20 outubro 2019


P / INFO: Crónicas
Frei Bento: O PODER DA ARTE
Pe. Anselmo: Procurar longe o que está perto
Pe. Tolentino: Passe-vite
 Pe. Vitor: O silêncio de Deus

O PODER DA ARTE
Frei Bento Domingues O.P.

Toda a grande obra de arte, a começar pela música, levanta sempre a questão da sua humana e divina transcendência, sem a nomear.

1. Escrevi este texto para introduzir uma conversa com este título, na Livraria Arquivo de Leiria. É, por isso, anterior à conversa e não o seu reflexo. É um atrevimento que só me compromete a mim.
A palavra poder evoca realidades muito contrastadas. Tanto pode designar uma pessoa cheia de saúde, capaz de enfrentar os múltiplos desafios da vida quotidiana, como exprimir a debilidade extrema: não poder falar, não poder andar, não poder ver, não poder ouvir, não poder respirar, não poder trabalhar e sentir essas dolorosas ausências. Um hospital mostra esse contraste entre as pessoas que cuidam e os doentes que a elas recorrem porque reconhecem nelas o poder de conseguir remédio para superar o mal que as atingiu.
Fala-se, noutro sentido, da conquista do poder, seja ele económico, político ou religioso, por vias democráticas, legítimas ou, então, do acesso a esses mundos através da violência física e psicológica ou da astúcia fraudulenta. Quando é competente e é conseguido por caminhos eticamente legítimos, acaba por se traduzir em formas de serviço público. Quando segue as vias da fraude e da violência, não se destina a servir e a libertar, mas a dominar. A dominação pode ser económica, política, militar ou religiosa ou agregar todas essas formas, como acontece com o poder totalitário.
2. Perguntam-me qual é o poder de uma obra de arte. Não se confunde com nenhuma das formas já referidas. Não se mede pelo seu alcance utilitário. Não serve para outra coisa melhor do que ela própria. Não é catalogada nas obras de misericórdia, de beneficência ou da maldade. Não copia a natureza, não a duplica nem a representa.
 Diz-se que o poder da arte resulta da capacidade enigmática de certas obras provocarem a ruptura com as evidências convencionais da realidade e de criarem um novo e inconfundível mundo de experiências de fruição estética, pela densidade das emoções que desperta.
Quando se insiste que essas obras não copiam a natureza, não a duplicam, não a representam, procura-se destruir as ilusões que as próprias reconfigurações das obras artísticas podem ocasionar e que impedem o acesso à criação que as torna únicas, inconfundíveis.
        A experiência da fruição estética é uma participação no mundo da imaginação criadora do artista, imaginação liberta e libertadora. Subversiva por ser o que é.
        Numa entrevista a Ai Weiwei, artista chinês, activista, dissidente, preso e exilado, foi-lhe perguntado: a arte pode ser uma ameaça para o poder totalitário? «Acho que sim. Eles passam o tempo todo a dizer às pessoas que são poderosos. No entanto, só são poderosos porque utilizam a violência, recorrendo à força do Exército. É um poder feito de armas. Não são poderosos de pensamento, não são poderosos de espírito. Não são sequer capazes de nos olhar na cara ou ir a uma escola de arte. Não têm qualquer capacidade argumentativa. Que poder podem ter? Quão poderosos podem ser? É por isso que a arte é importante. Fala pelo e através do pensamento das pessoas e não quer saber da violência para nada. A arte tem mais poder do que eles. A arte mostra o poder do pensamento humano, o poder da nossa imaginação»



