13 dezembro 2020

 P/INFO: Crónicas, Cardeal Tolentino abre nova edição do curso de Filosofia, Literatura e Espiritualidade da Capela do Rato & Celebração da Eucaristia com canto gregoriano – IV Domingo do Advento

Frei Bento: Tudo por causa da alegria

Padre Anselmo: O sentido da vida. 2. A ética

Cardeal Tolentino: Que horas são aí?

Padre Vitor: No meio de vós

INSCRIÇÃO PARA A EUCARISTIA - 13 DE DEZEMBRO DE 2020

Info da Capela do Rato: Já atingimos o limite de pessoas (40) para a Eucaristia de domingo. Se mesmo assim desejar inscrever-se, preencha o formulário em baixo e, caso se verifique alguma desistência, entraremos em contacto consigo. Obrigado.

 

TUDO POR CAUSA DA ALEGRIA

Frei Bento Domingues, O.P.

 

1. O que já podemos saber é que nós ignoramos o que é o ser humano. Pelo pouco que conhecemos do nosso passado, pelo turbilhão do presente e pela incerteza acerca do futuro, verificamos que somos um programa tão aberto que nunca poderá oferecer garantias de que dê sempre certo. Quando repetimos que somos essencialmente desejo, também sabemos que há bons e maus desejos.

Através dos nossos labirintos interiores, das contradições sociais e culturais e da anarquia louca dos nossos apetites, de forma consciente ou inconsciente, somos, apesar de tudo, desejo de plenitude. Muitas vezes criminosamente atraiçoado.

É, na segunda parte da Suma de Teologia, que Tomás de Aquino elabora a sua minuciosa ética teológica. É servida pela reelaboração da ética filosófica aristotélica, com banhos de Santo Agostinho e de outros Padres da Igreja. Importa-me realçar, para o objectivo desta crónica, que essa longa construção é precedida de cinco questões dedicadas, exclusivamente, à investigação das exigências e dos obstáculos para aceder à felicidade perfeita[1]. As evangélicas bem-aventuranças anunciam as condições para atingir essa plenitude. Os trabalhos e os gemidos da história humana, para alcançar novos céus e nova terra, são todos por causa da alegria.

S. Paulo sublinhou esta situação de modo dramático: «Bem sabemos como toda a criação geme e sofre as dores de parto até ao presente. Não só ela. Também nós, que possuímos as primícias do Espírito, nós próprios gememos no nosso íntimo, aguardando a adopção filial, a libertação do nosso corpo»[2].  

Como crescemos no tempo, vivemos no reino da imperfeição, da “alegria breve”, como diz Virgílio Ferreira. No mesmo dia, podemos passar da alegria à tristeza e do medo à esperança[3].

 Para Fernando Pessoa, segundo os Textos de Crítica e de Intervenção, «só Deus, e a alma, que ele criou e se lhe assemelha, são a perfeição e a verdadeira vida. Este é o ideal que poderemos chamar cristão, não só porque é o cristianismo a religião que mais perfeitamente o definiu, mas também porque é aquela que mais perfeitamente o definiu para nós».

Este texto obriga-me a regressar a S. Paulo: «Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor que Deus nos tem, em Cristo Jesus, Senhor nosso»[4].

O ser humano é radicalmente peregrino. No esquema neoplatónico da Suma de Tomás de Aquino, de Deus saímos por sua pura graça e a Deus regressamos, através da livre actividade humana aberta à graça do Espírito de Cristo. Por isso, podemos dizer que caminhamos no caminho, na verdade e na vida que Ele próprio é.

2. A encenação da liturgia cristã do Advento tem muitas modelações. Algumas verdadeiramente delirantes. No primeiro dia deste mês, recorreu a um texto de Isaías, que transforma todos os animais carnívoros em vegetarianos, os mais violentos em espelhos de paz e reconciliação. Os pobres vão ter uma oportunidade de justiça e não haverá tiranos.

