, a máscara tornou-se um elemento base de proteção contra a pandemia. E assim, de uma hora para outra, a estranheza do artefacto se desfez pelo uso corrente, expectável e universal. Mas este acessório que adicionamos ao rosto — uma ajunta provisória e associada a esta conjuntura sanitária, espera-se — tem sido motivo para alguma reflexão de natureza antropológica. Há os que a defendem como um compromisso ético que realizamos, sinalizando que como indivíduos estamos empenhados em colaborar positivamente na construção do bem comum, numa hora de tamanha vulnerabilidade como a presente. E há os que a temem como um distúrbio que trará consequências. Neste caso, o medo em relação à máscara é o de que ela venha a alterar a perceção que fazemos dos outros e de nós próprios; que modifique os tradicionais mecanismos de proximidade; que contribua para ampliar a indiferença e a invisibilidade social. Medo, no fundo, de que a máscara possa cancelar o rosto ou substituir-se a ele. Um pouco na linha daquilo que Álvaro de Campos prevê no poema ‘Tabacaria’: “Quando quis tirar a máscara,/ Estava pegada à cara./ Quando a tirei e me vi ao espelho,/ Já tinha envelhecido”. Ora, mesmo tomando esta posição como um clamoroso exagero ela tem, pelo menos, a vantagem de nos sensibilizar para a problemática da comunicação interpessoal, interrogando-nos sobre a forma como nos encontramos e desencontramos em tempo de pandemia.

Um acirrado denunciador da máscara tem sido, por exemplo, o filósofo Giorgio Agamben. Ele recorda que se todos os seres viventes existem no aberto, se mostram e comunicam, só o ser humano tem, porém, um rosto. Isto é, só o ser humano “faz do seu aparecer e comunicar-se aos outros humanos a própria experiência fundamental,(...) o lugar da própria verdade”. Tudo o que dizemos e trocamos se funda no rosto.

Neste sentido, é inimaginável que se possa pensar sem ele a política, pois esta ficaria perigosamente reduzida a uma mera troca de informações e mensagens. Para Agamben, o rosto é “o elemento político por excelência”, pois é “olhando-se no rosto que os humanos se reconhecem e apaixonam, percebem a semelhança e a diversidade, a distância e a proximidade”.

in Semanário Expresso 13.11.2020 pg 163

https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2507/html/revista-e/que-coisa-sao-as-nuvens/a-mascara

     

À Procura da Palavra

DOMINGO XXXIII COMUM

Pe. Vitor Gonçalves

“Porque foste fiel em coisas pequenas,

confiar-te-ei as grandes.”

Mt 25, 23

 

Quem vence o medo?

 

Apreciamos o talento de artistas e génios, pessoas que parecem estar num nível superior aos comuns dos mortais, vindos até, quem sabe, de outra galáxia. Mas é fácil esquecer o trabalho, a persistência e tenacidade de quem não desiste de melhorar. Porque não dá nas vistas, não se gosta de aprender com os erros, não brilha o esforço que nem sempre leva ao sucesso. Ainda no rescaldo das eleições norte-americanas, leio uma citação de Calvin Coolidge, o 30º presidente dos Estados Unidos da América: “Nada no mundo substitui a persistência. O talento não o pode fazer, nada é mais comum do que homens falhados com talento. O génio também não; génios que não foram reconhecidos são quase um provérbio. A formação também não; o mundo está repleto de diplomados fracassados. A persistência e determinação por si só são omnipotentes.”

Caminhamos para o final do ano litúrgico num apelo à persistência em não descurar o combate à pandemia do Covid-19. São-nos exigidos sacrifícios vários, confinamentos e limitação de circulação, redução de contactos físicos e hábitos sanitários, também na vida eclesial (e seria estranho pensar o contrário). Se valorizamos a vida uns dos outros em tempo de “normalidade”(?) não é mais importante ainda lutar por ela na adversidade? É preciso determinação para usar todos os talentos ao serviço da saúde, da justiça social, do compromisso ético sustentável, da economia ao serviço das pessoas, da fraternidade que supera os contrastes, da escolha do bem comum. Ou o medo levar-nos-á a enterrar os talentos que nos foram confiados?