[1].
3. A arte questiona o mundo das aparências e suscita obras que testemunham o poder da imaginação criadora, provocando emoções de pura beleza. Onde havia apenas uma pedra de mármore, Michelangelo extraiu a sua Pietà, que não estava na pedra, mas no poder da sua imaginação transfiguradora, presente em todas as formas de arte, seja no campo da música, da literatura, do teatro, da pintura, da escultura ou da arquitectura.
Todas essas formas tiveram, ao logo da história dos povos e das culturas, as expressões mais surpreendentes e todas suscitam a mesma pergunta: o que há de especial nessas expressões que as torna autênticas obras de arte e lhes dá um poder de sedução inconfundível?
Essa resposta deveria surgir daquilo que se chama estética, mas esta lida com o enigma. Não existe uma ciência objectiva para discernir o que é e o que não é uma obra de arte. Quando é que o arranjo dos sons produz uma música sublime? Quando é que o arranjo das palavras produz um poema, um romance, um conto aos quais se volta sempre? Quando é que o arranjo das cores produz uma pintura que desloca multidões para a contemplar? Quando é que o trabalho sobre a madeira ou a pedra produz uma escultura? Quando é que a construção de um espaço constitui uma obra de arquitectura?
Entre os muitos arranjos das palavras, dos sons, das cores, dos trabalhos em madeira, pedra ou metal uns são considerados obras de arte impressionantes e outros são considerados irrelevantes, banais, para não dizer pirosos ou foleiros. A divulgação da mediocridade encadernada, pintada ou musicada, servida por alguns meios de comunicação, tem o enorme poder de poluir o gosto, impossibilitando uma autêntica experiência estética.
De matérias banais podem ser feitas obras geniais e de matérias nobres podem sair produtos que só o mau gosto pode consumir.
Sem evocar, aqui, os grandes monumentos da Ásia, da Índia, das Américas, da Europa, podemos perguntar o que seria, por exemplo, da Itália sem o poder das suas imensas obras de arte? Que seria de Paris sem a catedral de Notre Dame? Mais perto de nós, que seria de Lisboa sem os Jerónimos, de Alcobaça sem o seu mosteiro, da Batalha sem o convento de Nossa Senhora das Vitórias, de Tomar sem o convento de Cristo?
Qual é o poder de todas essas obras, para além do lucro económico que o turismo consegue? Não sei responder. Verifico, apenas, que testemunham de uma beleza que, se os seus suportes materiais pudessem, seria eterna. Os seus autores morrem, elas não. Toda a grande obra de arte, a começar pela música, levanta sempre a questão da sua humana e divina transcendência, sem a nomear. Provocam emoções que nenhum mundo pode conter, porque são a reconfiguração de um mundo que excede todos os mundos. A sua materialidade sugere o imaterial, porque a sua linguagem é sempre metafórica, de múltiplas significações, inesgotáveis e resistentes a qualquer comentário.
Deixo, para uma próxima oportunidade, o comentário de uma obra apresentada, na passada quinta-feira[2], que testemunha, o poder que a arte moderna tem de evocar, na sua imanência, a transcendência humana e divina.

in Público, 20. 10. 2019
https://www.publico.pt/2019/10/20/culturaipsilon/opiniao/arte-1890546





[1] Por Alexandra Carita, Revista do Expresso, 12. Outubro, 2019, pp.34-40
[2] João Alves da Cunha e João Luís Marques (Coord.), Dominicanos. Arte e arquitectura portuguesa. Diálogos com a Modernidade, Edição de CEHR UCP e do ISTA, 2019.

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Procurar longe o que está perto
Anselmo Borges
Padre e Professor de Filosofia
Três estórias.
1.
    1.1 O grande filósofo Martin Buber, no seu livro Der Weg des Menschen (O Caminho do Homem), retomou a estória de Eisik filho de Yékel, de Cracóvia.
Apesar da sua miséria, nunca deixou de confiar em Deus. Num sonho, foi-lhe ordenado que fosse a Praga "para procurar um tesouro debaixo da ponte que leva ao palácio real". Quando o sonho se repetiu pela terceira vez, Eisik pôs-se a caminho de Praga, a pé. Mas não podia escavar no lugar indicado, porque a ponte era vigiada dia e noite pelas sentinelas. Voltava todas as manhãs, andando para trás e para a frente durante o dia todo. Por fim, o capitão da guarda, intrigado, aproximou-se amavelmente para se informar do que se passava, o que quereria Eisik: "Tinha perdido alguma coisa ou estava à espera de alguém?" Aí, Eisik, dada a cordialidade do capitão, contou-lhe o seu sonho, e o capitão estoirou às gargalhadas: "E é para satisfazer um sonho que vieste de tão longe, gastando as solas no caminho? Ah! Ah! Meu velho, se fôssemos em sonhos, também eu deveria pôr-me a caminho por causa de um sonho que tive e ir a Cracóvia a casa de um judeu, um tal Eisik filho de Yékel, para procurar um tesouro debaixo do forno! Já viste? Nessa cidade, na qual metade dos judeus se chama Eisik e a outra Yékel, estou mesmo a ver-me a entrar, umas atrás das outras, nas casas todas!"