O melhor é dar a palavra ao profeta: «Brotará um rebento do tronco de Jessé e um renovo brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor. Não julgará pelas aparências nem proferirá sentenças somente pelo que ouvir dizer; mas julgará os pobres com justiça e com equidade os humildes da terra; ferirá os tiranos com os decretos da sua boca e os maus com o sopro dos seus lábios. A justiça será o cinto dos seus rins e a lealdade circundará os seus flancos. Então, o lobo habitará com o cordeiro e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o novilho e o leão comerão juntos e um menino os conduzirá. A vaca pastará com o urso e as suas crias repousarão juntas; o leão comerá palha como o boi. A criancinha brincará na toca da víbora e o menino desmamado meterá a mão na toca da serpente. Não haverá dano nem destruição em todo o meu santo monte, porque a terra está cheia de conhecimento do Senhor, tal como as águas que cobrem a vastidão do mar»[5].

Como sempre também aqui, o Novo Testamento é uma releitura e reinterpretação cristã do Antigo. O rebento que brotou do tronco de Jessé é o próprio Jesus Cristo que corrigiu os seus discípulos enviados em missão.

Eles regressaram tão entusiasmados, com o êxito conseguido, que parecia que estavam já a inaugurar a igreja triunfalista: tinham tudo e todos na mão. O Mestre concede que correu tudo muito bem, mas não os deixa nessas miragens ambíguas: «não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, porque os vossos nomes estão inscritos no Céu».

Sabemos que o uso da palavra céu servia para não banalizar a palavra Deus (Iavé). O que Jesus, de facto, diz aos discípulos é que a vida deles está no coração de Deus, não como algo exclusivo.

S. Lucas acrescenta que foi, nesse mesmo instante, que Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lho. Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. Porque – digo-vos – muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram!»[6].

3. Esse trecho é uma referência fundamental na mensagem crítica de Jesus. Quem é que estava a ocultar, ao povo simples, o essencial das Escrituras? Era a exegese dos doutores da Lei, apresentados como tendo o segredo da interpretação verdadeira da palavra de Deus. Faziam-no com tantas subtilezas e distinções que, em vez de revelar, escondiam, para seu interesse, a vontade libertadora de Deus.

Jesus estremece de alegria porque, finalmente, pode acabar com esse tipo de hipocrisia, que durou séculos, e que muitos desejaram libertar-se dessa opressão sem o conseguirem.

Um legista – especialista das aplicações da Lei – procurou atrapalhar o Jesus da nova era com uma pergunta: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Jesus devolve a pergunta ao doutor: que está escrito na Lei? E ele responde bem: amar a Deus e ao próximo. Jesus observa-lhe: faz isso e viverás. Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? Jesus não se perturbou, contou-lhe a famosa parábola da ética samaritana, uma crítica radical da opressiva religião do Templo[7].

Tudo, no Cristianismo, é por causa da alegria. Quando assim não for, atraiçoamos o seu Espírito. Viva o Domingo da alegria!

in Público 13.12.2020

https://www.publico.pt/2020/12/13/opiniao/opiniao/causa-alegria-1942542



[1] STH,  I-II q. 1-5

[2] Rm 8, 22-23

[3] STH,  I-II q. 25, a. 4

[4] Rm 8, 38-39

[5] Is, 11, 1-10

[6] Lc 10, 20-24

[7] Lc 10, 25-37

O sentido da vida. 2. A ética

Anselmo Borges

Padre e Professor de Filosofia

 

1. Quando demos por nós, já lá estávamos, claro, mas ainda sem consciência de estarmos. Foi um tomar consciência lento, gradual. Mas houve um dia, dias, em que se nos impôs ou foi impondo claramente que nos pertencemos, que somos livres, que somos donos e senhores de nós próprios e das nossas acções, com a responsabilidade de nos fazermos a nós mesmos no mundo  com os outros. De qualquer forma, percebemos que já somos, mas ainda não somos e temos de escolher o que queremos ser. Abateu-se sobre nós, gigantesca, decisiva, a única tarefa que temos: fazendo o que fazemos ou não fazemos, por acção, por omissão, estamos a fazer-nos e, no fim, resultará uma obra de arte ou uma vergonha...

