Comunicado do Movimento Nós
Somos Igreja
Com a primeira reunião dos oito cardeais no início de Outubro de 2013 o
Papa Francisco dará início à reforma da cúria, a qual se reveste da maior
importância para o futuro da Igreja Católica Romana. Não deveria decorrer em
segredo, mas sim com transparência e em franco diálogo com as igrejas locais.
No dia 14 de Abril de 2013, o Papa Francisco anunciou a reforma da
cúria e constituiu uma comissão mundial de oito cardeais. O Papa espera que as
primeiras sugestões desta comissão sejam expressas no início de Outubro. Até ao
momento, não foi atribuída qualquer tarefa pontifícia a este organismo. Até
agora, nenhum dos cardeais envolvidos proferiu qualquer comentário. Mas a
reforma da cúria, como primeiro passo de uma reforma estrutural integral da
Igreja Católica Romana, é tão importante que o essencial deveria ser debatido
publicamente.
É por isso que o MOVIMENTO INTERNACIONAL NÓS SOMOS IGREJA coloca as
seguintes perguntas agora, antes da reunião da comissão, que deverá realizar-se
no início de Outubro de 2013:
1. Quais os objectivos da planeada reforma, quais os conceitos
subjacentes e quais as propostas concretas dos cardeais?
2. Os cardeais consultaram previamente as conferências episcopais e as
organizações laicas dos seus países e continentes?
3. Que acções serão tomadas relativamente aos escândalos mundiais de
abusos e de ocultações?
A nomeação de uma comissão consultiva internacional é um passo
importante para uma liderança eclesial mais cooperativa e participativa, dadas
as inúmeras e graves crises (Vatileaks,
Banco do Vaticano, Sociedade de S. Pio X, falta de cooperação, etc.) e as
decisões erradas tomadas pelos líderes da Igreja. Mas é preciso ir mais longe. A
Cúria Romana cimentou o seu poder absoluto ao longo dos séculos!
É importante que a tão necessária reforma aumente não apenas a
eficácia da cúria, mas contribua igualmente para um espírito de transparência,
de modo a que a pluralidade colegial e as estruturas democráticas da Igreja
institucional consigam progredir (por ex. “a separação de poderes”: independência
legislativa, executiva e judicial). As mulheres, que constituem mais de metade
dos membros da Igreja, quase não têm representatividade nem participam nas
decisões. É preciso desenvolver novas estruturas de comunicação e liderança que
correspondam às exigências do Evangelho e satisfaçam as necessidades de uma
rede mundial de comunidades de fiéis oriundas de diversos contextos culturais. É
preciso indagar como foi possível organizar, no Vaticano, um lobby de homossexuais, como afirmou o
Papa Francisco, e saber o que é preciso fazer para evitar futuros lobbies deste tipo. É preciso esclarecer
como é possível existir no Vaticano qualquer tipo de lobby.
O próprio Papa Francisco mencionou “vinho novo em odres velhos” e
referiu-se à tradição da Igreja que permite a renovação teológica e estrutural
através do diálogo com pessoas de diversas culturas (cf. a homília do Papa de 6
de Julho de 2013). Razões pelas quais se esperam dele decisões fundamentais
durante o seu papado, que implicarão o abandono de princípios e doutrinas
obsoletos a fim de garantir um futuro vivo e saudável para a Igreja Católica. É
preciso reunir, o mais rapidamente possível, uma comissão de peritos em história
da Igreja, teologia sistemática e exegese, que aborde as questões relacionadas
com os problemas dogmáticos.
Respeitando naturalmente a tradição e a continuidade, devem ser
promovidas uma nova cultura e estrutura fundamentais e o processo deve
caraterizar-se pelo diálogo, pela comunhão, pela reforma e pela abertura –
segundo o Concílio Vaticano II (1962-65), o qual continua a ser fonte de directrizes
válidas e preciosas. Para o Vaticano, isto significa mais comunicação em vez de
controlo, mais espiritualidade e abertura de espírito em vez de sanções.
O Movimento Nós Somos Igreja acredita que as decisões fundamentais
devem incidir:
1. Na descentralização das decisões tomadas na Igreja e na concessão
de mais direitos e responsabilidades às igrejas locais
2. Na representação em Roma de todas as igrejas existentes no mundo
3. Na emancipação das mulheres a todos os níveis
4. Na responsabilidade colegial e no abandono de estruturas
absolutistas e monárquicas
5. Na implementação de direitos humanos na Igreja
6. Num código de conduta, incluindo a responsabilização da hierarquia
da Igreja perante o povo de Deus.
Tradução de Luísa Vasconcelos Abreu
12 de Agosto de 2013
Tradução de Luísa Vasconcelos Abreu
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