O capitão continuava a rir. Eisik inclinou-se numa saudação, voltou à sua casa em Cracóvia e desenterrou o tesouro que há tanto tempo o aguardava!

1.2. Também se conta que uma vez um peixinho muito jovem foi ter com outro peixinho, também jovem, para perguntar-lhe: "Onde é o oceano?" Ele respondeu-lhe: "Também já fiz a mim mesmo a pergunta, mas não sei responder." Foi então perguntar a um peixe mais velho, que soberanamente se movia no oceano: "Onde é o oceano? Ninguém me sabe responder." E o mais velho: "Então tu nasceste no oceano, nadas no oceano, vives no oceano e perguntas onde é o oceano?!"

1.3. A terceira estória é uma velha lenda hindu, retomada pelo teólogo Jean Vernette.

Houve um tempo em que todos os homens eram deuses, mas, tendo abusado da sua divindade, o senhor dos deuses, Brama, decidiu retirar-lhes o poder divino. O problema foi encontrar um lugar onde escondê-lo, de tal modo que fosse impossível o Homem reencontrá-lo. Os deuses menores foram convocados e aconselharam a meter a divindade do Homem na terra. Mas Brama respondeu que o Homem havia de escavar e encontrá-la. Então, lancemos a divindade ao mais profundo dos oceanos, replicaram os deuses. Mas Brama disse: "Não, pois, mais cedo ou mais tarde, o Homem há de explorar os oceanos até às profundezas, encontrá-la-á e voltará com ela para a terra." Os deuses menores não encontravam solução, concluindo: "Não sabemos onde escondê-la, já que não parece existir nem na terra nem no mar lugar que o Homem não possa um dia alcançar." Então, Brama disse: "Eis o que faremos da divindade do Homem: vamos escondê-la no mais profundo dele mesmo, pois será o único lugar onde ele nem sequer pensará em procurar..."

E, desde então, como ensina o breve apólogo do Vedanta, o Homem deu a volta à Terra, explorou, subiu, mergulhou e escavou... à procura - longe, muito longe dele -, à procura de algo que se encontra nele, no mais íntimo dele...

2. Agora, já não é uma estória, mas história. Cito o discurso célebre de São Paulo no Areópago. Em Atenas: de pé, no meio do Areópago, Paulo disse então: "Atenienses, vejo que sois, em tudo, os mais religiosos dos homens. Percorrendo a vossa cidade e examinando os vossos monumentos sagrados, até encontrei um altar com esta inscrição: Ao Deus desconhecido. Pois bem! Aquele que venerais sem o conhecer é esse que eu vos anuncio. O Deus que criou o mundo e tudo quanto nele se encontra. Ele, que é o Senhor do Céu e da Terra, não habita em santuários construídos pela mão do Homem nem é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa, Ele, que a todos dá a vida. Que os homens procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo, mesmo tateando, embora não se encontre longe de cada um de nós. É n'Ele, realmente, que vivemos, nos movemos e existimos, como também o disseram alguns dos vossos poetas: 'Pois nós somos também da sua estirpe'."
in DN, 20.10.2019
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/20-out-2019/procurar-longe-o-que-esta-perto--11424143.html
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QUE COISA SÃO AS NUVENS
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
PASSE-VITE