A parábola dos talentos não fala simplesmente das capacidades de cada pessoa, ou dos dons com que cada um nasce. Fala-nos mais da graça de Deus, do dom que é Jesus Cristo e o Evangelho, capazes de trazer a salvação ao mundo, se o acolhemos e fazemos frutificar. Questiona as comunidades cristãs sobre como colocamos o tesouro da nossa fé a multiplicar-se e a enriquecer todos, se somos dinâmicos e empreendedores ou se a indolência e o medo nos atrofiam. Deus não apresenta plano de instruções: confia, dá liberdade e responsabiliza. Mais do que a quantidade de talentos recebidos (e lembremos que, cada talento, corresponde ao valor de uma vida inteira de trabalho), sublinha-se a determinação e o empenho dos dois primeiros servos, contrapondo a preguiça e o medo do terceiro. É este que não devemos imitar: o seu medo nasceu de uma falsa imagem de Deus, enterrar o talento foi fechar-se nos seus interesses particulares e estéreis.

O Deus da alegria e da festa não procura simplesmente a rentabilidade, mas exige que façamos a vida fluir, que o tesouro que somos com Cristo não fique improdutivo, que os bens não sejam para guardar mas para partilhar, que ninguém enterre o que pode produzir maravilhosos bens. Assim derrotamos o medo com persistência, trabalho e confiança naquele que primeiro confia em nós! 

in Voz da Verdade 15.11.2020

http://www.vozdaverdade.org/site/index.php?id=9328&cont_=ver2                                                                                                 

 

 

Mulheres católicas preparam sínodo para reivindicar igualdade na Igreja

A plataforma Voices of Faith está a organizar um “sínodo” (termo usado para designar assembleias eclesiais), que deverá acontecer na primavera de 2022, a par com o Sínodo dos Bispos já convocado pelo Papa Francisco. O objetivo é promover “a dignidade e igualdade” das mulheres na Igreja Católica e lutar contra o sistema de “patriarcado”. Entre as (…)

 in Sete Margens 10.11.2020

https://setemargens.com/mulheres-catolicas-preparam-sinodo-para-reivindicar-igualdade-na-igreja/

In this April 24, 2002 file photo, Cardinal James Francis Stafford, left, head of the Pontifical Council for Laymen, Cardinal Theodore Edgar McCarrick of Washington, D.C., center, and United States Catholic Bishops' Conference President Wilton Gregory of Belleville, Ill., attend a news conference at the Vatican concluding a two-day meeting between Pope John Paul II and US cardinals at the Vatican. After an extraordinary meeting sparked by a sex abuse scandal, American Roman Catholic leaders agreed to make it easier to remove priests guilty of sexually abusing minors - but they stopped short of a zero-tolerance policy to dismiss all abusive priests. (Credit: Pier Paolo Cito/AP.)

History-making report sets a precedent the Vatican can’t walk back

John L. Allen Jr. EDITOR

News Analysis

ROME – When I took Western Civ in college, our professor once read aloud to the class an excerpt from the diary of a Roman senator written on Sept. 4, 476 AD. The senator described his efforts to suck up to 16-year-old Emperor Romulus Augustulus in hopes of being appointed to some high office, perhaps a tribune or magistrate.

On that same day, Romulus Augustulus, the last emperor in the West, was deposed by the barbarian warlord Odoacer, marking what historians now conventionally identify as the fall of the Roman Empire.

My professor’s point was that quite often, people living through moments that change history fail to recognize them at the time.

The point arises with respect to Tuesday’s release of the Vatican’s long-awaited report on the case of ex-cardinal and ex-priest Theodore McCarrick. While the focus, understandably, has been on the content of what the report contains, the crucial historical point may be the fact it happened at all.

It’s so breathtaking, in fact, that one wonders if anyone in the Vatican actually understands the magnitude of the precedent they just set.