Assim, torna-se claro que a nossa vida, para se erguer num projecto digno, tem de se ir vendo do presente para o futuro e do futuro para o presente continuado, se se quiser, numa imagem mais visual, tem de ver-se de cá para lá e, por antecipação, de lá para cá. Para que lá, no fim, olhando para trás, não nos arrependamos do que fizemos ou não fizemos, não tenhamos vergonha, não tenhamos pena de não termos feito o que poderíamos fazer e não fizemos. É que — isto é abissal — só vivemos uma vez.

Não se trata de viver apenas em função do futuro, pois é preciso viver intensamente, em todas as dimensões, agora, pois é sempre no presente que vivemos. Mas sem esquecer o futuro. Um dia perguntaram-me qual seria a minha resposta se um jovem me pedisse uma sugestão que o ajudasse a encontrar um sentido para a sua vida. Respondi: “Depende do jovem concreto que me formulasse a pergunta. Mas, de modo genérico, diria: procura responder com dignidade às perguntas e aos desafios que a vida te faz. Mais concretamente: estuda, ama, abre-te generosamente ao mundo e aos outros, alegra-te com o facto de seres jovem e com as possibilidades que te são dadas, não penses exigir colher na vida adulta e na velhice o que não semeaste na juventude.”

2. Evidentemente, não somos totalmente livres. A nossa liberdade é finita, pois estamos enraizados no tempo, em circunstâncias que não dominamos completamente, somos também fruto de uma herança genética, de uma determinada educação, de oportunidades mais favoráveis, menos favoráveis. De qualquer modo, erguemo-nos sempre acima de todas essas circunstâncias e podemos e devemos perguntar: o que é que eu posso e devo fazer com tudo aquilo que me foi dado e com o que a vida fez de mim? Que sentido quero dar à minha existência?

Numa sociedade como a nossa, que põe o acento no prazer, na imagem, no parecer e no aparecer, no consumo voraz, no culto do individualismo, na imediatidade, na sociedade-espectáculo, no “divertir-se até à morte”, a pergunta já não se coloca com a intensidade que exige, e o que então se experiencia é o vazio existencial. Se o sentido é da ordem do ser, é natural que numa sociedade baseada no ter, na corrida vertiginosa por isto e por aquilo, haja dificuldade em encontrá-lo. A nossa sociedade vive essencialmente de sensações e da racionalidade instrumental, de meios para outros meios, faltando, por isso, os verdadeiros fins humanos.

A nossa sociedade vive uma tensão. Por um lado, a competição sem freio, o hedonismo, a agitação do imediato, a ruptura com a tradição, a incapacidade de gerir torrentes de informações e a confluência caótica e contraditória de opiniões e cosmovisões, o relativismo dos valores e das crenças conduzem a uma experiência de vazio, que se exprime no sentimento de cansaço, de abandono, de decadência, na proliferação do tédio, da descrença e da agressividade, na anomia do consumo de drogas e de álcool, no aumento crescente das depressões e dos tranquilizantes, na desorientação, uma situação dramática que clama por outra sociedade e uma atitude diferente face à existência. Por outro lado, parece nem haver tempo para parar e perguntar pelo sentido. Evidentemente, a pandemia agravou a situação, mas obrigou a parar e a pensar.

E quem sabe? Numa sociedade da agitação, do ruído, incapaz de silêncio, na voragem do tempo e da vivência à superfície, sem fundura, longe, muito longe da espiritualidade, de Deus e do essencial, pode acontecer que este retiro forçado, obrigando-nos a parar, nos traga a alegria do reencontro com o melhor: a família, o mistério do Ser e de ser, o milagre de existir e estar vivo. Oxalá: um despertar!

E, para verdadeiramente sermos, o apelo ao regresso à ética. Decisivo é perceber que só encontra sentido quem não se encerra em si mesmo, mas se abre ao mundo e aos outros, corresponsabilizando-se pela configuração da sociedade na justiça, na fraternidade e na paz.