A VELHICE APRESENTA INTERROGAÇÕES E DILEMAS ESPECÍFICOS, MAS É BEM MAIS DO QUE UMA IMAGEM ESTEREOTIPADA

A patente deste equipamento de cozinha tem registo datado de 1928, em nome do inventor belga Victor Simon, mas a verdade é que o famoso ralador de inox, mais ou menos se universalizou, e por duas razões: passa depressa os alimentos e deixa-os com uma consistência que facilita a deglutição. Dá que pensar a expressão “passe-vite”. De facto, não são apenas os legumes que giram em velocidade entre as hélices do ralador. Da nossa própria vida podemos dizer que um dos seus traços é esse: no seu trânsito frágil, fascinante e inelutável, ela passa depressa. Tenho um bando de amigos que, pesando tudo isso, se autodenominou ‘passe-vite’. Cruzaram-se nos tempos de universidade, cimentaram a amizade nessa outra escola de vida que é o voluntariado social, maturaram as próprias escolhas na partilha da palavra e do silêncio, da fé e da procura. Há anos que se encontram regularmente, que se encontram a bem dizer por nada, apenas no desejo de regar as raízes do seu futuro comum, pois a conspiração que os anima é a de, na velhice, poderem viver todos juntos (na mesma casa, no mesmo lar, na mesma jangada, no mesmo bosque). Um dia convidaram-me para um desses encontros, e sinto também que por nenhuma razão em especial: queriam simplesmente estar, estar com a pessoa, mais do que ouvir falar sobre um tema. Foi aí que me explicaram a rir o seu projeto, esclarecendo que, entre eles se chamavam assim, “porque a vida passe vite e porque quando arrancarem finalmente com a comunidade de idosos terão já de comer a paparoca mais passada”. Primeiro ri com eles até às lágrimas, com a sua louca e sapientíssima ligeireza, mas depois dei por mim só com lágrimas descendo-me pelo rosto, pois aquele bando de jovens adultos, que aparentemente não queria nada, me estava afinal a mostrar oceânicas profundezas da vida.

Cada um de nós envelhece à sua maneira, com a sua própria dicção e os seus limites, os seus contextos e os seus sonhos, mas temos muito que aprender uns com os outros

Recordei-me deles estes dias ao ler um livro de Marta C. Nussbaum e Saul Levmore, amigos de longa data e colegas na Faculdade de Direito da Universidade de Chicago, intitulado “Envelhecer Com Sabedoria. Diálogos Sobre a Vida, o Amor e o Remorso”. E a lição que se retira dessas conversas entre a filósofa e o jurista é que há um défice de pensamento sobre a velhice que se torna urgente inverter. Cada um de nós envelhece à sua maneira, com a sua própria dicção e os seus limites, os seus contextos e os seus sonhos, mas temos muito que aprender uns com os outros. E a verdade é que falamos pouco sobre isso ou, pelo menos, não de forma suficiente e aberta. Trata-se, no fundo, de preparar juntos uma etapa da vida como, a seu tempo, foi acompanhada a infância, a iniciática adolescência ou cada um dos ciclos da vida adulta. E da mesma maneira que, nessas outras etapas, também o discurso das competências externas e dos recursos internos se deve colocar. A velhice apresenta interrogações e dilemas específicos, mas é bem mais do que uma imagem estereotipada. Associadas às dores há o saborear de alegrias talvez ainda não experimentadas. A par das preocupações, é possível provar, não raro, uma serena liberdade na forma de estar com os outros, uma compreensão mais ampla e maturada do real, uma criatividade mais afetuosa e menos temerosa. No meio de tanta transformação que a velhice comporta, ela permite enfrentar não só a perda, mas também o amor; não só a solidão, mas também formas novas de presença e companhia; não só a avolumar das necessidades, mas também o gratuito perfume do dom. A velhice pode ser uma oportunidade para viver de forma mais reconciliada, pacificadora, espiritual e atenta, na fidelidade a essa arte que nos está confiada: a de dizer e redizer infinitamente o amor.