The only comparison that comes to mind dates to August 17, 2011, when the Vatican released roughly 70 pages of documents in its possession regarding the case of Father Andrew Ronan, a Servite priest who was laicized in 1966 and died in 1992 and who later figured in a sex abuse lawsuit in Oregon in which the Vatican was named as a defendant.

Yet in that instance, there were no interviews conducted by a Vatican investigator, no attempt to provide context or explanation, and no admission of failure. All we got were the documents themselves, along with a preemptory declaration by a spokesman that they proved the Vatican completely innocent.

(That may be because the issue in the Ronan case was whether every Catholic priest in the world is a Vatican “employee,” a preposterous notion hard for anyone in the know to take seriously.)

In other words, the Ronan release was profoundly different from what happened with the McCarrick report, which was researched and written by Jeffrey Lena and his colleagues. Lena is a Berkeley-based attorney who’s represented the Vatican on civil matters in American courts for decades and who also knows Italy well, having studied and taught in Milan and Turin.

To grasp the full significance of what’s happened, let’s take a step back. Since 1870, when the Vatican lost its temporal authority and was compelled to become an exclusively spiritual power, operationally it’s had two core principles: Secrecy and sovereignty. Secrecy meant we don’t air our dirty laundry in public in order to avoid scandal, and sovereignty meant we don’t owe an explanation of our actions to anyone.

This report doesn’t just break with those principles, it shatters them forever.

Granted, critics may find it terribly convenient that while the report faults St. John Paul II and Pope emeritus Benedict XVI, it largely insulates Pope Francis from blame. Granted, too, victims and others may object this is an accounting without accountability, and until someone is punished not only for the crime but the cover-up, the work isn’t done.

Still, for the most part the report is searingly honest and comes off as a genuine attempt to get at the truth. It contains a level of detail never before seen. We’re given the strictly confidential advice the most senior prelates in the Church gave when deciding to promote McCarrick, we’re given the gut-wrenching details of victim testimony, and we’re given first-hand recollections by top Vatican officials of the decision-making process. Such disclosure, on this scale, is absolutely new.

The present power structure in the Vatican deserves credit not only for allowing this to happen, but for taking the heat as time wore on and impatience grew. We’ve been wondering for two years why it was taking so long, but seeing how thorough and painstakingly detailed the report is, that question no longer seems quite so pressing.

More basically, think about the precedent this report sets. From now until the end of time, regarding any scandal past or present, if the Vatican refuses to conduct a similar investigation and make the results public, the question always will be: Why not? What are they trying to hide?

If I were a victim of the late Mexican Father Marcial Maciel Degollado, founder of the Legion of Christ, I’d be demanding a similar investigation right now to find out who covered for Maciel in the Vatican and why. If I were one of the alleged victims of Argentine Bishop Gustavo Zanchetta, accused of sexual misconduct with adult seminarians and given a job by Pope Francis in the Vatican’s financial operations, I’d be clamoring for my own McCarrick report to tell me what the pope knew and when he knew it.

One could go on. At the moment, another candidate for such an inquest might be the burgeoning London financial scandal and the charges of financial impropriety against Italian Cardinal Angelo Becciu. Some skeptics believe Becciu has been set up as a convenient fall guy for the entire affair, and perhaps only a thorough review on the scale of the McCarrick report could establish what actually happened.

In other words, having decided once that secrecy and sovereignty needed to yield to transparency and honesty, the Vatican will never again have a persuasive excuse not to do the same thing when other failures occur.

In the end, it’s possible the McCarrick report may be remembered as the single most consequential step toward reform during the Francis papacy, not only because of what it reveals about this particular case, but the precedent it sets for how all future cases ought to be handled.

Once the genie of transparency is out of the bottle, that is, it’s going to be awfully difficult to put it back in.

in CRUX

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https://cruxnow.com/news-analysis/2020/11/history-making-report-sets-a-precedent-the-vatican-cant-walk-back/

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NOTA: Ainda não estão abertas as inscrições

Pode rever e partilhar a celebração a partir da página da Capela do Rato no Facebookhttps://www.facebook.com/capeladorato.org

Para uma melhor participação na celebração, poderá consultar a folha de cânticos, disponível aqui.

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