Hoje, tomamos consciência mais clara de que a Humanidade habita numa “pequena aldeia” (Mc Luhan) e de que vimos da natureza por evolução e que ou nos salvamos todos ou ninguém se salva. A nossa solidariedade já não pode, portanto, limitar-se aos mais próximos, somos responsáveis pela Humanidade toda no presente e também pelas gerações futuras e, nessa responsabilidade, tem de estar incluída a Natureza. O actual modelo de desenvolvimento gera simultaneamente a crise ecológica e a injustiça social. Assim, a construção da casa comum da Humanidade exige uma consciência ética — veja-se o elo entre ethos (habitação) e oikos (casa), ligando ética, economia e ecologia —, aliada a um nova proposta político-cultural global, para uma nova ordem económico-ecológica global justa e sustentável, a favor do homem todo e da Humanidade inteira.

in DN 12.12.20

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/12-dez-2020/o-sentido-da-vida-2-a-etica-13130424.html?target=conteudo_fechado

 

 

QUE COISA
SÃO AS NUVENS

JOSÉ
TOLENTINO
MENDONÇA

 

QUE HORAS SÃO AÍ?

A LITERATURA EXISTE PARA DAR UMA HIPÓTESE À PIEDADE E PARA QUE A VERSÃO DOS VENCIDOS POSSA SER ESCUTADA

 

Lisboa continua a ser uma cidade literária. Isto é, uma cidade que não coincide necessariamente com a sua geografia visível. Uma cidade que é maior do que aquela que a cartografia designa. O trabalho de um escritor não é só uma operação de desmontagem do tempo: ele faz o mesmo em relação ao espaço. Em parte a cidade, tal qual historicamente se apresenta, pode ser reconhecível no que escrevem. Há a Lisboa de Cesário Verde e de Pessoa, de Saramago, Cesariny, Lobo Antunes ou Mário de Carvalho, de Sophia ou de Adília Lopes. Num dos livros desta última (“Poemas Novos”, 2004), a capa é mesmo um mapa (desenhado por Armanda Duarte) dos lugares habituais do seu girovagar lisboeta. Mas o contributo maior é o dos mapas aumentados que os romances, os contos, os poemas obrigam a produzir, porque nos informam que a paisagem que vemos esconde imprevisíveis elipses, que as ruas que percorremos se prolongam quando nos parecem que terminam, que há mais passagens, praças, colinas jardins e moradas, porque todas as cidades são cidades invisíveis. Por isso, quando um escritor morre, como ironicamente escreve Alexandre O’Neill, talvez o registo oficial seja apenas o de “uma tosse a menos na cidade”. Na verdade, porém, ele legou aos seus contemporâneos e aos vindouros um território que antes não existia, como por vezes o fazem as erupções vulcânicas com os seus derrames de lava.

Sei que muitos italianos vêm a Lisboa trazendo na bagagem o romance “Afirma Pereira”, de Antonio Tabucchi. E que vão tomar café ao Orquídea seguindo os passos do protagonista ou se metem no 28 para verem como Lisboa é lentamente metafísica e cansada ou são mais benévolos a julgar a ventania do entardecer do que alguma vez os locais o serão. Sei que, ainda por causa do que aquele Pereira afirma, rumam até a Rua da Saudade e procuram o número cívico 22. Primeiro creem-se ter enganado e voltam ao princípio da rua e da contagem. Mas nem assim dão com ele. Alguns atrevem-se a perguntar aos transeuntes. Podem passar mais ou menos tempo nesta investigação inconclusiva até declararem que o número 22 não existe. Ou compreenderem que existe diversamente. E aí, então, a sua viagem começa.

Lisboa tem uma grande dívida para com Tabucchi, que tem resistido a reconhecer, embora esteja a tempo. A tempo, não de a saldar (pois como se saldam dívidas desta natureza!), mas de a assumir