in Semanário Expresso, 18.10.2019 p164

https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2451/html/revista-e/que-coisa-sao-as-nuvens/passe-vite

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À PROCURA DA PALAVRA
P. Vítor Gonçalves
DOMINGO XXIX COMUM Ano C
“Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos,
que por Ele clamam dia e noite,
e iria fazê-los esperar muito tempo?”
Lc 18, 7

O silêncio de Deus
Para que serve a oração? É uma pergunta colocada numerosas vezes. Muitas pessoas, de todas as religiões, dizem rezar todos os dias de mil e uma maneiras diferentes. É talvez o elemento religioso por excelência que une os crentes: falar com Deus, escutar o que Ele diz. E qual a importância da oração? Gonçalo M. Tavares, no seu livro “Aprender a rezar na era da técnica”, apresenta a oração e, substancialmente o silêncio que ela proporciona, em contraste com a “omnipotência” humana de um homem que vive dominado pela conquista de poder.
Se a oração é diálogo, abertura e encontro, é preciso despojarmo-nos de a instrumentalizar. Um ancião passava em silêncio longas horas na Igreja. Um dia, um sacerdote perguntou-lhe o que Lhe dizia Deus. “Deus não diz nada. Só escuta!” “Então, o que é que você lhe diz?”. Sorrindo, o ancião respondeu: “Eu também não digo nada. Só escuto!” Diálogo de surdos, dirão alguns; silêncio de namorados, retorquirão outros! Será certamente um “silêncio habitado”, aquele onde tudo pode acontecer.
É o silêncio de Deus que mais “fere” quem lhe pede graças tão importantes como a justiça, a saúde de alguém que se ama, a paz sempre adiada, a vida um pouco melhor. Mas a parábola deste domingo, sublinha a paciência e a persistência de quem pede. Jesus confirma o poder da oração, mesmo naquilo que depende do coração dos homens. O juiz iníquo não mudará a sua atitude profunda, mas vencido pela insistência da mulher, irá realizar o que lhe pede. É a forma de “Deus escrever direito por linhas tortas” como o povo aprendeu a descobrir? A desculpa de que “não temos tempo”, a imediatez que impomos a tudo, a facilidade de “passar a bola a Deus” demitindo-nos do nosso esforço, não nos impedirão de ouvir o que Deus nos diz no seu silêncio? Quantas guerras e injustiças não seriam vencidas pela força de homens e mulheres a enfrentar aqueles que as alimentam?
Os braços abertos de Moisés para Deus, no meio da batalha, davam força ao seu povo. E mostram o primeiro fruto da oração: receber a força de viver, a força de amar, de perdoar e de dialogar, de abrir-se ao outro e de partilhar. É a atitude da viúva que nos dá o segundo fruto da oração: a coragem de insistir, e a paciência de esperar. Deus não é indiferente nem surdo ao que lhe dizemos. E nós, com que fé rezamos, com que fé vivemos e nos convertemos? Se a resposta de Deus a todas as nossas súplicas é a vida de Cristo, oferecida plenamente na Páscoa, como passamos da exigência de “tem de ser como eu desejo” à humildade de “nas tuas mãos entrego o meu espírito?”
Jesus não rezava para nos dar exemplo. É a condição natural de quem é filho e sabe que é amado pelo Pai. Estar e conversar com quem se ama não é uma das maiores felicidades? E tudo ganha luz nesse encontro. O silêncio fica grávido de vida. Os impossíveis transfiguram-se, as forças renovam-se, a comunhão abraça-nos. Não é fuga mas compromisso com a vida. Começando a amá-la como é e trabalhando para que seja plena. Como não encontrar tempo para este milagre?
in Voz da Verdade, 20.10.2019
http://www.vozdaverdade.org/site/index.php?id=8458&cont_=ver2



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