A este propósito, Lisboa tem uma grande dívida para com Tabucchi, que tem resistido a reconhecer, embora esteja a tempo. A tempo, não de a saldar (pois como se saldam dívidas desta natureza!), mas de a assumir. Tabucchi é um mestre no jogo do reverso, no elencar desses equívocos, afinal com importância, que revelam o que significa o habitar: essa sobreposição de mundos que, em grande medida, é o natural resultado da passagem do tempo; esse subtilíssimo fio que separa, por exemplo, a cidade da nossa infância daquela atual, com tantos elementos que coincidem e tantos que não, a ponto de nos sentirmos estrangeiros de nós mesmos; ou como a memória é, em nós, um detetive a lidar com indícios, a ter de reconstruir e ficcionar se se quiser avizinhar da própria solitária verdade. Num conto inédito, que acaba de ser editado em Itália, e que se intitula “Que Horas São Aí?”, é essa exatamente a intriga. Lojas que deixaram de existir e foram substituídas por outras, lacunas, distâncias e dobras que o tempo acentua, enigmas deixados em herança, ruas e sofrimentos que os mapas não assinalam. Face a isso, a tarefa da literatura é dupla: por um lado, tornar consciente em nós o impacto avassalador da vida, mas, por outro, tentar uma espécie de reparação. Que Tabucchi explica assim: a história é uma criatura glacial, não tem piedade de nada nem de ninguém. Mas a literatura existe para dar uma hipótese à piedade e para que a versão dos vencidos possa ser escutada.

in Expresso, 12.12.20 pg 175

 

https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2511/html/revista-e/que-coisa-sao-as-nuvens/que-horas-sao-ai-

 

 

À PROCURA DA PALAVRA

No meio de vós

Pe. Vitor Gonçalves

DOMINGO III DO ADVENTO Ano B

“No meio de vós está Alguém que não conheceis.”

Mc 1, 27

 

Se é verdade que João Baptista não seria um imediato exemplo de alegria pela austeridade da sua vida e a força interpeladora das suas palavras, importa lembrar o salto de felicidade que deu no seio de sua mãe, Isabel. Aí ele foi a humanidade inteira a alegrar-se com a vinda do Salvador, por dentro da nossa carne. É por dentro de nós que as verdadeiras alegrias acontecem, como uma germinação interior. Pois é sempre do interior que o Verbo incarnado actua, na nossa condição e com os nossos limites. A alegria de João Baptista é a de que Cristo cresça e ele diminua, que ele fique na margem e Cristo no meio e dentro de nós. E aí, verdadeiramente acessível a todos, fazer a transformação do nosso mundo.

O que esperamos verdadeiramente deste Natal? A graça de um renovamento na nossa relação com Deus e com os outros, de um recomeço iluminado pela experiência e pela descoberta do seu amor, ou que seja “mágico”, e conforte e tranquilize nos nossos desejos de ter e parecer? Por isso o desejo de ser igualzinho aos anos anteriores, quando a urgência de conter a pandemia nos pede que seja diferente. Queremos a mudança por fora sem assumir a mudança por dentro? Até que ponto não continua no meio de nós “Aquele que não conhecemos”? João Baptista desvia de si as atenções, dos títulos que lhe poderiam atribuir: ele “não é” o Messias, nem Elias, nem o Profeta, nem a Luz de que é reflexo. É simplesmente Voz, conjunto de sons para que a Palavra que é Cristo chegue a todos. Em que vozes chegou até nós o conhecimento de Jesus? E pela nossa voz, chegará a alguém?  

Corro agora o risco daquele pregador que em sermão da quaresma sobre a confissão, em dia de S. José, começava assim: “S. José era carpinteiro… Fazia móveis de madeira… De madeira são os confessionários… Terá feito algum… Falemos da confissão!” Vem S. José a propósito pela Carta Apóstólica “Patris Corde”, do Papa Francisco, por ocasião do 150.º aniversário da declaração de S. José como padroeiro da Igreja universal. E se João Baptista é Voz, de S. José não nos chegou nenhuma palavra. Mas os relatos de Mateus e Lucas revelam-nos imensos gestos que nos ajudam a compreender a sua paternidade e a sua missão. Revela-se também o coração do Papa Francisco que deseja que aumentemos “o amor por este grande santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo.” Partilha connosco uma oração a S. José que faz, diariamente, há mais de quarenta anos.

Nas características do “coração de pai” que o Papa Francisco nos apresenta em S. José podemos assumir também a paternidade que é “a responsabilidade pela vida de outrem”. Como Jesus recebeu de José, somos convidados a redescobrir a ternura de Deus, a alegria da obediência, a humildade do acolhimento, a coragem criativa, o valor do trabalho, e a confiança de ficar na sombra. Para conheceremos melhor Aquele que está no meio de nós, no rosto de pais, irmãos e amigos!

in Voz da Verdade 13.12.20

http://www.vozdaverdade.org/site/index.php?id=9388&cont_=ver2

 

 

Curso CAMINHOS CRUZADOS - Filosofia, Literatura e Espiritualidade

Caro(a)s Amigo(a)s da Comunidade da Capela do Rato,

 

Neste tempo extraordinário de Pandemia a nossa Comunidade entendeu que devia continuar a fazer prova de Vida realizando uma nova edição do Curso de Filosofia, Literatura e Espiritualidade que designámos CAMINHOS CRUZADOS.

Face às actuais circunstâncias de saúde o Curso será online e terá 15 Sessões semanais, com início no dia 11 de Janeiro próximo, que decorrerão entre as 19h00 e as 20h30.

 

O Programa do Curso – Obras, Autores e Conferencistas – é o que anexamos a este e-mail.

Para efeito de organização gostaríamos de saber se quer participar nesta nossa iniciativa.

Em caso afirmativo pedimos que formalize a sua inscrição respondendo a este email. O contributo individual será de € 15,00 a transferir para a conta da Capela de Nossa Senhora da Bonança com o NIB 0010 0000 1993 6630 0019 1 do Banco BPI.

Durante o mês de Dezembro remeteremos aos Participantes informação sobre as edições disponíveis das Obras em análise, bem como os curricula dos Conferencistas e o link para acesso às Sessões.

Ficamos à sua disposição para qualquer esclarecimento adicional.

Com a maior estima

Maria Luísa Ribeiro Ferreira

Coordenadora Científica do Curso

Celebração da Eucaristia com canto gregoriano – IV Domingo do Advento

A eucaristia do IV Domingo do Advento (20.12.2020) será celebrada com cânticos em gregoriano próprios deste tempo litúrgico. Serão interpretadas também três peças do compositor inglês do século XVI William Byrd.

O canto é uma generosa e graciosa participação do Coro dos Amigos do Conservatório Nacional (CACN), dirigido pelo maestro e compositor Luís Lopes Cardoso. Não se trata de um concerto mas de «reconvocar a herança musical católica para o seu loco proprio, a celebração da eucarística» (nota sobre a seleção musical).

A eucaristia será transmitida às 11h, via streaming.

No final da celebração da eucaristia serão benzidas as imagens do Menino Jesus a colocar nos presépios. Pede-se às pessoas que vão participar presencialmente que levem a imagem do Menino para apresentar na altura da bênção. As pessoas que vão seguir on line tenham perto de si também a imagem do Menino.

 

Nota sobre a seleção musical

O CACN (Coro Amigos do Conservatório Nacional), apesar de não ter uma vocação especificamente litúrgica, encontra no património musical da Igreja um manancial de repertório de elevado interesse estético e cultural, que importa valorizar. 

Concomitantemente, tem consciência de que essa música surgiu associada a uma finalidade concreta e num contexto determinado: a  celebração  da liturgia; e que a sua apresentação em contexto idêntico pode proporcionar um modo de escuta e fruição distintos dos de um concerto.

Assim, propusemos à Capela do Rato não um concerto de música sacra, mas o reconvocar da herança musical católica para o seu loco proprio, designadamente a celebração da liturgia eucarística.

Para este efeito recorremos:

– a um ordinário polifónico a três vozes (que vamos cantar parcialmente) da autoria do compositor católico inglês William Byrd (c. 1539-1623), o qual viveu, pessoal e musicalmente, a sua fé em circunstâncias difíceis de perseguição religiosa e política;

e

– a um próprio neogregoriano que emana da tradição monódica cristã, tal  como  foi  acolhida  e  adaptada  pela   Igreja,  em  resposta  a  invectivas concretas  do  Concílio  Vaticano  II  (cfr.  Sacrosanctum  Concilium,  117): referimo-nos em concreto ao Graduale Simplex, editio typica altera, in usum minorum ecclesiarum («Gradual simples, edição oficial alternativa, para uso das igrejas com menos recursos»).

Esta   escolha é   complementada   por   um   Pater   noster   do   Graduale Romanum e por hinos da tradição gregorianos: Tantum ergo, pós-comunhão, e Alma Redemptoris Mater, final.

 

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